domingo, Junho 08, 2014

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Amanhã concluirei o relacionamento formal com os meus alunos do 12.º ano deste ano escolar. É dia de dar notas. De Setembro até à sexta-feira passada, falámos muito, pensámos muito; e, sobretudo, criámos entre nós e com outros fora de nós, em Portugal e no Mundo inteiro - sim, no Mundo inteiro! -, muitas coisas de valor, de muita Cultura e Humanidade.
Este pequeno excerto da entrevista de Agualusa e Mia Couto, da edição do Público de hoje, tem muito a ver com as descobertas que fizemos e com o olhar sobre as Pessoas e o Mundo que inventámos entre nós e partilhámos com os outros.
Simbolicamente, esta entrevista chegou no momento certo! É que no decorrer da semana o próprio Mia Couto nos disse que podemos contar com ele para as aulas de Psicologia no próximo ano!
Na entrevista, a jornalista pergunta a Agualusa: "Os adultos não vêem?"
Agualusa responde: Nalguns casos, vêem à medida que envelhecem. As crianças vêem o evidente. Costumo contar uma história da minha filha, quando era bem pequenina. Uma senhora fez-lhe uma pergunta muito idiota. "De que raça és tu?" Ela não entendeu. Não tinha sequer o conceito de raça. A senhora tentou corrigir a pergunta, errando ainda mais. "De que cor és tu?" A minha filha olhou muito espantada. 

"Mas não vês que sou uma menina? As meninas são pessoas. As pessoas têm cores diferentes. A minha língua é vermelha, os meus dentes são brancos, o meu cabelo é castanho."
Temos todas as cores. É preciso uma criança de quatro anos para dizer o óbvio.

domingo, Junho 01, 2014

Psicologia - Frase da semana, 02jun14: Ecos do Dia Mundial da Criança

Psicologia - Frase da semana, 02JUN14: Ecos do Dia Mundial da Criança

"A protecção e a segurança não acontecem por acaso, são o
http://photos.stevemccurry.com.s3.amazonaws.com
/sites/default/files/gallery/TIBET-10363.jpg
resultado de um consenso colectivo e de investimento público. Devemos aos nossos filhos, os cidadãos mais vulneráveis ​​na nossa sociedade, uma vida livre de violência e medo."
"Não há expressão mais pura da alma de uma sociedade do que a maneira como essa sociedade trata as suas crianças." Nelson Mandela, citado por Steve McCurry na sua extraordinária galeria de fotografias CHILDREN.



"Safety and security don't just happen, they are the result of collective consensus and public investment. We owe our children, the most vulnerable citizens in our society, a life free of violence and fear." "There can be no keener revelation of a society's soul than the way in which it treats its children." - Nelson Mandela

domingo, Maio 25, 2014

Psicologia - Frase da semana, 26mai14: A Personalidade e o que a determina

Psicologia - Frase da semana, 26mai14: A Personalidade e o que a determina
Henry Murray foi autor de um dos grandes clássicos na esfera dos testes de  projectivos da personalidade, o T.A.T.
Clyde Kluckhohn era um antropólogo, que nem sempre pensou a mesma coisa sobre a igualdade e as diferenças rácicas, étnicas e biológicas entre os diferentes grupos humanos.


"Cada homem é, nalguns aspectos,
a) igual a todos os homens
b) igual a alguns outros homens
c) como mais nenhum outro homem é."



EVERY MAN is in certain respects
a. like all other men,
b. like some other men,
c. like no other man.
Henry A. Murray and Clyde Kluckhohn, from Personality in Nature, Society, and Culture, (1953).

Nota: Recuperei esta afirmação de um texto de apoio ao estudo da Personalidade, que fez parte da minha formação de base em Psicologia, no final dos anos 70. Nesta altura, corrijo a data do texto que nos foi distribuído, escrito à máquina, para fotocopiarmos: a afirmação não é de 1958, mas de 1953.

segunda-feira, Maio 19, 2014

Psicologia - Frase da semana, 19mai14: Conhecimento, Inteligência e Bom-senso

Psicologia - Frase da semana, 19mai14: Conhecimento, inteligência e bom-senso

Bertrand Russell, filósofo inglês, deixou-nos algumas interrogações muito pragmáticas, que, na verdade, têm o condão de trazer a reflexão filosófica e epistemológica para as conversas ou pensamentos do dia-a-dia. 18 de Maio era o dia do seu aniversário.
http://gralefrit.wordpress.com/2013/11/04/
bertrand-russell-and-the-image-of-god/

"De que nos serve o bem que é a conquista do lazer e do bem-estar se depois não nos lembramos de os usar?"



"What will be the good of the conquest of leisure and health, if no one remembers how to use them?"

domingo, Maio 11, 2014

Psicologia - Frase da semana, 12mai14: Ser solidário, olhando o futuro

Psicologia - Frase da semana, 12mai14: Ser solidário, olhando o futuro

Nicholas Winton faz anos no próximo dia 19. Merece, nesse dia, um minuto do nosso pensamento, a ele bem dedicado.
Nicholas Winton, que nasceu em 1909, afirma há poucas semanas, aos 104 anos:
"Não estou interessado no passado... Eu penso que hoje em dia há demasiada ênfase no passado e no que aconteceu, e ninguém está concentrado no presente e no futuro."
Os 104 anos de vida deste homem, o seu comportamento aos 29 anos de idade, a humildade e a discrição dos seus seguintes 50 anos de vida; e as consequências evidentes, a favor da vida, do seu comportamento, tudo isto junto garante os créditos que justificam toda a atenção que possamos dar ao que ele diz agora que a morte está seguramente muito próxima.


"I'm not interested in the past. I think there's too much emphasis nowadays on the past and what has happened. And nobody is concentrated on the present and the future.

Consolidação da notícia aqui.

segunda-feira, Maio 05, 2014

Psicologia - Frase da semana, 05mai14: O desafio de pensar o que já foi pensado

Psicologia - Frase da semana, 05mai14: O desafio de pensar o que já foi pensado

Goethe deve ter lido o que qualquer um de nós pode ler também, por exemplo, que já no
http://pissenlitsgenereux.blogspot.pt/2010/
09/texte-lengagement-selon-goethe.htm
l
tempo dos filósofos da Grécia Antiga se dizia que tudo o que se pensa no presente foi seguramente pensado antes no passado. O que ele fez foi ir um pouco mais além, lançando-nos o repto do que nos cabe fazer no presente; no fundo, no renovado presente de cada geração:

"Tudo já foi pensado antes de nós, o problema é pensar nas coisas outra vez"Goethe, citado por Bronfenbrenner, na obra-mestra "The Ecology of Human Development", publicada em 1979.

Escreve assim Urie Bronfenbrenner, logo a abrir o livro: "Goethe, who commented wisely on so many aspects of human
experience, said of our attempts to understand the world
Everything has been thought of before,
The difficulty is to think of it again."


domingo, Abril 27, 2014

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio


http://blog.uchceu.es/periodismo/tag/ortega-y-gasset/
"Só todos os homens logram expressar o humano", gosta de repetir [Ortega Y Gasset] citando Goethe. As palavras são do padre Manuel Antunes, SJ, (FCG, tomo I, vol. III, p. 438)

Um especial abraço ao António Almeida e ao Nuno Raimundo - um foi meu aluno há alguns anos; o outro está quase a deixar de sê-lo. O António, tomei como se ele me interpelasse no que escreveu no Facebook (1) sobre o 25 de abril; o Nuno interpelou-me com uma série - nada menos do que 7!, ou melhor, 7 mais 1 - de vídeos sobre realizações notáveis de seres humanos.

E limito-me a transcrever mais algumas palavras do padre Manuel Antunes do texto que ele escreveu sobre Ortega Y Gasset:
"Ora sendo cada indivíduo «un punto de vista esencial» (o sublinhado é do autor), a verdade omnímoda e absoluta só se conseguiria pela soma ou justaposição de todos os pontos de vista. (...) Cada época vive um clima próprio, em parte criação sua e, em parte, herança da anterior; cada época possui uma peculiar «sensibilidade vital», um horizonte biológico dentro do qual se dilata ou encolhe. Cada mudança de sensibilidade ou de clima leva consigo o desaparecimento de uma geração e o aparecimento de outra. Uma geração é pois «un modo integral de existencia o, si se quire, una moda, que se fija indeleble sobre el individuo» (V, 39) E a imagem acorre, pronta, a esclarecer a ideia. Uma geração é uma «caravana» dentro da qual o homem avança prisioneiro mas, ao mesmo tempo, «secretamente voluntário e satisfeito». (...) Estabelecido o conceito de geração - «o mais importante da história», «o gonzo» sobre o qual ela gira - como «compromisso dinâmico entre massa e indivíduo» (III, 147), passa Ortega a determinar-lhe o espaço de duração. Trinta anos. Na idade de cada homem, dos 30 aos sessenta. Trinta anos partidos ao meio: até aos quarenta e cinco, «etapa de gestação ou criação e polémica»; daqui à outra meta, «etapa de predomínio e mando». Como na história normal não existem hiatos, isto significa que «siempre hay dos generaciones actuando al mismo tiempo, con plenitude de actuación, sobre los mismos temas y en torno a las mismas cosas - pero con distinto índice de edad y, por ello, con distinto sentido» (V. 49). Enquanto uma vive instalada no mundo que ela criou, a outra está apostada à construção do mundo onde se instalará. Gerações imediatas e, por isso, declarada ou larvadamente, antagonistas.

Estás vendo, meu querido António, estamos - se Ortega Y Gasset estiver certo - condenados ao antagonismo. Olha, sendo assim, não deixe a gente perder as oportunidades de se encontrar, abraçar, discutir e tomar um copo!
Nuno, meu querido aluno, faz precisamente este ano 100 anos que Ortega Y Gasset fez publicar a sua célebre afirmação, que tanto tenho repetido nas aulas: «Yo soy yo y mi circunstancia». Tudo o que me mandaste na volumosa encomenda é expressão disto mesmo: da maneira bem criativa como o génio humano tira partido da circunstância específica do tempo, do local e da história.

________________________
(1) "O 25 de Abril hoje deveria significar a nossa vontade em libertarmo-nos da dependência externa para pagarmos o que devemos, devia conduzir-nos no caminho das soluções para quebrarmos esse desgraçado estado económico que é também um estado de alma. O 25 de Abril hoje deveria significar que estamos prontos para ir em busca do que realmente nos faz felizes, esquecendo os ditames de uma sociedade cinzenta que teima em olhar para trás. O 25 de Abril hoje deveria ser um grito de esperança e não um suspiro de saudade." (https://www.facebook.com/antonio.almeida.7902?fref=ts)