segunda-feira, abril 11, 2016

O QUE DEFINE UMA ESCOLA?

Psicologia - Frase da semana, 10ABR16: O QUE DEFINE UMA ESCOLA?


"A Educação é uma forma de viver hoje, não é a preparação para
se viver amanhã."

"Education is a process of living and not a preparation for future living.John Dewey

O seguinte texto é de David Gamberg, e é especialmente recomendado por Sir Ken Robinson.
Pessoalmente, gosto muito do texto.
Words matter. They matter in all aspects of life, especially when we are talking about how to define a school. Of course, brick and mortar are only a small part of the story. The academic and emotional climate, both inside and outside the physical space, gets us closer to an understanding of what forms the basis of any school. Throughout our country, we have many opinions, positions, and reform efforts competing to control the narrative not only of what defines a school, but also, more significantly, of what it means to be educated in 2016 and beyond.
My daily travels in the schoolhouse as a superintendent give me an inside look at what constitutes a school. I am fortunate that my professional work over the last 30 years has put me inside dozens of schools and in contact with hundreds of educators, scholars, and support staff. I have also had the good fortune to be in the company of thousands of children and their families. No, I do not consider myself an expert on all things that define a school. I do, however, have a vested interest in seeing that the schools of today and those that are created in the future are shaped with the care and respect they so richly deserve.
The call to have children as young as 8 or 9 years old "college- and career-ready" does not create the same narrative as building a sound foundation in childhood filled with play and creativity. Among the many other more important ways to engage the hearts and minds of our youngest students, we must promote the childhood experience in all its wonder.
Schools have always existed as an expression of how a given community values its children, and how a society looks at the future—a covenant handed down from one generation to the next. The problems that beset our social, political, and economic well-being as a nation are, in fact, not born at the doorsteps of our schools. They are certainly not derived exclusively from the province of our public schools. The crumbling roads, bridges, and tunnels of the infrastructure that is the lifeblood of a thriving economy demand our attention, as does the scourge of substance abuse wreaking havoc on families of every demographic group.
Local neighborhood and even family issues that confront all generations, from toddlers to senior citizens, are ever-present in our daily lives. If schools do play a part in shaping our future—and I believe they do—how we articulate the issues matters as much as how we marshal the will and resources to meet these challenges.
The calls to shutter schools, to replace and dismantle them, are being offered by those with a variety of other interests. These are not the solutions we should accept. They create a hostile dialogue that reflects the worst in our democratic discourse. In the last 10 years, we have witnessed a rapid decline in civility, an unfettered belligerent approach to the questions central to the teaching and learning process.
Words matter in how we discuss our schools and the issues that confront all communities. How this conversation occurs has changed in recent decades across the entire country, from small rural towns to large suburban and urban communities. Technology affords us wonderful ways to gather data points that could promote change, but it may still fail to foster a deliberative and thoughtful dialogue regarding the seeds of our problems. The most basic elements of our humanity must not get lost in the pursuit of a faster, data-driven decisionmaking process. Such is a key element of our current fascination with a punitive, high-stakes testing environment designed to sort and select students and teachers.
So, what truly defines a school? For me, the exchange between child and adult is at the heart of it. That exchange may be subtle or vigorous—not rigorous. Rigor, which shares roots with the Latin rigor mortis, implies severity, rigidity, and stiffness—all connotations that restrict the learner and the learning process—while vigor implies energy and dynamism.
Yes, words matter. The best learning occurs when both teacher and student are in pursuit of a deeper understanding. It is a quest that is based on love, one that is filled with authentic, joyful, challenging, and impactful experiences. A school is a place of respect and wonder.
The search to create, discover, reveal, and share is an unending journey that occurs in the best of our schools: the child immersed in beautiful poetry, the student acquiring the skill of using a watercolor-paint brush, the rendering of a museum-quality display of artifacts. Scientific experiments, research papers, debates, and discussions centered on classic literature are the means through which students explore and discover ideas. Unpacking the essential elements of contemporary issues and having students learn to take responsibility for their actions coalesce to teach valuable lessons that extend beyond the school walls. Students who present their learning before a panel of adjudicators and get so immersed that they lose track of time are then at their optimal disposition to learn. No reward or punishment necessary.
All members of a community, from custodians to teachers and principals to kindergartners, are the learners of a true school. A climate of fear and hostility, or a tone of acrimony and mistrust, will yield neither a school that serves the needs of children nor the globally competitive country that some imagine will arrive when we replace the old with the new. Schools of the future—no matter their size, technological sophistication, or cost-effectiveness—should always begin with the best qualities of our humanity.
We must choose our words carefully in this fight. We must strive to retain the core values that define a school as a place that upholds the tenets of our democracy and cares about people, rather than a place that efficiently manages the system or pits stakeholders against one another.
"Education," in the words of John Dewey, "is a process of living and not a preparation for future living."

domingo, março 27, 2016

O MAL E O REMÉDIO ESTÃO EM NÓS.

Psicologia - Frase da semana, 27MAR16: O MAL E O REMÉDIO ESTÃO EM NÓS.


"Perdeu-se o senso da solidariedade, o senso cívico, que não deve ser confundido com a caridade. É um tempo obscuro, mas chegará, com certeza, outra geração mais autêntica."
“José Saramago: ‘El mundo se está quedando ciego’”, La Verdad, Murcia, 15 de março de 1994 [Entrevista a Gontzal Díez]. 

Saramago é um, eu diria, um compulsivo pessimista
«Eu sou muito pessimista. Melhor dizendo, o que eu sou é pessimista. Sou dos que dizem “este copo está meio vazio” e não “este copo está cheio pela metade”. A gente tem que viver e encontrar no fundo desse pessimismo uma força que nos mantenha vivos e de pé.» “Yo no entiendo…”, El Mercurio, Santiago do Chile, 20 de novembro de 1994. 
Talvez a escrita seja, como a Psicanálise gosta de dizer, uma forma de Saramago sublimar o opressivo pessimismo.
A celebração da Páscoa, ritualmente, ano após ano, será, no fundo, o renovado compromisso, nem é apenas contra o pessimismo, mas sobretudo contra a derrota da solidariedade, o senso cívico e a caridade. As palavras do Papa Francisco na Via-Sacra da sexta-feira passada vai nesse sentido.
Quanto ao nosso escritor, foi assim que ele falou ao jornalista:
O mal e o remédio estão em nós. A própria espécie humana, que agora nos indigna, se indignou antes e se indignará amanhã. Agora vivemos um tempo em que o egoísmo pessoal tapa todos os horizontes. Perdeu-se o senso da solidariedade, o senso cívico, que não deve ser confundido com a caridade. É um tempo obscuro, mas chegará, com certeza, outra geração mais autêntica. Talvez o homem não tenha remédio, não progredimos muito em bondade em milhares de anos na Terra. Talvez estejamos percorrendo um longo e interminável caminho que nos leva ao ser humano. Talvez, não sei onde nem quando, chegaremos a ser aquilo que temos de ser. Quando a metade do mundo morre de fome e a outra metade não faz nada… algo não funciona. Quem sabe um dia! “José Saramago: ‘El mundo se está quedando ciego’”, La Verdad, Murcia, 15 de março de 1994 [Entrevista a Gontzal Díez].

domingo, março 13, 2016

Psicologia - Frase da semana, 13MAR16: SER E NÃO SER, EIS A QUESTÃO.

Psicologia - Frase da semana, 13MAR16: SER E NÃO SER, EIS A QUESTÃO.


«Espera e confia / Põe tudo em cada nada. / Sê tu mesmo todo o
Amadeu Ferreira (o que olha de frente),
com António Tiza, em Bragança (1970)
dia. / E terás encurtado a caminhada / Que tão longe parecia.
» 
(Amadeu Ferreira, 21 de Junho de 1972)

1972. Amadeu Ferreira aproxima-se do final da formação seminarista, iniciada em Vinhais e continuada em Bragança, um caminho de onze anos iniciado com a sensação de uma ruptura brutal com a infância.
«Ainda não tinha ido para o seminário e já tinha saudades de ficar em Sendim, de andar por ali com os miúdos da minha idade, na brincadeira, de andar pelos campos, de ir com os meus pais, porque eu tinha uma ligação muito forte à terra, ao campo. Conhecia aquele mundo, aquele era o meu mundo. Tinha uma ligação muito forte com os meus irmãos, quer com o meu irmão mais velho, o Abel, que na altura já tinha 14 anos e trabalhava no campo, como um homem, quer com o meu irmão Manuel, três anos e mei mais novo. Os três andávamos sempre juntos. O Carlos tinha acabado de nascer nesse ano, em Fevereiro." (in O Fio das Lembranças, Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques, Âncora Editora, 2015, p. 124)
Mas - o miúdo Amadeu sabe-o claramente - o seminário era a grande (única!) oportunidade de formação escolar naquele mundo tão isolado e tão pobre.
Em 1972, com 22 anos, a mente de Amadeu Ferreira processa em pensamentos de grande turbulência tudo o que vive, observa e sente. Como cantou o poeta, ele via, ouvia e lia, não podia ignorar. A rebeldia contra o conservadorismo do pensamento seminarista põe-no cada vez mais perto da expulsão do seminário - ele, o melhor aluno do seminário de Bragança. Lê obsessivamente; e escreve, escreve, escreve. Lê, interpreta e reeinterpreta.
Assim fez com a ode de Ricardo Reis
Para ser grande, sê inteiro: nada
        Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
        No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive.
Assim fez, também notavelmente, com Shakespeare.
«De facto nunca, desde então, aceitei o dito de Shakespeare "Ser ou não ser eis a questão", substituindo-o por "Ser e não ser eis a questão". Na mesma linha, desde cedo rejeitei o chamado princípio da não contradição, aceitando que ser e não ser, ao mesmo tempo, pode ser.» (in O Fio das Lembranças, Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques, Âncora Editora, 2015, p. 254)
Com notável argúcia, rompe com a tradicional dicotomia filosófica reinante, mergulha, entre outros, nos escritos dos autores fenomenologistas, e reescreve Shakespeare como certamente Jacques Lacan bem gostaria de ter feito: qual ovo de Colombo, transforma o disjuntivo dilema [ou] do ser  na copulativa [e] integralidade humana - a única que verdadeiramente faz sentido - somo o que somos e o seu contrário. É nessa estrutural inerência humana que nos fazemos na dimensão individual, social, política, criativa; submissa ou rebelde; conservadora ou desafiando rupturas; solidariamente ou egoisticamente. Não há outro caminho - apenas o da opção pessoal, não o do destino ou do fatalismo.

sábado, março 05, 2016

Psicologia - Frase da semana, 06MAR16: PUXAR PELA IMAGINAÇÃO... É MESMO!

Psicologia - Frase da semana, 06MAR16: PUXAR PELA IMAGINAÇÃO... É MESMO!


«Nenhuma palavra é poética, o que faz que a palavra se transforme em palavra poética é a outra palavra, a que estava antes, a que vem depois.» (José Saramago, in "A esquerda não faz a mínima ideia do mundo", Veintitrés, Buenos Aires, 7 de Fevereiro de 2002, entrevista de Eduardo Mazo)


Tantas vezes que desafio, desafio, e desafio; insisto, insisto, e insisto com os meus alunos para que ousem escrever!... Se deixem escrever!... Que deixem que a palavra seguinte apareça depois da anterior. Uma vez... duas vezes... três vezes... Os alunos - a generalidade das pessoas! - pensam que não são capazes; que não vale a pena. Têm na cabeça que ou se é escritor ou não é. E que é preciso sempre escrever textos grandes; como se fossem grandes caminhadas - e mesmo que a gente diga que também essas começam por um pequeno passo, e depois outro, e depois outro. Às vezes o passeio de uma ponta à outra da minha rua tem tantos motivos para olhar, pensar e escrever!... E são mesmo só duas ou três palavras! O que é preciso é mesmo começar a escrevê-las!
«[A imaginação] pode surpreender-nos, claro que sim. Todos nós que escrevemos sabemos que isso acontece e é o melhor que nos pode acontecer. É quando nos surpreendemos a nós mesmos, quando uma coisa que parecia não estarmos a pensar nela quatro palavras antes e que, quatro palavras depois, aparece. Creio que há um processo que leva alguns a dizer com exagero que o livro se escreve a si mesmo. É claro que não, precisa das mãos, da cabeça, mas há qualquer coisa… que no fundo as palavras se procuram umas às outras. Nenhuma palavra é poética, o que faz que a palavra se transforme em palavra poética é a outra palavra, a que estava antes, a que vem depois.»

sábado, fevereiro 27, 2016

QUANTO VALE UM ABRAÇO?

Psicologia - Frase da semana, 28FEV16: QUANTO VALE UM ABRAÇO?

«Quando se está sozinho, um abraço tem mais significado do que alguém possa imaginar, porque essa manifestação repõe a dignidade humana de que tanto se carece.» (Eva Mozes Kor, sobrevivente de Auschwitz. In "Auschwitz, os nazis e a solução final", Laurence Rees, Círculo de Leitores, 2005, p. 355)


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«A primeira vez que Eva se apercebeu de que o seu sofrimento estaria prestes a chegar ao fim foi quando uma das mulheres do barracão começou a gritar: "Estamos livres! Estamos livres!" Eva correu para a porta, mas não foi capaz de ver nada por entre a neve. Só decorridos alguns minutos é que conseguiu descortinar os soldados do Exército Vermelho que vestiam blusões brancos de camuflagem:

"Corremos para eles, que nos abraçaram, oferecendo-nos chocolates e bolachas. Quando se está sozinho, um abraço tem mais significado do que alguém possa imaginar, porque essa manifestação repõe a dignidade humana de que tanto se carece. Não só estávamos esfaimados, como ansiávamos por generosidade humana, e as tropas do Exército Vermelho proporcionaram-nos parte disso. Na verdade, uma das coisas que mais falta me fez depois da guerra, quando regressámos a nossas casas, o que eu desejava
desesperadamente eram os abraços e os beijos que me foram dados. Portanto, quando faço uma prelecção para estudantes universitários, costumo dizer-lhes: "Quando regressarem a casa esta tarde, por favor, dêem um abraço e um beijo mais do que é costume aos vossos pais por todos nós, as crianças que sobreviveram aos campos de concentração e que não tinham que pudessem abraçar e beijar."»

domingo, fevereiro 21, 2016

FRASES PARA OS PROFESSORES E OS PAIS PENSAREM - I

Psicologia - Frase da semana, 21FEV16: FRASES PARA OS PROFESSORES E OS PAIS PENSAREM - I

E não tirem os governantes dos países o cavalinho da chuva! Eles deverão estar na primeira linha dos que pensam seriamente sobre estas coisas!...


«Quando uma flor não desabrocha, nós mexemos no espaço à sua volta, não na flor.» (Alexander den Heijer)

"When a flower doesn't bloom, you fix the environment in which it grows, not the flower."

domingo, fevereiro 14, 2016

EM DIA DE NAMORADOS, VOLTAR A SABER DIZER NÃO

Psicologia - Frase da semana, 14FEV16: EM DIA DE NAMORADOS, VOLTAR A SABER DIZER NÃO


«O pior que nos pode acontecer é resignarmo-nos a não saber. É preciso aprender a voltar a dizer não, e a interrogarmo-nos porquê, para quê e para quem. Se encontrássemos respostas para estas perguntas, se calhar entenderíamos o mundo.» («José Saramago, consciência de Lanzarote»,  Lancelot. Lanzarote, n.º 896, 22 de Setembro de 2000)

Não sei se Saramago conhecia os trabalhos de René Spitz, um dos autores mais consagrados no campo da Psicanálise e do estudo do Desenvolvimento Infantil.
Para Spitz, o bom/ normal/ desejado desenvolvimento infantil tem três marcas notáveis logo nos primeiros tempos de vida - até aos dois anos. São marcos do desenvolvimento que estão inscritos na matriz genética da condição psíquica e da condição social do seu humano.
A resposta/ reacção do não, precisamente por volta dos dois anos, é o terceiro desses marcos fundamentais. O bebé claramente passa a dizer não, até às pessoas de quem gosta muito, que aprendeu a amar acima de tudo. É um sinal de autonomia do pensamento e da vontade; e da confiança no Outro - sim, da confiança no Outro.
Lamentavelmente, todo o processo educativo subsequente - com especial rigor na culturas que atribuem uma sacrossanta importância à escola, tal como a conhecemos na nossa sociedade - é um processo de domesticação da criança, de anulação do advento de essa tão saudável marca do desenvolvimento humano.
Por que digo eu "Não sei se Saramago conhecia os trabalhos de René Spitz"? É porque Saramago diz «aprender a voltar a dizer não». Ele sabe, por estudo, reflexão ou intuição, que todos nós já soubemos, um dia, dizer não.
No livro "José Saramago e as suas palavras", edição e selecção de Fernando Gómez Aguilera, entre as páginas 399 e 401, coleccionam-se 12 afirmações de Saramago sobre o não. Vale bem a pena lê-las todas. Por agora, só mais uma:
«A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há que nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.» 
Ah, pois, o Dia dos Namorados. Pois é, comecei por aí.
É que são cada vez mais preocupantes - não obstante os avisos, a informação disponível e as campanhas de prevenção - os sinais de comportamentos violentos e doentios nas relações de namoro. E por que fracassam a informação, os avisos e a prevenção? Porque no nihilismo das sociedades materialistas e consumistas que comodamente alimentamos ganha força e espaço o que Hannah Arendt consagrou na expressão "banalização do mal". Pior! Certos tipos de mal estão a "ganhar estilo" entre os jovens, que exibem tais "estilos" por todo o lado - e não apenas nas redes sociais da Internet. E porquê? Porque a Educação está a falhar seriamente.
Um estudo actual, quentinho, quentinho, sobre o tema pode ser encontrado a partir daqui.