domingo, abril 19, 2015

Psicologia - Frase da semana, 019ABR15: O QUE É REAL E O QUE NÃO É.

Psicologia - Frase da semana, 019ABR15: O QUE É REAL E O QUE NÃO É.

"Todo lo que puedes imaginar es real" é uma afirmação cuja autoria o Tempo atribuiu a Pablo Picasso.
Mais do que contestar ou asseverar tal autoria, o que pode ser interessante, no olhar da Psicologia, é o que vale uma afirmação assim dita por um artista pintor.
Comecei por escrever a frase na que terá sido a língua materna de Picasso; mesmo que a França tenha sido o país que escolheu para viver em permanência; e é em França que se encontra enterrado.
Como psicólogo, preferiria dizer que "Tudo o que se pode imaginar existe."
Mas esta é apenas a minha opinião. Na verdade, a frase que o artista terá proferido é mesmo esta:

Os saltimbancos, pintado em 1905. Parece que teve uma gestação demorada,
curiosamente, 9 meses. Que realidades inspiraram o pintor, ou que realidades
quis ele retratar ou simbolizar, não sei... Sei que faz parte da minha realidade
de há muitos anos, há muitos anos que me inspira e ajuda a pensar.
"Tudo o que se pode imaginar é real."

No reino da mente, tantas vezes chega a ser terrível o que cada indivíduo mostra a si mesmo como real e como imaginário. A nossa capacidade de fantasiar, de imaginar é infinita - e leva-nos aos céus e aos infernos do bem-estar pessoal.
Também Picasso terá experimentado este balanceamento, que tanto terá marcado as vicissitudes dos seus afectos; da criação dos seus quadros e do desenvolvimento das suas obras.
Sim, seja, tudo o que se pode imaginar é real - pelo menos na força e no determinismo com que marca a realidade do pensamento, da acção e do relacionamento interpessoal da pessoa que imagina.

"Everything you can imagine is real."

domingo, abril 12, 2015

Psicologia - Frase da semana, 012ABR15: SABEDORIA, PODER, IGNORÂNCIA... E GUERRA

Psicologia - Frase da semana, 012ABR15: SABEDORIA, PODER, IGNORÂNCIA... E GUERRA


Sabedoria - inteligência - conselho - auto-regulação - auto-controlo - humildade - ignorância - as boas e as más decisões. É sobre tudo isto que, com poucas palavras, o padre António Vieira discorre de forma notável:
"Os sábios em qualquer faculdade mais sabem ouvindo, que discorrendo, e mais acompanhados, que sós."
Terá sido a 30 de maio de 1639 que o padre António Vieira proferiu estas palavras na Festa dos Soldados, "estando na Baía a Armada Real, com muita da primeira nobreza de ambas as Coroas."  Portugal ainda estava sob o domínio de Castela.
"O maior perigo, e perdição da guerra é cuidarem os Doutores desta arte, que sabem tudo. Os sábios em qualquer faculdade mais sabem ouvindo, que discorrendo, e mais acompanhados, que sós. Meliores aestimantur qui soli non omnia praesumunt: diz o grande político Cassiodoro: "que sempre foram estimados por melhores os que de si só não presumem tudo". Já se a presunção do saber se ajunta à soberania do poder, como em Nicodemos, que era Mestre, e Príncipe ; nestes dois resvaladeiros está certo o precipício, e a ruína. Para conseguir efeitos grandes, e para levar ao cabo empresas dificultosas, mais segura é uma ignorância bem aconselhada, que uma ciência presumida. A primeira vitória para alcançar outras muitas é sujeitar o juízo próprio, quem não é sujeito ao mando alheio. Perguntado Alexandre Magno com que indústria, ou com que meios em tão breve tempo se fizera senhor do mundo, diz Estrobeu que respondera estas palavras: Consiliis, eloquentia, et arte imperatoria: "Com os conselhos, com a eloquência, e com a arte de governar exércitos". No último lugar pôs a arte, e no primeiro o conselho ; porque o conselho é a arte das artes, e a alma, e inteligência do que ela ensina. A arte prescreve preceitos em comum, o conselho considera as circunstâncias particulares; a arte ensina o que se há-de fazer, o conselho delibera quando, como, e por quem." (p. António Vieira. Obra Completa, Tomo II, Vol. XIII, p. 62. Círculo de Leitores)

quarta-feira, abril 08, 2015

Psicologia - Frase da semana, 05ABR15: EU... ME... MEU...

Psicologia - Frase da semana, 05ABR15: EU... ME... MEU...


Jon Kabat-Zinn, na obra que publicou com o título original "Coming to our senses. Healing ourselves and the World through Mindfulness" destaca, a páginas tantas, o que diz ser a mensagem fundamental de Buda; ele diz mesmo que foi o próprio Buda que a considerou assim:
Buda caminhando
"Não devemos agarrar-nos a nada como sendo eu, me ou meu."
E depois explica: Por outras palavras, nada de apegos - sobretudo a ideias fixas sobre si-mesmo e sobre o que se é."

“That sentence is: “Nothing is to be clung to as I, me, or mine.” In other words, no attachments—especially to fixed ideas of yourself and who you are.”

Cette phrase est la suivante: "On ne doit s'accrocher à rien comme étant je, moi ou mien" En d'autres termes, pas d'attachement - en particulier `des idées arrêtés sur soi-même et sur celui ou celle que l'on est.

Vale a pena acrescentar aqui o que o autor entusiástico expoente da ideia da Plena Consciência escreve a seguir:

"À primeira vista, é uma mensagem difícil de engolir, porque põe em questão tudo o que nós pensamos que somos, o que, no essencial, parece vir a partir daquilo com que nos identificamos: os nossos corpos, os nossos pensamentos, os nossos sentimentos, as nossas relações, nossos valores, o nosso trabalho, as nossas expectativas - o que é "suposto" acontecer e como as coisas "supostamente" se desenrolam connosco para que possamos ser felizes -, e as nossas histórias - de onde viemos, para onde vamos e quem somos.
Mas não vamos reagir demasiadamente depressa, mesmo que num primeiro momento o conselho do Buda possa parecer um pouco assustador, ou mesmo estúpido ou irrelevante. O que conta aqui é a palavra "agarrar-nos". É importante compreender o que se entende por "agarrar-se" (ou apegar-se) de modo a não interpretar mal essa injunção como uma negação de tudo que nos é precioso, quando, na verdade, ela é um convite a entrar mais plenamente em contacto directo e a estabelecer uma relação directa, viva, com todas as pessoas que nos são especialmente queridas e tudo o que é essencial ao pleno sentimento de bem-estar pessoal - corpo, mente, alma e espírito.
Isso inclui o que é difícil de lidar ou assumir - o stresse e a angústia da condição humana, assim que surgem nas nossas vidas, como acaba sempre por acontecer, seja de uma maneira ou de outra." 
(pp. 53-54)

domingo, março 29, 2015

Psicologia - Frase da semana, 29MAR15: O NOTÁVEL PODER DA TRANSMISSÃO ORAL!

Psicologia - Frase da semana, 29MAR15: O NOTÁVEL PODER DA TRANSMISSÃO ORAL!


http://www.smh.com.au/technology/sci-tech/aboriginal-stories-of-sea
-level-rise-preserved-for-thousands-of-years-20150213-13d3rz.html
"Sem fazerem uso de línguas escritas, tribos aborígenes foram capazes de passar, ao longo de centenas de gerações, com grande rigor na transmissão oral, memórias de vida dos períodos pré-, trans- e pós-inundações glaciares costeiras. Algumas tribos conseguem ainda apontar para ilhas que não existem mais, e dizer os seus nomes originais ."

http://www.smh.com.au/technology/sci-tech/aboriginal-stories-of-sea-level
-rise-preserved-for-thousands-of-years-20150213-13d3rz.html
Num tempo em que se vive o predomínio da mensagem escrita rápida, tipo usa-e-deita-fora; a fotografia fácil do telemóvel pouco exigente; a consulta imediata na Internet, sem memória, apenas com Presente absoluto; e, finalmente, a busca solitária da informação em vez da conversa partilhada, esta constatação mostra-nos o extraordinário potencial da atenção e da capacidade de memorização humana; e do valor da comunicação oral - a exactidão descritiva, o rigor factual, ao respeito fiel à tradição recebida da geração precedente; a consciência da importância da preservação do conhecimento ancestral.


"Without using written languages, Aboriginal tribes passed memories of life before, and during, post-glacial shoreline inundations through hundreds of generations as high-fidelity oral history. Some tribes can still point to islands that no longer exist—and provide their original names." http://www.scientificamerican.com/article/ancient-sea-rise-tale-told-accurately-for-10-000-years/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

segunda-feira, março 23, 2015

Frase da semana, 22MAR15: MEIO POR MEIO, O LIMITE DOS SIMBOLISMOS

Psicologia - Frase da semana, 22MAR15: MEIO POR MEIO, O LIMITE DOS SIMBOLISMOS


"Um copo meio vazio de vinho é também um copo meio cheio, mas uma meia mentira de maneira nenhuma é uma meia verdade."

A half-empty glass of wine is also one half full, but a half lie, by no means is a half truth. Jean Cocteau

Na acepção popular, a afirmação de Cocteau é uma metáfora.
Os livros sérios dos especialistas das letras, das frases e das línguas enquadram o estudo das metáforas nas funções da linguagem. Dizem eles:
"A retórica tradicional distingue três funções da linguagem - docere, placere, movere. A primeira destas funções, docere, equivale à transmissão de informação lógica. Apesar de a imaginação constituir o ponto fulcral da metáfora, esta ao destacar uma característica dominante, permite pôr em relevo o elemento mais relevante para uma melhor interpretação da mensagem. Placere, a segunda função da linguagem, designa a função estética, que assume um papel ambivalente - ao mesmo tempo que enriquece o vocabulário e embeleza o discurso, procura captar o interesse do seu interlocutor. Por fim, movere, cujo sentido é definido como a persuasão, é também visível na figura metafórica. Uma mensagem persuasiva só alcançará o seu objectivo final através de um apelo à sensibilidade e à afectividade." (ver aqui)
Pois, que o poder fascinante das palavras bem compostas umas a seguir às outras não nos deixe presos nos meios dos caminhos. 

domingo, março 15, 2015

Psicologia - Frase da semana, 15MAR15: O TEMPO, ESSE GRANDE ESCULTOR

Psicologia - Frase da semana, 15MAR15: O TEMPO, ESSE GRANDE ESCULTOR


"A persistência da memória", de Salvador Dali, 1931
O pensamento é escravo da vida, e a vida é o bobo do tempo.

“But thoughts the slave of life, and life, Time’s fool, [And Time, that takes survey of all the world, Must have a stop.”] William Shakespeare, King Henry IV, Part 1

Tanto quanto se sabe, o autor do texto que se segue é desconhecido; mas é um texto citado com muita frequência.

Para perceber o valor de UM ANO, pergunte a um estudante que repetiu de ano. Para perceber o valor de UM MÊS, pergunte para uma mãe que teve o seu bebé prematuramente. Para perceber o valor de UMA SEMANA, pergunte a um editor de um jornal semanal. Para perceber o valor de UMA HORA, pergunte aos enamorados que estão esperando para se encontrar. Para perceber o valor de UM MINUTO, pergunte a uma pessoa que perdeu um avião.Para perceber o valor de UM SEGUNDO, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para perceber o valor de UM MILISSEGUNDO, pergunte a alguém que conquistou apenas a medalha de prata nuns Jogos Olímpicos.
Nota: Marguerite Yourcenar é a autora da frase que dá título a este apontamento.

domingo, março 08, 2015

Psicologia - Frase da semana, 08MAR15: CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES

Psicologia - Frase da semana, 08MAR15: CRENÇAS E SUPERSTIÇÕES


Johan Cruyff - Quanto vale o acto de se benzer quando se entra em campo?

Johan Cruyff foi um jogador de futebol genial! A seguir foi treinador. Treinou o Barcelona e fez da
equipa um grupo de homens que espalhava classe, arte, inteligência e muito sucesso. O Barcelona era - as equipas são todas assim - feita de homens que têm crenças e superstições. Uma delas, que vemos frequentemente em equipas sobretudo latinas é o se benzer quando se entra em campo.
A afirmação de Cruyff sobre esse gesto tão cheio de crença tão cheio de superstição é, também ela, portadora de arte, e inteligência e eficácia que nos deixam completamente desarmados:
"Não sou crente. Em Espanha, os vinte e dois jogadores benzem-se antes de entrar em campo. Se resultasse, só havia empates."
Pois, fica tudo dito.

In English: "I’m not religious. In Spain all 22 players make the sign of the cross before they enter the pitch. If it works all matches must therefore end in a draw."