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domingo, abril 27, 2014

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio


http://blog.uchceu.es/periodismo/tag/ortega-y-gasset/
"Só todos os homens logram expressar o humano", gosta de repetir [Ortega Y Gasset] citando Goethe. As palavras são do padre Manuel Antunes, SJ, (FCG, tomo I, vol. III, p. 438)

Um especial abraço ao António Almeida e ao Nuno Raimundo - um foi meu aluno há alguns anos; o outro está quase a deixar de sê-lo. O António, tomei como se ele me interpelasse no que escreveu no Facebook (1) sobre o 25 de abril; o Nuno interpelou-me com uma série - nada menos do que 7!, ou melhor, 7 mais 1 - de vídeos sobre realizações notáveis de seres humanos.

E limito-me a transcrever mais algumas palavras do padre Manuel Antunes do texto que ele escreveu sobre Ortega Y Gasset:
"Ora sendo cada indivíduo «un punto de vista esencial» (o sublinhado é do autor), a verdade omnímoda e absoluta só se conseguiria pela soma ou justaposição de todos os pontos de vista. (...) Cada época vive um clima próprio, em parte criação sua e, em parte, herança da anterior; cada época possui uma peculiar «sensibilidade vital», um horizonte biológico dentro do qual se dilata ou encolhe. Cada mudança de sensibilidade ou de clima leva consigo o desaparecimento de uma geração e o aparecimento de outra. Uma geração é pois «un modo integral de existencia o, si se quire, una moda, que se fija indeleble sobre el individuo» (V, 39) E a imagem acorre, pronta, a esclarecer a ideia. Uma geração é uma «caravana» dentro da qual o homem avança prisioneiro mas, ao mesmo tempo, «secretamente voluntário e satisfeito». (...) Estabelecido o conceito de geração - «o mais importante da história», «o gonzo» sobre o qual ela gira - como «compromisso dinâmico entre massa e indivíduo» (III, 147), passa Ortega a determinar-lhe o espaço de duração. Trinta anos. Na idade de cada homem, dos 30 aos sessenta. Trinta anos partidos ao meio: até aos quarenta e cinco, «etapa de gestação ou criação e polémica»; daqui à outra meta, «etapa de predomínio e mando». Como na história normal não existem hiatos, isto significa que «siempre hay dos generaciones actuando al mismo tiempo, con plenitude de actuación, sobre los mismos temas y en torno a las mismas cosas - pero con distinto índice de edad y, por ello, con distinto sentido» (V. 49). Enquanto uma vive instalada no mundo que ela criou, a outra está apostada à construção do mundo onde se instalará. Gerações imediatas e, por isso, declarada ou larvadamente, antagonistas.

Estás vendo, meu querido António, estamos - se Ortega Y Gasset estiver certo - condenados ao antagonismo. Olha, sendo assim, não deixe a gente perder as oportunidades de se encontrar, abraçar, discutir e tomar um copo!
Nuno, meu querido aluno, faz precisamente este ano 100 anos que Ortega Y Gasset fez publicar a sua célebre afirmação, que tanto tenho repetido nas aulas: «Yo soy yo y mi circunstancia». Tudo o que me mandaste na volumosa encomenda é expressão disto mesmo: da maneira bem criativa como o génio humano tira partido da circunstância específica do tempo, do local e da história.

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(1) "O 25 de Abril hoje deveria significar a nossa vontade em libertarmo-nos da dependência externa para pagarmos o que devemos, devia conduzir-nos no caminho das soluções para quebrarmos esse desgraçado estado económico que é também um estado de alma. O 25 de Abril hoje deveria significar que estamos prontos para ir em busca do que realmente nos faz felizes, esquecendo os ditames de uma sociedade cinzenta que teima em olhar para trás. O 25 de Abril hoje deveria ser um grito de esperança e não um suspiro de saudade." (https://www.facebook.com/antonio.almeida.7902?fref=ts)

domingo, março 30, 2014

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"


Segundo Cícero, os três princípios da Educação tradicional romana eram os seguintes: gravitas, pietas, simplicitas.


  • Gravitas representava o sentido da responsabilidade;
  • Pietas funcionava como o vínculo, por excelência, que ligava o homem romano: aos deuses, aos membros da sua família - vivos e mortos -, e à Cidade.
  • Simplicitas devia incutir o sentido do valor autêntico de cada pessoa e de cada coisa.

"«Imortais» chamámos aos princípios que Cícero nos transmitiu como constitutivos básicos da formação dos seus compatriotas. E não o serão, de facto? Não representarão eles valores permanentes, na sua essência, uma vez despojados, na medida em que isso é possível, das circunstancialidades de tempo e de espaço? Embora formulados numa sociedade «arcaica», não serão eles aptos - uma vez mais, na sua essência - a formar homens, que o sejam, na verdade, pertencentes a uma sociedade industrial?"
Estas interrogações - provavelmente, mais atuais que nunca -, encontramo-las deixadas pelo padre Manuel Antunes, em 30 de julho de 1970.
(padre Manuel Antunes, Obra Completa, tomo II, Paideia e Sociedade, 2.ª ed., 2008. F.C.G., p. 105-106.)

"Behind such heroines were the nameless wives whose marital fidelity and maternal sacrifices sustained the whole structure of Roman life. The old Roman virtues — pietas, gravitas, simplicitas — the mutual devotion of parents and children, a sober sense of responsibility, an avoidance of extravagance or display—still survived in Roman homes."
(Will Durant, Caesar and Christ, 2011)