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sábado, fevereiro 27, 2016

QUANTO VALE UM ABRAÇO?

Psicologia - Frase da semana, 28FEV16: QUANTO VALE UM ABRAÇO?

«Quando se está sozinho, um abraço tem mais significado do que alguém possa imaginar, porque essa manifestação repõe a dignidade humana de que tanto se carece.» (Eva Mozes Kor, sobrevivente de Auschwitz. In "Auschwitz, os nazis e a solução final", Laurence Rees, Círculo de Leitores, 2005, p. 355)


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«A primeira vez que Eva se apercebeu de que o seu sofrimento estaria prestes a chegar ao fim foi quando uma das mulheres do barracão começou a gritar: "Estamos livres! Estamos livres!" Eva correu para a porta, mas não foi capaz de ver nada por entre a neve. Só decorridos alguns minutos é que conseguiu descortinar os soldados do Exército Vermelho que vestiam blusões brancos de camuflagem:

"Corremos para eles, que nos abraçaram, oferecendo-nos chocolates e bolachas. Quando se está sozinho, um abraço tem mais significado do que alguém possa imaginar, porque essa manifestação repõe a dignidade humana de que tanto se carece. Não só estávamos esfaimados, como ansiávamos por generosidade humana, e as tropas do Exército Vermelho proporcionaram-nos parte disso. Na verdade, uma das coisas que mais falta me fez depois da guerra, quando regressámos a nossas casas, o que eu desejava
desesperadamente eram os abraços e os beijos que me foram dados. Portanto, quando faço uma prelecção para estudantes universitários, costumo dizer-lhes: "Quando regressarem a casa esta tarde, por favor, dêem um abraço e um beijo mais do que é costume aos vossos pais por todos nós, as crianças que sobreviveram aos campos de concentração e que não tinham que pudessem abraçar e beijar."»

sábado, setembro 19, 2015

Psicologia - Frase da semana, 20SET15: CRIANÇAS, CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO, REFUGIADOS

Psicologia - Frase da semana, 20SET15: CRIANÇAS, CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO, REFUGIADOS

«Os melhores de nós não regressaram [dos campos de concentração» (Viktor Frankl)
Não sou original quando digo que a grande esperança da Humanidade está em cada criança que nasce, trazendo consigo um potencial de inteligência, criatividade e humanismo constantemente renovados - livres de estereótipos, preconceitos e desconfianças.
Já antes da Segunda Grande Guerra, um assombroso médico e pedagogo polaco, Janusz Korczak (pseudónimo de Henryk Goldszmit), afirmava:
«As crianças não são os homens de amanhã, mas são os homens e as mulheres já de agora. As crianças têm mesmo de ser tomadas a sério. Têm direito a serem tratadas pelos adultos com respeito, como iguais. Devemos permitir-lhes que se desenvolvam no sentido do que queiram vir a ser - a pessoa que há dentro de cada criança é a esperança para o futuro.»
"Children are not the people of tomorrow, but are the people of today. They are entitled to be taken seriously. They have a right to be treated by adults with respect as equals. They should be allowed to grow into whoever they were meant to be – the unknown person inside each of them is the hope for the future." 
Gosto especialmente do seguinte trecho, escrito por Viktor Frankl (médico psiquiatra austríaco, sobrevivente de Auschwitz), sobre esse sujeito assombroso que foi Janusz Korczak:
«Korczak não é uma pessoa muito conhecida, ainda que esteja homenageado numa comovedora estátua em Yad Vashem, em Jerusalém. Em 1942 deportaram os seus órfãos para o campo de Treblinka, e ofereceram a Korczak a possibilidade de ficar e não seguir com eles. Recusou a oferta e entrou para o comboio que os deportava, com duas crianças ao colo, enquanto lhes contava histórias alegres. Mataram-no por solidariedade com os órfãos. Neste caso, este grande homem não sobreviveu por causa do seu sentido da vida, morreu por ele. Outros heróis reais foram assassinados por defenderem um companheiro, ou por ocuparem na fila o lugar de outro prisioneiro, ou por negarem-se a cumprir uma ordem das SS para agredir outra pessoa, ou por dar um pedaço de pão a uma criança com fome. Em qualquer um destes casos, os prisioneiros bem o sabiam: os melhores de nós não regressaram dos campos.» (Viktor Frankl, "El hombre en busca de sentido", Herder, 2004, p. 22)
Numa altura em que tanta gente boa teme empenhar-se no apoio aos refugiados sírios, afegãos e outros - tantas vezes com razões legítimas para o fazer! -, parece-me que há um momento em que, como dizia Denis Avey, prisioneiro de guerra inglês que terá trocado com um desgraçado judeu em Auschwitz, por duas ocasiões, «Não tens de pensar, tens de agir.» É, quando há crianças, quando há outros seres humanos iguais a nós, há um momento - urgente! - em que é preciso agir; mesmo que, a curto ou a longo prazo a nossa acção ponha em risco a nossa vida. É assim que eu entendo a MINHA humanidade; é assim que eu dou sentido à MINHA  vida.
Não salvar uma criança, para quem acredita como eu acredito - e como Korczak também acreditava - é comprometer a esperança do Futuro.