domingo, março 29, 2015

Psicologia - Frase da semana, 29MAR15: O NOTÁVEL PODER DA TRANSMISSÃO ORAL!

Psicologia - Frase da semana, 29MAR15: O NOTÁVEL PODER DA TRANSMISSÃO ORAL!


http://www.smh.com.au/technology/sci-tech/aboriginal-stories-of-sea
-level-rise-preserved-for-thousands-of-years-20150213-13d3rz.html
"Sem fazerem uso de línguas escritas, tribos aborígenes foram capazes de passar, ao longo de centenas de gerações, com grande rigor na transmissão oral, memórias de vida dos períodos pré-, trans- e pós-inundações glaciares costeiras. Algumas tribos conseguem ainda apontar para ilhas que não existem mais, e dizer os seus nomes originais ."

http://www.smh.com.au/technology/sci-tech/aboriginal-stories-of-sea-level
-rise-preserved-for-thousands-of-years-20150213-13d3rz.html
Num tempo em que se vive o predomínio da mensagem escrita rápida, tipo usa-e-deita-fora; a fotografia fácil do telemóvel pouco exigente; a consulta imediata na Internet, sem memória, apenas com Presente absoluto; e, finalmente, a busca solitária da informação em vez da conversa partilhada, esta constatação mostra-nos o extraordinário potencial da atenção e da capacidade de memorização humana; e do valor da comunicação oral - a exactidão descritiva, o rigor factual, ao respeito fiel à tradição recebida da geração precedente; a consciência da importância da preservação do conhecimento ancestral.


"Without using written languages, Aboriginal tribes passed memories of life before, and during, post-glacial shoreline inundations through hundreds of generations as high-fidelity oral history. Some tribes can still point to islands that no longer exist—and provide their original names." http://www.scientificamerican.com/article/ancient-sea-rise-tale-told-accurately-for-10-000-years/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

segunda-feira, março 23, 2015

Frase da semana, 22MAR15: MEIO POR MEIO, O LIMITE DOS SIMBOLISMOS

Psicologia - Frase da semana, 22MAR15: MEIO POR MEIO, O LIMITE DOS SIMBOLISMOS


"Um copo meio vazio de vinho é também um copo meio cheio, mas uma meia mentira de maneira nenhuma é uma meia verdade."

A half-empty glass of wine is also one half full, but a half lie, by no means is a half truth. Jean Cocteau

Na acepção popular, a afirmação de Cocteau é uma metáfora.
Os livros sérios dos especialistas das letras, das frases e das línguas enquadram o estudo das metáforas nas funções da linguagem. Dizem eles:
"A retórica tradicional distingue três funções da linguagem - docere, placere, movere. A primeira destas funções, docere, equivale à transmissão de informação lógica. Apesar de a imaginação constituir o ponto fulcral da metáfora, esta ao destacar uma característica dominante, permite pôr em relevo o elemento mais relevante para uma melhor interpretação da mensagem. Placere, a segunda função da linguagem, designa a função estética, que assume um papel ambivalente - ao mesmo tempo que enriquece o vocabulário e embeleza o discurso, procura captar o interesse do seu interlocutor. Por fim, movere, cujo sentido é definido como a persuasão, é também visível na figura metafórica. Uma mensagem persuasiva só alcançará o seu objectivo final através de um apelo à sensibilidade e à afectividade." (ver aqui)
Pois, que o poder fascinante das palavras bem compostas umas a seguir às outras não nos deixe presos nos meios dos caminhos. 

domingo, março 15, 2015

Psicologia - Frase da semana, 15MAR15: O TEMPO, ESSE GRANDE ESCULTOR

Psicologia - Frase da semana, 15MAR15: O TEMPO, ESSE GRANDE ESCULTOR


"A persistência da memória", de Salvador Dali, 1931
O pensamento é escravo da vida, e a vida é o bobo do tempo.

“But thoughts the slave of life, and life, Time’s fool, [And Time, that takes survey of all the world, Must have a stop.”] William Shakespeare, King Henry IV, Part 1

Tanto quanto se sabe, o autor do texto que se segue é desconhecido; mas é um texto citado com muita frequência.

Para perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve o seu bebé prematuramente. Para perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal. Para perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos enamorados que estão esperando para se encontrar. Para perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu um avião.Para perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para perceber o valor de UM MILISSEGUNDO, pergunte a alguém que conquistou apenas a medalha de prata nuns Jogos Olímpicos.
Nota: Marguerite Yourcenar é a autora da frase que dá título a este apontamento.

domingo, março 08, 2015

Psicologia - Frase da semana, 08MAR15: CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES

Psicologia - Frase da semana, 08MAR15: CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES


Johan Cruyff - Quanto vale o acto de se benzer quando se entra em campo?

Johan Cruyff foi um jogador de futebol genial! A seguir foi treinador. Treinou o Barcelona e fez da
equipa um grupo de homens que espalhava classe, arte, inteligência e muito sucesso. O Barcelona era - as equipas são todas assim - feita de homens que têm crenças e superstições. Uma delas, que vemos frequentemente em equipas sobretudo latinas é o se benzer quando se entra em campo.
A afirmação de Cruyff sobre esse gesto tão cheio de crença tão cheio de superstição é, também ela, portadora de arte, e inteligência e eficácia que nos deixam completamente desarmados:
"Não sou crente. Em Espanha, os vinte e dois jogadores benzem-se antes de entrar em campo. Se resultasse, só havia empates."
Pois, fica tudo dito.

In English: "I’m not religious. In Spain all 22 players make the sign of the cross before they enter the pitch. If it works all matches must therefore end in a draw."


domingo, fevereiro 22, 2015

«"O prazer de ser capaz!" - Isto é um plágio!»

(texto apresentado no Ciclo de Conferências "Cruzar saberes: Um percurso reflexivo transdisciplinar", no Centro de Formação de Escolas António Sérgio (Lisboa), em 20 de Fevereiro de 2015)
Captamos, integramos, assimilamos a Realidade através das entradas sensoriais com que a biologia da espécie nos equipou; conduzimos depois essas sensações para o cérebro, que a Evolução trouxe a um estádio espantoso de desenvolvimento e competência. Generosa, a Evolução equipou-nos também com uma extraordinária capacidade de produzir sons, e com isso criámos falas que transportam significados a propósito da Realidade que nos envolve, mas também da que criamos dentro de cada uma das nossas cabeças.
Sem que ainda o saibamos explicar, os bebés novos falantes ganham muito rapidamente o domínio das gramáticas das línguas e aceleram exponencialmente a capacidade de aprender, de criar e de comunicar… até que – repito-o – os professores, com a conivência dos pais – refreiam essa notável competência infantil e distorcem-na; isso mesmo, distorcem-na. Nos ministérios governamentais tutelares, gentes de valor muito duvidoso enchem-se da ilusória crença de que têm a sabedoria para tornar as suas crianças os mais capazes prémios nobel do Mundo e enchem os professores de directivas e regulamentações para que realizem essa balofa ilusão – e, distorcendo professores, distorcem o desenvolvimento do pensamento, da inteligência e da capacidade de aprender dos alunos, estragando-lhes, quantas vezes irremediavelmente, o prazer de serem capazes.
(a versão completa do texto, certamente bem mais humorada, está aqui:
https://sites.google.com/site/autoregulacaodocomportamento/textos-pessoais)

segunda-feira, setembro 15, 2014

Psicologia - Frase da semana, 15SET14: RECOMEÇAR COM EÇA DE QUEIROZ

Psicologia - Frase da semana, 15SET14: RECOMEÇAR COM EÇA DE QUEIROZ:

Recomeçar a escola - O PRAZER COLETIVO DA CRIAÇÃO DO PENSAMENTO

"Estou a vê-lo, de pé, curvado sôbre a alta mesa de trabalho de Oliveira Martins, esguio, no comprido fraque negro escorrido ao longo do corpo esquelético, o perfil adunco contraído no seu rictus irónico, o monóculo encravado na arcada superciliar, a mão fina e delicada correndo vertiginosamente sôbre as largas fôlhas de papel assetinado. (...)
A cada instante, Eça de Queiroz interrompia a escrita e lia um trecho do trabalho já feito, entre um côro de ruidosas gargalhadas. Outras vezes pedia idéias, exigia ditos sublimes, ¡reclamava génio!... E logo remergulhava na redacção dessa formidável e tintamarresca pasquinada. (...)
Ah! não a esquecerei nunca, essa noite alegre de boémia do espírito, de Carnaval literário, em que êsses grandes intelectuais foliavam como pierrots enfarinhados, atirando às mãos ambas, sobre a multidão, sobre os políticos, os literatos, os homens do dia, ¡os confetti e as serpentinas da chalaça, das alusões picantes, da desenvolta fantasia clownesca! (...)
Ouvir conversar êsses homens constituía, com efeito, um regalo epicurista da inteligência, uma verdadeira delícia espiritual."
(Luís de Magalhães, in «Eça de Queiroz, "In Memoriam"». Coimbra, Atlântida, 1947, p. 233-247)
NOTA: mantém-se a grafia da época.

domingo, junho 08, 2014

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Amanhã concluirei o relacionamento formal com os meus alunos do 12.º ano deste ano escolar. É dia de dar notas. De Setembro até à sexta-feira passada, falámos muito, pensámos muito; e, sobretudo, criámos entre nós e com outros fora de nós, em Portugal e no Mundo inteiro - sim, no Mundo inteiro! -, muitas coisas de valor, de muita Cultura e Humanidade.
Este pequeno excerto da entrevista de Agualusa e Mia Couto, da edição do Público de hoje, tem muito a ver com as descobertas que fizemos e com o olhar sobre as Pessoas e o Mundo que inventámos entre nós e partilhámos com os outros.
Simbolicamente, esta entrevista chegou no momento certo! É que no decorrer da semana o próprio Mia Couto nos disse que podemos contar com ele para as aulas de Psicologia no próximo ano!
Na entrevista, a jornalista pergunta a Agualusa: "Os adultos não vêem?"
Agualusa responde: Nalguns casos, vêem à medida que envelhecem. As crianças vêem o evidente. Costumo contar uma história da minha filha, quando era bem pequenina. Uma senhora fez-lhe uma pergunta muito idiota. "De que raça és tu?" Ela não entendeu. Não tinha sequer o conceito de raça. A senhora tentou corrigir a pergunta, errando ainda mais. "De que cor és tu?" A minha filha olhou muito espantada. 

"Mas não vês que sou uma menina? As meninas são pessoas. As pessoas têm cores diferentes. A minha língua é vermelha, os meus dentes são brancos, o meu cabelo é castanho."
Temos todas as cores. É preciso uma criança de quatro anos para dizer o óbvio.