domingo, Abril 13, 2014

Psicologia - Frase da semana, 14abr14, "O que é a felicidade? / 01"

Psicologia - Frase da semana, 14abr14, "O que é a felicidade? / 01"

É um tema recorrente, que volta sempre a cada nova leva geracional da nossa espécie. E quantas vezes se repete dentro da mesma geração!
http://statusmind.com/happiness-facebook-status-68/
"A felicidade é a satisfação tardia de um desejo pré-histórico. Eis por que a riqueza [material] traz tão pouca felicidade; o dinheiro não é um desejo infantil."
Sigmund Freud, numa carta a Wilhelm Fliess, com a data de 16 de janeiro de 1898.
Citar autores, tantas vezes, "descontextualizando" (como modernamente se diz) as frases e os sentidos, tem os seus escolhos, os seus riscos. Seja. Escudemo-nos na autoridade cultural reconhecida de duas personagens que da Lei da Morte se libertaram. Séneca, no século I: "O que quer que seja que um outro disser bem, é meu." E Jorge Luís Borges, em 1969: "Que outros se ufanem das páginas que escreveram; a mim me orgulham as que tenho lido."

"Happiness is the belated fulfillment of a prehistoric wish. For this reason wealth brings so little happiness. Money was not a childhood wish."Letter from Freud to Fliess, January 16, 1898.

domingo, Abril 06, 2014

"Quem somos, o que somos?"

Psicologia - Frase da semana, 07abr14, "Quem somos, o que somos?"


"O burro não é de onde nasce, o burro é de onde pasta."
créditos da fotografia: Bruno Filipe M


Esta pérola da sabedoria popular, ouvi-a num muito interessante serão sobre o folclore e os instrumentos musicais da tradição de Miranda do Douro.

"Foi reproduzida pelo Pedro Almeida, da Associação Lérias (Palaçoulo), no âmbito da visita de estudos "Bamos er mirandeses!", dos alunos de Psicologia e EMRC da Escola Secundária Eça de Queirós

domingo, Março 30, 2014

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"


Segundo Cícero, os três princípios da Educação tradicional romana eram os seguintes: gravitas, pietas, simplicitas.


  • Gravitas representava o sentido da responsabilidade;
  • Pietas funcionava como o vínculo, por excelência, que ligava o homem romano: aos deuses, aos membros da sua família - vivos e mortos -, e à Cidade.
  • Simplicitas devia incutir o sentido do valor autêntico de cada pessoa e de cada coisa.

"«Imortais» chamámos aos princípios que Cícero nos transmitiu como constitutivos básicos da formação dos seus compatriotas. E não o serão, de facto? Não representarão eles valores permanentes, na sua essência, uma vez despojados, na medida em que isso é possível, das circunstancialidades de tempo e de espaço? Embora formulados numa sociedade «arcaica», não serão eles aptos - uma vez mais, na sua essência - a formar homens, que o sejam, na verdade, pertencentes a uma sociedade industrial?"
Estas interrogações - provavelmente, mais atuais que nunca -, encontramo-las deixadas pelo padre Manuel Antunes, em 30 de julho de 1970.
(padre Manuel Antunes, Obra Completa, tomo II, Paideia e Sociedade, 2.ª ed., 2008. F.C.G., p. 105-106.)

"Behind such heroines were the nameless wives whose marital fidelity and maternal sacrifices sustained the whole structure of Roman life. The old Roman virtues — pietas, gravitas, simplicitas — the mutual devotion of parents and children, a sober sense of responsibility, an avoidance of extravagance or display—still survived in Roman homes."
(Will Durant, Caesar and Christ, 2011)

domingo, Março 23, 2014

O que vale pensar interrogativamente?

Psicologia - Frase da semana, 24mar14, "Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"
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O que vale pensar  interrogativamente?
Pensar e deixar pensar...
O valor da diversidade do pensamento; o valor do pensamento individual.
Afirma Jane Goodall depois de estudar o comportamento dos chimpanzés e o comportamento humano durante mais de 40 anos:

- " O que nos torna humanos, penso eu, é a capacidade de nos interrogarmos, que é uma consequência da sofisticada linguagem falada que possuímos."


"What makes us human, I think, is an ability to ask questions, a consequence of our sophisticated spoken language." - Dr. Jane Goodall.

sábado, Março 15, 2014

A representação mental das relações interpessoais

http://fanart.tv/fanart/music/1582a5b8-538e-45e7-9ae4-4099439a0e79/
artistbackground/ben-harper-4e4950d6d392c.jpg

Psicologia - Frase da semana, 17mar14, "A representação mental das relações interpessoais"

"Certa vez, alguém perguntou a Ben Harper, um famoso músico americano:
-
Ouvimos dizer que você tem um novo baterista na banda. Diga-me uma coisa: ele é negro?
E Harper respondeu:
- Não sei, nunca lhe perguntei."

Mia Couto, Pensatempos (textos de opinião), 2005. Editorial Caminho, p. 89. 

"Once Ben Harper, a famous American musician, was asked: 
- We have heard you have a new drummer in your band. Tell me one thing: is he black? 
And Harper replied: 
- I do not know, I never asked him. "

domingo, Março 09, 2014

Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?

Psicologia - Frase da semana, 09mar14, "Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"

O Facebook e o Twitter beneficiam ou prejudicam a nossa felicidade?
http://stewards.snre.umich.edu/sites/alumni.snre.umich.edu/
files/styles/large/public/articles/lama-spring08.jpg?itok=iiTSYrhQ
Dalai Lama: - "Depende do modo como os usamos. Se a pessoa tem uma certa força interior, uma certa confiança, não há problema. Mas se a mente de uma pessoa é fraca, então existe mais confusão. A culpa não é da tecnologia. Depende do utilizador da tecnologia."
(Em Portugal, ver revista Visão, n.º 1098, 20 a 26 de março de 2014, p. 106)


O Dalai Lama tem sido um muito ativo animador de encontros entre gentes de todo o mundo, de muitas especialidades científicas, para reflexão sobre o cérebro, a força das emoções e o poder da inteligência e a mente; na senda da promoção do bem-estar. Tem sido mesmo um esforço notável, por exemplo, no âmbito do Mind  Life Institute.


Do Facebook and Twitter help or hurt our happiness?
It depends on how you use them. If the person, himself or herself, has a certain inner strength, a certain confidence, then it is no problem. But if an individual’s mind is weak, then there is more confusion. You can’t blame technology. It depends on the user of the technology.

Qual a origem do sucesso da espécie humana?

 Psicologia - Frase da semana, 09mar14, "Qual a origem do sucesso da espécie humana?"


http://sociedadedospoetasamigos.blogspot.pt/
2012/11/mia-couto-professorbiologopoeta-e.html
Qual a origem do sucesso da espécie humana?
Mia Couto, tendo em mente o terreno da sua nacionalidade - Moçambique - afirma:
"(...) Essa habilidade em produzir diversidade, esse é o segredo da nossa vitalidade e das nossas artes de sobrevivência. (...)"

Um texto extraordinário a falar-nos de identidade e alteridade; discriminação e exclusão; estereótipos e preconceitos; criar, viver e morrer. Ser em harmonia com todas as formas e manifestações de vida.
´
POR UM MUNDO ESCULTURADO
(Mia Couto, Pensatempos, 2005, pp. 155-7)
Não existe alternativa: a globalização começou com o primeiro homem. O primeiro homem (se é que alguma vez existiu «um primeiro» homem) era já a humanidade inteira.
Essa humanidade produziu infinitas respostas adaptativas. O que podemos fazer, nos dias de hoje, é responder à globalização desumanizante com outra globalização, feita à nossa maneira e com os nossos propósitos. Não tanto para contrapor. Mas para criar um mundo plural em que todos possam mundializar e ser mundializados. Sem hegemonia, sem dominação. Um mundo que escuta as vozes diversas, em que todos são, em simultâneo, centro e periferia.
Só há um caminho. Que não é o da imposição. Mas o da sedução. Os outros necessitam conhecer-nos. Porque até aqui «eles» conhecem uma miragem. O nosso retrato - o retrato feito pelos «outros» - foi produzido pela sedimentação de estereótipos. Pior do que a ignorância é essa presunção de saber. O que se globalizou foi, antes de mais, essa ignorância disfarçada de arrogância. Não é o rosto mas a máscara que se veicula no retrato.
A questão é, portanto, a de um outro conhecimento. Se os outros nos conhecerem, se escutarem a nossa voz e, sobretudo, se encontrarem nessa descoberta um motivo de prazer, só então estaremos criando esse território da diversidade e da particularidade.
O problema parece ser que o de que nós próprios – os do Terceiro Mundo – nos conhecemos mal. Mais grave ainda: muitos de nós nos olhamos com os olhos dos outros. Um velho ditado africano avisa: não necessitamos de espelho para olhar o que trazemos no pulso. A visão que temos da nossa História e das nossas dinâmicas não foi por nós construída. Não é nossa. Pedimos emprestado aos outros a lógica que levou à nossa própria exclusão e à mistificação de nosso mundo periférico. Temos de aprender a pensar e a sentir de acordo com uma racionalidade que seja nossa e que exprima a nossa individualidade.
Fomos empurrados para definir aquilo que se chamam «identidades». Deram-nos para isso um espelho viciado. Só parece refletir a “nossa” 'imagem porque o nosso olhar foi educado identificarmo-nos de uma certa maneira. O espelho deforma o que temos amarrado no pulso. Pior que isso: amarra-nos o pulso. E aprisiona o olhar. Onde deveríamos ver dinâmicas vislumbramos essências, onde deveríamos descobrir processos apenas notamos imobilidades.
Em vez de tirarmos proveito das mestiçagens que historicamente fomos produzindo, contentámo-nos com essa ilusão estéril que é a procura de identidades «puras». Trocamos um namoro produtivo por uma cruzada infecunda. Em nome da ciência se esqueceram outras sabedorias, outras aproximações. A ciência se foi convertendo em algo muito pouco científico, uma acomodada certificação daquilo que se pensa ser a «realidade». Perdeu-se inquietação, arrojo e, sobretudo, perdeu-se a disponibilidade para experimentar outras vias de conhecimento.
No que este projeto deste grupo de cientistas sociais acredita é na possibilidade de uma ciência plural que aceite outros caminhos para se chegar a algo que deve ser entendido sempre de modo relacional e contextual – a verdade. Para isso, é preciso que nos deixemos encantar com a descoberta que fizermos das nossas próprias realidades em movimento.
Sou biólogo por formação. Os que estudam a evolução da nossa espécie sabem que não foi exatamente a inteligência que nos fez resistir à extinção. A glorificação do saber que se consagrou na forma como a nós mesmos nos designamos enquanto espécie traduz apenas uma parte da verdade.
A capacidade de produzir diversidade genética foi, sim, a caraterística humana que mais e melhor nos permitiu sobreviver. O sermos suficientemente diferentes entre nós mesmos (e as diferenças de uma para outra geração) ofereceu à evolução um leque de escolhas genéticas e produziu respostas adaptativas suficientemente diversas para que a Vida pudesse sempre escolher. Demos essa liberdade à Vida.
Essa habilidade em produzir diversidade, esse é o segredo da nossa vitalidade e das nossas artes de sobrevivência. Temos que saber manter essa capacidade – agora no plano cultural e civilizacional – para respondermos às novas ameaças que sobre todos nós pesam. As saídas que nos restam pedem-nos não o olhar do lince mas o olhar composto da mosca.
(Texto para o livro Moçambique e a Reinvenção da Emancipação Social, organizado por Boaventura Sousa Santos e Teresa Cruz e Silva, e publicado pelo Centro de Formação Jurídica e Judiciária, Maputo, março de 2005)




domingo, Fevereiro 16, 2014

"Vale muito a nossa memória de trabalho!"

Psicologia - Frase da semana, 17fev14, "Vale muito a nossa memória de trabalho!"

"O que processamos [mentalmente], nós aprendemos. Se não processarmos a vida, não a estaremos a viver."
Trata-se de uma pequena palestra sobre o que é a memória de trabalho (working memory), e a dinâmica funcional deste processo cognitivo. Excelente palestra, em grande sintonia com as orientações gerais da lecionação da disciplina de Psicologia B.

"What we process, we learn. If we're not processing life, we're not living it."

"Ce que nous traitons, nous l'apprenons. Si on ne traite pas la vie, on ne la vit pas."


(legendas em português do Brasil)