terça-feira, julho 17, 2018

O ser humano é intrinsecamente bom ou mau? Pela enésima vez.

Por pura coincidência, cruzaram-se hoje, no écrã da Net, em páginas abertas quase em simultâneo, a fotografia e o vídeo deste apontamento.
Sem que a puxa-se intencionalmente, a pergunta que tantas vezes me fazem, que tantas vezes discuto, veio-me outra vez à consciência.
Desta vez responderei, talvez mais claramente e convictamente do que nunca:
A verdadeira questão não é se somos naturalmente bons ou maus. O que é preciso pensar e assumir é que hoje, como nunca antes, sabemos quanto pode a educação, e quanto pela educação se consegue, com tolerância, carinho e tranquilidade, que o bom prevaleça sobre o mau e o mau seja, em geral, satisfatoriamente contido. Esta é a minha profunda convicção.
A educação dos grupos humanos, também mais do que nunca, é hercúlea tarefa de líderes políticos - a quem se exige muito de ética e humanidade; e despojamento pessoal material.


Algumas fontes irracionais de tanta violência e desumanidade que pedem o concerto empenhado das Nações e da Educação: as crenças religiosas radicais à volta de um Deus único, todo-poderoso; o ávido desejo de apropriação materialista.
No que diz respeito às arreigadas tradições de enorme sofrimento humano e domínio do homem sobre a mulher, por exemplo, que a Mutilação Genital Feminina de alguns países africanos siga o mesmo caminho que a tradição dos Pés de Lótus na China.

domingo, junho 10, 2018

A lição do padre Ray Kelly acerca da expressão das emoções

Ora aqui está um notável exemplo acerca do que deve ser o modo de estar de quem toma a seu cargo o serviço pessoal à comunidade, qualquer que ela seja:
a expansão das emoções positivas e, sem as negar e sem as reconhecer, a inibiçãos da emoções tristes e negativas.

terça-feira, abril 03, 2018

Precioso o exemplo pedagógico; preciosa a legendagem

Motherhood is hard.
Sim, ser mãe é exigente em qualquer lado.

Qual o ângulo mais interessante?
a) a tolerância, firme, da mãe.
b) a natureza irreverente da cria.
c) a tolerante resignação da cria à autoridade da mãe.
d) outra coisa. Qual?


quinta-feira, março 15, 2018

Psicologia - Frase da semana, 10MAR18: VER E ENTREVER, CONHECER E PERCEBER

Psicologia - Frase da semana, 10MAR18: VER E ENTREVER, CONHECER E PERCEBER


«Entrever é mais importante do que ver quando se trata do que há de humano, de pessoal, de íntimo nas paisagens.» (Gilberto Freyre, "Aventura e Rotina, Sugestões de uma viagem a procura das constantes portuguêsas de caráter e ação",  Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1953, pp. 84-5)

Irresistível o trazer à consciência o conceito teórico da "personalidade de base". Que bom um homem como Gilberto Freyre se ter interessado assim pela natureza do homem português! Homem de cultura vastíssima, foi também cientista dos fenómenos sociais e culturais de procedimentos sistemáticos, objectivos, procurando ter mão nos estereótipos, nos preconceitos e nos filtros do conhecimento adquirido - que é sempre questionável, modificável, actualizável.
É um espelho onde podemos - nós, os portugueses - ver-nos e rever-nos; olharmo-nos vaidosamente, narcisicamente - mas também com honesto sentido crítico.

domingo, julho 03, 2016

Psicologia - Frase da semana, 03JUL16: A FILOSOFIA DO CANDEEIRO

Psicologia - Frase da semana, 03JUL16: A FILOSOFIA DO CANDEEIRO


"O candeeiro não é luz, não é electricidade, mas aceita, dentro de
Foi assim que conheci Agostinho da Silva: a trocar mimos com o seu gato.
si, aquilo que ele não é.
» (Agostinho da Silva, recordado por Inácio Fiadeiro, in "In Memoriam de Agostinho da Silva, 100 anos, 150 nomes", 2006. Ed. Zéfiro, p. 190)

O meu querido colega e amigo Inácio Fiadeiro teve o privilégio e conhecer e privar com o Professor Agostinho da Silva, privilégio esse que eu pude também saborear um pouco. O Inácio deixou o seu testemunho no in Memoriam do notável Professor, num pequeno mas muito delicioso texto, construído de forma muito eficaz à volta de umas quantas memórias pontuais. O testemunho do Inácio acaba assim:
«Por último disse: "Já que provavelmente é a última vez que nos vemos aqui, gostava de lhe perguntar se, como acupunctor e psicólogo, sabia como as pessoas podem mudar. Disse que não, e ele respondeu, usando a filosofia do candeeiro: "O candeeiro não é luz, não é electricidade, mas aceita, dentro de si, aquilo que ele não é." Assim nos despedimos, com toda a calma, paz, brilho e força que sempre tinha, sempre estimulando o viver para ser.»
Mais nada tenho a acrescentar.

domingo, junho 26, 2016

Psicologia - Frase da semana, 26JUn16: ESTAMOS A MATAR OS SONHOS DOS NOSSOS FILHOS

Psicologia - Frase da semana, 26JUn16: ESTAMOS A MATAR OS SONHOS DOS NOSSOS FILHOS

«Estou enojado com a educação escolar de hoje, que é uma
fábrica de incultos sem respeito pela memória. [...] Quando era criança, existia a possibilidade de cometer grandes erros. Quem não tiver a liberdade de errar na juventude, nunca se tornará um ser humano completo.» (George Steiner, Visão, n.º 1218, edição 7 a 13/o7/2916, pp.10-12)

Noutro apontamento falarei sobre o que George Steiner diz nesta entrevista sobre a memória.
Por agora quero centrar-me no eco do seu pensamento sobre a educação e o futuro das gerações mais jovens, as que sucessivamente as gerações mais velhas vão educando.
  1. Olhando a educação oficial que grassa pelo Mundo, estou inteiramente de acordo com Steiner: no nosso País, aponto claramente o dedo a decisores oficiais, tais como: Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada, Nuno Crato, mais outras eminências pardas da Educação e do Ensino oficial, e as suas equipas de "sábios" e "especialistas".
  2. É verdade, esquecemo-nos que, afinal... errar é humano!
  3. Há erros das crianças e dos jovens que, oficialmente, se foram tornando intoleráveis nas escolas e que complexos regulamentos e procedimentos administrativos e burocráticos disfarçam por baixo do manto diáfano da "democracia tolerante" e das perversas "sucessivas oportunidades" dadas aos alunos faltosos e suas famílias
  4. A figura dos gabinetes de disciplina em tantas escolas acumula tantas e tantas histórias absurdas e surreais!...
  5. Entretanto, à custa de tantas horas subtraídas aos direitos da família e do descanso pessoal, muitos professores e directores de turma resistem e insistem em autênticas acrobacias pedagógicas para manter o grande sentido de humanidade na relação pessoal com os seus alunos, naquela dimensão que verdadeiramente alimenta os afectos positivos e promove os valores do respeito pelo outro, do companheirismo e da solidariedade.
«Muitos dizem que as utopias são idiotices. Mas, em qualquer caso, serão idiotices vitais. Um professor que não deixa os seus alunos pensar em utopias e errar é um péssimo professor.» (p. 11)
George Steiner não é um oráculo a quem tudo se pergunte e a tudo responda com saber consolidado.
Terá 12000 livros na sua biblioteca, o que me faz pensar que, ou faltam-lhe, mesmo assim, alguns (bons) livros sobre Psicanálise, ou tem-nos lá mas nunca os leu - é que o que ele diz na entrevista sobre a Psicanálise é de um muito lamentável, irritado e estereotipado preconceito. Enfim, é o seu direito a errar; e, como diz o Povo, aprender até morrer.
[texto publicado em 07Jul2016]

segunda-feira, junho 06, 2016

DIA D - DIA TERRÍVEL, DE MORTE E LIBERTAÇÃO

Psicologia - Frase da semana, 06JUN16: DIA D -DIA TERRÍVEL, DE MORTE E LIBERTAÇÃO


"I'm glad I'm here. I'd hate to miss what is probably the biggest
battle that will ever happen to us» (anonimous allied soldier, Voices from D-Day, 2014, p. 75)
«Estou contente por estar aqui. Não ia gostar nada de ter falhado a batalha que é, provavelmente, a maior que alguma vez nos possa acontecer.»
 «A cow stands looking from a few yards away. She seems curious but not excited. There is no wind, so the chute collaps quietly. Unsnap the harness and get the rifle out of its boot. This is done quickly, then the question "Where am I and where is everyone else?» (John Houston, da 101.ª divisão americana aerotransportada, Voices from D-Day, 2014, p. 81-2)
«Uma vaca olha-me ali a alguns metros de distância. Parece curiosa, mas não parece nervosa. Não há vento, de modo que o para-quedas assenta no chão suavemente. Desaperto o arnês e tiro a espingarda da bolsa. Faço isso tudo rapidamente, e depois ponho-me a pergunta: "Onde estou eu e onde estão os outros todos?»