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domingo, março 13, 2016

Psicologia - Frase da semana, 13MAR16: SER E NÃO SER, EIS A QUESTÃO.

Psicologia - Frase da semana, 13MAR16: SER E NÃO SER, EIS A QUESTÃO.


«Espera e confia / Põe tudo em cada nada. / Sê tu mesmo todo o
Amadeu Ferreira (o que olha de frente),
com António Tiza, em Bragança (1970)
dia. / E terás encurtado a caminhada / Que tão longe parecia.
» 
(Amadeu Ferreira, 21 de Junho de 1972)

1972. Amadeu Ferreira aproxima-se do final da formação seminarista, iniciada em Vinhais e continuada em Bragança, um caminho de onze anos iniciado com a sensação de uma ruptura brutal com a infância.
«Ainda não tinha ido para o seminário e já tinha saudades de ficar em Sendim, de andar por ali com os miúdos da minha idade, na brincadeira, de andar pelos campos, de ir com os meus pais, porque eu tinha uma ligação muito forte à terra, ao campo. Conhecia aquele mundo, aquele era o meu mundo. Tinha uma ligação muito forte com os meus irmãos, quer com o meu irmão mais velho, o Abel, que na altura já tinha 14 anos e trabalhava no campo, como um homem, quer com o meu irmão Manuel, três anos e mei mais novo. Os três andávamos sempre juntos. O Carlos tinha acabado de nascer nesse ano, em Fevereiro." (in O Fio das Lembranças, Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques, Âncora Editora, 2015, p. 124)
Mas - o miúdo Amadeu sabe-o claramente - o seminário era a grande (única!) oportunidade de formação escolar naquele mundo tão isolado e tão pobre.
Em 1972, com 22 anos, a mente de Amadeu Ferreira processa em pensamentos de grande turbulência tudo o que vive, observa e sente. Como cantou o poeta, ele via, ouvia e lia, não podia ignorar. A rebeldia contra o conservadorismo do pensamento seminarista põe-no cada vez mais perto da expulsão do seminário - ele, o melhor aluno do seminário de Bragança. Lê obsessivamente; e escreve, escreve, escreve. Lê, interpreta e reeinterpreta.
Assim fez com a ode de Ricardo Reis
Para ser grande, sê inteiro: nada
        Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
        No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive.
Assim fez, também notavelmente, com Shakespeare.
«De facto nunca, desde então, aceitei o dito de Shakespeare "Ser ou não ser eis a questão", substituindo-o por "Ser e não ser eis a questão". Na mesma linha, desde cedo rejeitei o chamado princípio da não contradição, aceitando que ser e não ser, ao mesmo tempo, pode ser.» (in O Fio das Lembranças, Biografia de Amadeu Ferreira, de Teresa Martins Marques, Âncora Editora, 2015, p. 254)
Com notável argúcia, rompe com a tradicional dicotomia filosófica reinante, mergulha, entre outros, nos escritos dos autores fenomenologistas, e reescreve Shakespeare como certamente Jacques Lacan bem gostaria de ter feito: qual ovo de Colombo, transforma o disjuntivo dilema [ou] do ser  na copulativa [e] integralidade humana - a única que verdadeiramente faz sentido - somo o que somos e o seu contrário. É nessa estrutural inerência humana que nos fazemos na dimensão individual, social, política, criativa; submissa ou rebelde; conservadora ou desafiando rupturas; solidariamente ou egoisticamente. Não há outro caminho - apenas o da opção pessoal, não o do destino ou do fatalismo.

domingo, julho 05, 2015

Psicologia - Frase da semana, 05JUL15: SIM, É ISTO A ESSÊNCIA DO PSIQUISMO

Psicologia - Frase da semana, 05JUL15: SIM, É ISTO A ESSÊNCIA DO PSIQUISMO 



«[...] em que consiste o equilíbrio de um psiquismo qualquer,individual ou colectivo?
Seria este o aspecto de Pessoa na altura em que
escreveu a longa, rigorosa e contundente réplica.

Essencialmente no grau da sua atenção ao mundo exterior; e quanto mais ele é atento ao mundo exterior, tanto maior seu equilíbrio é.
E em que consiste a originalidade? Em ter ideias inteiramente próprias individuais; e "inteiramente individuais e próprias" quer dizer inteiramente subjectivas. Como, porém, o espírito elabora impressões vindas do exterior, a originalidade será tanto maior quanto maior for o número de impressões do exterior que o espírito é capaz de acolher e elaborar para a originalidade; isto é, quanto maior for a sua atenção ao mundo exterior; quer dizer, pois, quanto maior for o seu equilíbrio. Portanto, originalidade verdadeira e perfeita envolve equilíbrio, nunca é senão originalidade equilibrada.»
Fernando Pessoa, Correspondência, 1905-1922. Assírio  Alvim, 1999, pp.47-48.

Fernando Pessoa tem 24 anos quando escreve este notável pensamento; numa réplica a Adolfo Coelho, acerca do que este comentou sobre a "Renascença Portuguesa", movimento literário que tão empenhadamente Pessoa defendia para "as poesias características dos nossos novíssimos poetas".
Num longo texto que agora escrevesse - e não vou fazê-lo!, exploraria as seguintes vertentes:
  1. A arrepiante clareza de pensamento acerca da maneira como o ser humano conhece e cria o bem-estar.
  2. A tragédia que é a organização do ensino, da educação oficial das crianças e dos jovens, praticamente em todo o Mundo.
  3. O valor dos pensamentos juvenis, de que tantas vezes os próprios jovens se envergonham. Será esta vertente uma consequência da imediatamente anterior.
  4. O "mudo exterior", que é feito de pessoas, coisas e ambientes.

domingo, novembro 17, 2013

Psicologia - Frase da semana, 18nov13

http://neoantennae.blogspot.pt/2012/04/great-arts-blogger-challenge-wordless.html
Psicologia - Frase da semana, 18nov13
(a abrir o capítulo do estudo do neurónio, o cérebro e o sistema nervoso)

"Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia." (Fernando Pessoa, O Livro do Desassosego, citado por António Damásio em O Livro da Consciência)


My soul is like a hidden orchestra; I do not know which instruments grind and 
play away inside of me, strings and harps, timbales and drums. I can only 
recognize myself as a symphony. 
(Fernando Pessoa, The Book of Disquiet)

Exercício prático 18nov13:
Esta ilusão de ótica não é fácil! Foi criada por Rusty Rust, um artista america dedicado à Vida Selvagem Animal, e mostra um magnífico tigre de Bengala, como que em pose numa densa floresta de bambu. A tua missão agora é a seguinte: procura, segundo as palavras na língua-mãe do seu autor, “The Hidden Tiger”, ou seja, na língua portuguesa, "o tigre escondido".
Não tenho dúvidas nenhumas que, assim que encontres o que o autor nos desafia a encontrar, o que foi difícil se tornará definitivamente óbvio.
Nessa altura, terás atingido a experiência da compreensão mental, na consciência, do que é a sinfonia que em nós é expressão, como diz António Damásio, de uma partitura nunca terminada.

Practical exercise 18nov13:
[English]: The Hidden Tiger Optical Illusion
This is not an easy optical illusion.  It was created by American wildlife artist Rusty Rust, and it shows a huge Bengal Tiger standing in a bamboo forest. Your mission now is to look for “The Hidden Tiger” in the image above.  Where is the hidden tiger?  Once you see it, it seems so obvious.
I have no doubt at all that once you find out what the author challenges us to find, what was hard to find becomes absolutely obvious. On that very moment, you'll reach the experience of mental understanding, in your own consciousness, of the symphony that inside us is the expression, says Antonio Damasio, of a never ended score.