sábado, dezembro 26, 2015

Psicologia - Frase da semana, 27DEZ15: BRINCOS PERIGOSOS!

Psicologia - Frase da semana, 27DEZ15: BRINCOS PERIGOSOS!



Rapariga com brinco de pérola, de Johannes Vermeer
«Vai a sair quando ouve um deles murmurar para o outro: «Achas que lhe vai doer?» E o ar de ambos é, de repente, tão infeliz e desamparado, que ela volta atrás e diz: «Não dói nada, estejam descansados!»
E quando o homem lhe sorri desajeitadamente, só por vergonha é que ela não diz à amiga que o achou ligeiramente parecido com o filho mais velho.
»


OS BRINCOS
Tinha deixado passar o Natal para tudo estar mais calmo. No último dia do ano, quando muito estariam cheias as lojas de alimentação. A amiga ainda torceu o nariz, que deixasse para depois, que os brincos não fugiam, estivesse ela descansada. Mas ela insistiu: «Não quero entrar no ano novo sem os brincos, pronto!»
Quando chegaram à loja respiraram aliviadas: tirando um casal de noivos a escolher alianças, mais ninguém lá se encontrava.
O empregado logo as atendeu e, de repente, o balcão da ourivesaria brilhava de uma ponta à outra: de um lado, estendiam-se alianças grossas, fininhas, largas, estreitas; do outro, estendiam-se brincos de pérolas, brilhantes, pedras verdes e azuis – embora ela tivesse logo explicado que queria aqueles que estavam na montra, uma pérola e mais nada, iguaizinhos aos que o marido lhe oferecera no dia do nascimento do filho mais velho e que ela deixara roubar numa viagem. Mas isto ela não diz ao empregado, claro.
Foi então que os dois homens entraram. De rompante. Enormes, pele muito escura, barba de muitos dias, o rosto de ambos totalmente encobertos por cachecóis sem cor.
Num segundo os empregados fazem desaparecer brincos e alianças, a noiva fica mais branca do que a parede da loja. A amiga murmura-lhe qualquer coisa como «eu bem não queria vir», e ela começa a sentir a cabeça a andar à roda, virão roubar o quê? trarão pistola?,o que se sentirá quando se leva um tiro?
Os homens avançam rapidamente até ao balcão, cara de poucos amigos, mãos nos bolsos de sobretudos meio esfiapados. «É agora», pensa ela, «daqui não escapo viva», pensa a noiva. «Se ao menos eu soubesse onde está o alarme», pensa o empregado, que é novo e ainda não conhece os cantos à casa.
É então que se ouve um barulho estranho, entre o miar de gato e o piar de ave aflita: meio metro de gente, mal se equilibrando de pé, olhos muito negros e redondos, agarrada ferozmente às pernas do maior dos dois homens que, sem mais rodeios, diz para o empregado, apontando-a: «Fure-lhe as orelhas.»
Começaram todos a sentir-se mais aliviados. Regressam as alianças, regressam os brincos, só a miúda não pára de gemer. «Fure-lhe as orelhas, senhor», insiste o homem, «não quero que ela entre no ano novo sem brincos.»
A miúda desaparece pela mão do empregado, enquanto os dois homens esperam. Enormes, mãos nos bolsos, ar de poucos amigos.
Ela escolhe os brincos, de repente está cheia de pressa de se ir embora, o empregado embrulha, ela paga.
Vai a sair quando ouve um deles murmurar para o outro: «Achas que lhe vai doer?» E o ar de ambos é, de repente, tão infeliz e desamparado, que ela volta atrás e diz: «Não dói nada, estejam descansados!»
E quando o homem lhe sorri desajeitadamente, só por vergonha é que ela não diz à amiga que o achou ligeiramente parecido com o filho mais velho.
(Alice Vieira, “Bica Escaldada”, Casa das Letras, 3.ª ed., 2009, p. 177-8.)

sábado, dezembro 19, 2015

Psicologia - Frase da semana, 20DEZ15: VOTOS DE SANTO NATAL. OBRIGADO, ALICE VIEIRA!

Psicologia - Frase da semana, 20DEZ15: VOTOS DE SANTO NATAL. OBRIGADO, ALICE VIEIRA!


http://welovewords.com/lea-c
Quem é o Pai Natal, afinal?
a) É o homem, feliz, que olha à janela.
b) É o taxista, bem-disposto, que olha o homem que está à janela.
c) É o velhote a quem dói muito a perna.
d) É o industrial que ficou com o carro avariado.
e) É o Chico Buarque, o autor de "A Banda".

«Porque, já lá dizia a minha avó, aquilo que terá de vir, ao colo nos irá cair...»
UM HOMEM À JANELA
                Se calhar por porque amanhã é Natal e as pessoas andam imbuídas do espírito da época. Se calhar foi porque eu tenho sorte, e calham-me sempre taxistas simpáticos na cidade do Porto. Se calhar foi porque sim – que, já lá dizia o poeta Augusto Gil, é sempre a mais forte das razões.
                A verdade é que eu ia carregada de embrulhos, chovia que Deus a dava, a hora de ponta ameaçava (se é que ainda há hora de ponta…), e o táxi que me levava, tal como os outros carros todos, andava pelas ruas num pára-arranca de fazer aflição. É nesta altura que normalmente as pessoas perdem a paciência, desatam a insultar o da frente que ó tempo que já podia ter passado, mas não, saiu-te a carta na Farinha Amparo, ó animal, ou então insultam o governo, isto é tudo a mesma cambada, prometem, prometem, mas não fazem nada, eu cá se mandasse punha aqueles gajos todos que estão lá no Parlamento na rica vida, sim que aquilo ninguém faz nada, punha-os todos aqui a trabalhar, para eles verem o que é bom para a tosse.
                Mas, para meu grande espanto, começo a ouvir, primeiro num quase murmúrio, depois ligeiramente mais alto, uma voz extremamente afinada a cantar «eu estava à toa na vida/ o meu amor me chamou/ para ver a banda passar/ cantando coisas de amor…» E a seguir uma risada bem-disposta. Olhou para mim pelo retrovisor e apontou para um prédio: «A senhora já viu ali aquele homem à janela? Há que tempos eu não via um homem à janela! Por isso é que até me deu vontade de cantar isto. Ali está ele, sem pressas, a ver a banda passar. Ainda por cima com esta chuva. Aquilo até é capaz de lhe fazer mal. Mas que está feliz, lá isso está. Um homem à janela!»
                Sim, porque, continuava ele, ninguém hoje tem tempo para nada, anda tudo em correrias e para quê?, entram-me aqui no carro e pensam que ele tem asas, e às vezes até me insultam como se tivesse alguma culpa. O que vale é que eu já tenho muitos anos disto e na maior parte dos casos, olhe, ponho-me ali como o homem da janela, ouço tudo e limito-me a ver a banda passar… Porque, já lá dizia a minha avó, aquilo que terá de vir, ao colo nos irá cair. Aqui há bastante tempo, continuava ele, apanhei um passageiro em Campanhã, o velhote, coitadito, mancava de uma perna, mal podia com ele, e diz-me assim, desculpe lá, amigo, esta perna dói-me muito, mas eu cheguei agora e precisava de ir ao restaurante Aleixo, está lá gente à minha espera, eu sei que isso é já ali ao cimo da rua, mas esta perna dá cabo de mim, eu depois dou-lhe mais qualquer coisa. É claro que levei o velhote, mas a pensar comigo, começas bem o dia, ó Joaquim… Então não é que, depois de ajudar o velho a entrar no restaurante, não me sai de lá de dentro um homem que me pergunta se eu estou livre para o levar a Ponte de Lima?! A senhora está a ver onde fica Ponte de Lima, não está? O carro dele parece que se tinha avariado, assim uma coisa dessas, sei é que lá fomos os dois, ele era um industrial aqui para o Norte e, conversa puxa conversa, arranjou-me emprego para o meu filho! Está a ver como são as coisas… O que tem de ser tem muita força, não é? Mesmo que a gente esteja à janela, ali como aquele, o que tiver de vir, ao colo nos há-de cair.»
                Quando desci do táxi já ele voltava a cantarolar, «eu estava à toa na vida…», feliz por haver um homem que, no fim de uma tarde de chuva, ainda tinha tempo para estar tranquilamente à janela, a olhar os carros, as pessoas, o mundo.
(Alice Vieira, “Bica Escaldada”, Casa das Letras, 3.ª ed., 2009, p. 133-4.)

domingo, dezembro 13, 2015

Psicologia - Frase da semana, 13DEZ15: GENEROSIDADE - É NATUREZA HUMANA PROFUNDA

Psicologia - Frase da semana, 13DEZ15: GENEROSIDADE - É NATUREZA HUMANA PROFUNDA

«A raiz da generosidade encontra-se na palavra latina
"genus", "generis", um termo que lembra raça, família, nascimento – é este o primeiro significado da palavra "genere".» Luigino Bruno






As poderosas sementes da generosidade

As empresas e todas as organizações serão lugares de vida boa e plena desde que deixem viver virtudes não económicas ao lado das económicas-empresariais. Uma coexistência decisiva, mas nada simples, porque exige que os dirigentes renunciem ao controlo total dos comportamentos das pessoas, que aceitem uma componente de imprevisibilidade nas suas ações, estarem dispostos a relativizar até mesmo a eficiência, que se está a tornar o verdadeiro dogma da nova religião do nosso tempo. A generosidade é uma destas virtudes não económicas, mas também essenciais para todas as empresas e instituições.

A raiz da generosidade encontra-se na palavra latina "genus", "generis", um termo que lembra raça, família, nascimento – é este o primeiro significado da palavra "genere". Esta antiga etimologia, hoje perdida, diz-nos coisas importantes sobre a generosidade. Antes de mais, recorda-nos que a nossa generosidade tem muito a ver com a transmissão da vida: com a nossa família, com as pessoas à nossa volta, com o ambiente em que crescemos e aprendemos a viver. Recebemo-la em herança, ao vir ao mundo. É um dote que nos deixam os nossos pais e parentes. A generosidade forma-se dentro de casa. A que temos dentro depende muito da generosidade dos nossos pais, de como e quando se amaram antes de nós nascermos, das escolhas de vida que fizeram e das que fazem quando nós começamos a olhá-los. Da sua fidelidade, da sua hospitalidade, da sua atitude para com os pobres, da sua disponibilidade em “gastar” o tempo para ouvir e ajudar os amigos, do seu amor e do reconhecimento para com os seus pais.

Esta generosidade primária não é uma virtude individual, mas um dom que começa a fazer parte da dotação moral e espiritual, daquilo a que se chama carácter. É um capital com que chegamos à Terra, que se formou antes do nosso nascimento e que se alimenta da qualidade das relações, nos primeiríssimos anos de vida. Depende também da generosidade dos nossos avós, dos bisavós, dos vizinhos de casa e de muitos outros que, embora não compondo o meu ADN, estão também presentes, de modo misterioso mas realíssimo, na minha generosidade (e não generosidade). É influenciada pelos poetas que alimentaram o coração da minha família. Pelas orações do meu povo, pelos músicos de que gosto e escuto, pelos contadores de histórias nas festas da aldeia, pelos discursos e pelas ações dos políticos, pelas homilias dos pregadores. Pelos mártires de todas as resistências, pelos que ontem deram a sua vida pela minha liberdade de hoje. Pelas generosidades infinitas das mulheres dos séculos passados (há uma grande afinidade entre mulher e generosidade), que puseram o florescimento da família, a que deram vida, acima da sua – e continuam a fazê-lo. A generosidade gera reconhecimento por quem nos tornou generosos com a sua generosidade.

Viver com pessoas generosas torna-nos generosos – assim como acontece com a oração, com a música, com a beleza… Cultivar a generosidade produz muito mais efeitos que os que conseguimos ver e medir – e o mesmo acontece com a não-generosidade, nossa e dos outros. O depósito de generosidade duma família, de uma comunidade, de um povo, é uma espécie de soma da generosidade de cada um. Cada geração desenvolve o valor deste depósito ou o reduz, como está a acontecer, hoje, na Europa, onde a nossa geração, empobrecida de grandes ideais e paixões, está a delapidar o património de generosidade que herdou. Um País que deixa metade dos seus jovens sem trabalho, não é um país generoso.

A nossa generosidade, portanto, reduz-se ao envelhecer. Quando nos tornamos adultos e, depois, anciãos, encontramos, naturalmente, menos generosidade. O horizonte futuro torna-se finito e próximo e, assim, o tempo – que é a primeira “moeda” da generosidade – torna-se mais escasso. Nunca nos é suficiente e não há mais para os outros. E, assim, para conservar a generosidade que herdámos e cultivamos desde jovens, é preciso muito trabalho. Aqui, a generosidade torna-se virtude, porque é preciso muito amor e muita dor para se manter generosos quando os anos passam.

Mas é fundamental conservar-se generoso se se quer continuar a gerar vida. Generosidade e gerar são duas palavras irmãs, uma lê-se e explica-se com a outra. Só quem é generoso gera, e a geração da vida reforça e alimenta a generosidade. Um sintoma do declínio da generosidade é, então, a não fecundidade ou esterilidade da vida. Quando nos encontramos, frequentemente dum momento para o outro, sem criatividade e energia vital para esperar voltar a gerar, é preciso desejar ser ainda generoso, em qualquer idade – o tempo doado por uma pessoa novamente generosa tem um valor infinito.

Nas empresas, que são simplesmente um pedaço de vida, há frequentemente muita generosidade e, por isso, produtividade. Os empresários são generosos por vocação, sobretudo na primeira fase da sua atividade, quando a empresa não é senão uma caixa de sonhos para realizar, quando todos os dias nascem novas ideias, quando se está de tal modo ocupado a fazer nascer o novo que não sobra tempo para a avareza e a mesquinhez. As boas empresas, mesmo as económicas e industriais, nascem de pessoas generosas, e continuam a nascer assim. Quando uma empresa começa, a generosidade dos empresários, sócios, dirigentes, trabalhadores, não é apenas importante; é essencial para crescer bem. Sem o entusiasmo e o excesso de todos em relação a quanto o contrato de trabalho e os deveres pedem, logo sem generosidade, as empresas não perduram; podem nascer gabinetes para responder às chamadas ou para captar alguma oportunidade especulativa, mas não empresas boas e bonitas.

A alegria, “sacramento” de qualquer vida generosa, acompanha também o início das aventuras dos jovens empresários e das verdadeiras empresas. Mas quando a empresa cresce e se transforma, progressivamente, numa organização complexa, burocrática e orientada racionalmente para os objetivos, a generosidade originária dos empresários reduz-se e a verdadeira generosidade dos trabalhadores não mais é exigida nem encorajada. Em seu lugar é desenvolvida uma subespécie de generosidade: a que existe em função dos objetivos, que se pode gerir e controlar. E, assim, tira-se a sua dimensão de excedente, de abundância, de liberdade. A generosidade não é eficiente, porque tem uma necessidade essencial de esbanjamento e de superabundância. E não é estimulável, porque não responde à lógica do cálculo.

Compreende-se, então, que uma cultura organizativa construída à volta da ideologia do incentivo faz murchar, nos seus membros, precisamente a dimensão de generosidade excedente que lhe tinha permitido ser inovadora e fecunda nos melhores tempos. A empresa tornada instituição quer apenas a generosidade que entra nos seus próprios planos industriais, uma generosidade limitada, domesticada, reduzida. Mas se a generosidade perde a abundância e o excedente, desvirtua-se, torna-se outra coisa. Não se pode ser generoso “por objetivos”.

Quem procura normalizar a generosidade enfraquecendo as suas dimensões menos controláveis e mais desestabilizadoras, não faz senão combater e matar a própria generosidade. A generosidade produz os seus bons frutos se é deixada livre para gerar mais frutos do que os necessários. Mas é precisamente a convivência de frutos “úteis” e “inúteis” um dos grandes inimigos das empresas capitalistas e de todas as instituições burocráticas. Conseguimos, com a tecnologia, construir “tangerinas” sem as maçadoras sementes; mas se as técnicas de gestão eliminam da nossa generosidade as “sementes” que não agradam ou não são úteis à empresa, é a própria generosidade a desaparecer. Os seres humanos dão muito apenas se são livres de dar tudo. A qualidade da vida, em muitas das nossas organizações, dependerá sempre da capacidade dos seus dirigentes em deixar amadurecer mais frutos do que os que se colocarão nos mercados, em fazer viver e crescer também as virtudes que não interessam à empresa.

Chegámos, de novo, a uma nova conjugação do principal paradoxo das organizações modernas. O crescimento das dimensões e a aplicação de técnicas e métodos estandardizados de gestão e controlo sacrificam, nos trabalhadores, as características que a fizeram nascer e de que a empresa teria ainda necessidade vital para continuar a produzir. Esta é uma lei que vale para todas as organizações, mas que é crucial quando se tem que lidar com empresas e comunidades que vivem apenas se e quando arriscam ter pessoas generosas colocadas em condições de exercitar a sua generosidade também no trabalho.

Há, enfim, um aspeto especialmente delicado na dinâmica da generosidade. É a que podemos chamar “castidade organizativa”. Generosidade não se refere apenas a gerar; requer também a "castidade", uma palavra que apenas na aparência pode parecer a antítese das outras duas. A pessoa generosa não “come”, não consome as pessoas que vê à sua volta, mas deixa-as completamente livres. Uma empresa-organização generosa não ambiciona a posse total do tempo e da alma dos seus melhores trabalhadores, nem sequer dos especialistas de quem depende quase todo o seu sucesso. Porque sabe – ou intui – que, se o fizer, estas pessoas perderiam as dimensões de beleza que as tinham tornado excelentes ou especiais; que, para permanecerem vivas, precisam de liberdade e de excedente. Se apanho a belíssima flor do vale alpestre para enfeitar a sala de estar, já decretei o seu fim. Mesmo que lhe conserve as raízes e as plante no meu jardim, não voltarei a ver as cores e o perfume que me tinham atraído na montanha, porque eram o fruto espontâneo da generosidade de todo o vale, daquele sol, daqueles minerais, daquele ar.

Os melhores jovens das nossas organizações e comunidades permanecem belos e luminosos enquanto não quisermos transplantá-los para o jardim de casa, enquanto os não transformarmos num bem “privado”, enquanto estivermos dispostos a partilhar a sua beleza com todos os habitantes do vale. Há muitos jovens que murcham nas grandes empresas e, por vezes, também nas comunidades religiosas, porque não encontram a generosidade necessária para manter a sua beleza excedente. Para conservar a generosidade das pessoas, são necessárias instituições generosas, pessoas magnânimas, almas maiores que os objetivos da organização.

Estamos habitados por um sopro de infinito. Todos os lugares da vida continuam a florir enquanto o sopro permanecer vivo, livre, inteiro.

Luigino Bruno
In "Avvenire"
Trad.: P. António Antão

domingo, novembro 08, 2015

Psicologia - Frase da semana, 08NOV15: O PRECIOSO PENSAMENTO DE UM JOVEM QUE DESCOBRE QUE TEM UM CANCRO

Psicologia - Frase da semana, 08NOV15: O PRECIOSO PENSAMENTO DE UM JOVEM QUE DESCOBRE QUE TEM UM CANCRO

«My challenge to each of you, and to myself, is to continue to grow, to develop for the better.The future is truly in our hands. Forget about having long-term dreams. Let’s be passionatelydedicated to the pursuit of short-term goals. Micro-ambitious. Work with pride on what is infront of us. We don’t know where we might end up. Or when it might end up.» Jake Bailey



O discurso de Jake Bailey, monitor sénior

Tinha escrito um discurso e uma semana antes do mesmo ser lido disseram-me “Tens cancro.” E se eu não fizesse qualquer tratamento estaria morto em 3 semanas. Disseram-me também que eu não iria conseguir estar aqui esta noite a ler-vos este discurso.
Mas felizmente o discurso não é sobre o que está para vir mas sim sobre este fabuloso ano que termina agora. E vocês não estariam à espera que escrevesse um novo discurso na minha cama no hospital, ou estavam? O discurso começa desta forma:
“Se eu vi mais longe foi por ter estado nos ombros de gigantes.”
Bernard of Chartres comparou-nos a anões empoleirados nos ombros de gigantes. Ele salientou que conseguimos ver mais longe que os nossos antepassados, não por termos uma visão perspicaz, nem sermos mais altos, mas porque nós somos elevados e transportados para mais alto nas suas estaturas e conhecimento gigantesco. Agradeço à Escola Secundária de Christchurch Boys por nos levarem tão alto.
Tena koutou katoa[1]. Boa noite a todos, eu sou Jakob Ross Bailey, Monitor do ano de 2015.
A todos os ótimos jovens que foram monitores antes de mim e a todos os ótimos jovens que estão sentados à minha frente, obrigado por me terem apoiado como Monitor neste ano.
Houve alturas que pensei se merecia este cargo. Houve outras em que duvidei conseguir desempenhá-lo ao nível a que este cargo deve ser desempenhado. Mas apesar do meu medo, nunca desisti de lutar para ser um líder que não vos desapontasse. E consequentemente, estou grato por tudo o que me deram em troca.
Quero partilhar convosco todas as palavras que trago junto do coração, palavras que este ano significaram muito mais para mim do que alguma vez tinham significado.
“Não é o crítico que conta; não o homem que salienta a forma como o homem forte tropeça, ou onde aquele que atua poderia ter atuado melhor. Os créditos pertencem aquele que, de facto, está na arena, cuja cara está coberta de pó, suor e sangue, que corajosamente se esforça; que erra e falha uma e outra vez; porque não há esforço sem erros e falhas; mas aquele que realmente se esforça por fazer; que sabe o enorme entusiasmo, a grande devoção, o tempo que se gasta numa causa nobre, que no seu melhor conhece o triunfo do elevado sucesso e aquele que no seu pior, se fracassar, fracassa embora o faça com grande ousadia. De forma que o seu lugar nunca será junto daquelas almas frias e tímidas que não conhecem nem a vitória nem a derrota.”
Não teria sido possível realizar esta tarefa sozinho, e como tal tenho de agradecer a uma grande equipa. Primeiro, aos ajudantes Sam e Jesse. Vocês foram firmes e inspiradores, fortes quando eu estava fraco, e uma fabulosa fonte de apoio. 
Senti sempre que olhavam por mim, e tornavam cada dia muito melhor. Aos Monitores do ano de 2015, eu devo tanto a cada um de vós. Guardo com carinho a ligação que criei com cada um de vocês.
Obrigado por me aceitarem numa irmandade, na qual eu poderia não ter sido aceite, e por me darem a hipótese de confraternizar convosco.
Talvez a melhor coisa que este papel me tenha dado é a ligação com todos vós, a qual eu não teria de outra forma, e que tanto significa para mim, mais do que alguma vez entenderão. Tal como eu disse no Campo dos Monitores, vocês são todos pessoas excecionais com um calibre notável, e que cada um de vós irá chegar longe, e que aprendi algo com cada um de vocês. Tenho de reconhecer a firme liderança e o apoio que recebi ao longo deste ano da parte do sr. Hill bem como a orientação sólida dos srs. Frazer, Williams e Dunnet. Essa orientação foi o cerne de como eu me regi este ano, e sem a qual me teria por vezes sentido perdido. Todos me ensinaram muito e guardarei esses ensinamentos para o resto da vida. Obrigado pela oportunidade que me deram, e espero que tenham sentido orgulho de mim.
Quero agradecer sinceramente o apoio que recebi dos “Old Boys”[2]. Em particular a vocês, Terri Donaldson e Jim Blair, por terem sido homens de bom caráter que me encorajaram a caminhar ao vosso lado, o que me fez sentir honrado de o fazer.
Os “Old Boys” ajudaram-me a entender o que significa 130 anos de história em atos. O que significa o valor da tradição, apreciar a nossa grande história, e compreender a marca que os “Old Boys” deixaram nos meios militares, nas artes e na cultura, no comércio, na lei, no serviço comunitário e no desporto.  
Tive a sorte de ser apoiado por estes homens sábios que gentilmente me falaram dos seus feitos, e do quanto nós aprendemos e damos - e sobre a responsabilidade que advém da tal privilégio. E estas são as palavras que eu escrevi antes de se sentarem ao lado da minha cama no hospital.
Tristemente, foram anos ambos curtos e longos, mas estamos aqui agora, prontos para seguir em frente como homens. Trabalhamos muito para chegar aqui mas não o fizemos pela nossa própria mão. Como rapazes tornamo-nos homens que somos, não de um dia para o outro, mas como resultado das nossas decisões, as escolhas que fazemos, e dos que nos rodeiam e apoiam. E é a estas pessoas que devemos agradecer. Aos nossos professores, obrigado por partilharem o vosso talento e conhecimento, e algum filme de vez em quando. O que fizeram por nós ultrapassou frequentemente o vosso dever.
Gastaram tempo a explicar tarefas, repetidamente porque não estávamos a prestar atenção. Permitiram que vos pedíssemos ajuda extra quando nos poderiam ter negado a mesma. Esforçaram-se para que as aulas se tornassem mais interessantes e desta forma não nos desligássemos. Exigiram excelência da nossa parte não importando se nós queríamos ser excelentes ou não. E até para um grupo de adolescentes isso não passou despercebido.
Aos nossos pais, agradecemos por nos apoiarem em mais maneiras do que é possível imaginar. Não só neste ano que passou mas nos outros 13 últimos anos de escola. Todos os dias arrastaram-nos para fora das nossas camas, certificaram-se que íamos semi-alimentados e vestidos para a escola, correndo connosco para fora de casa. Ajudaram-nos com os trabalhos de casa, pagaram as nossas propinas.
Estiveram presentes nos diversos eventos, partidas desportivas e trabalharam em conjunto com a escola sempre que necessário. Solidarizaram-se com os nossos dramas diários e estiveram lá para nós, mas também nos deram espaço suficiente para nos tornarmos os homens que somos hoje.
Aos treinadores desportivos que nos deram conselhos e diretrizes sólidas, obrigado por fazerem a escola ser mais do que um trabalho de aula. Através do desporto, aprendemos como ganhar força perante a adversidade e a dar o melhor de nós, ganhando ou perdendo. Aprendemos a importância da disciplina e do desportivismo, e como trabalhar em conjunto para atingirmos um objetivo comum – e divertirmo-nos muito enquanto o fazíamos.
Como ouviram antes, o meio nome do meio é Ross. Foi-me dado este nome não muito depois de ter nascido porque o meu tio-avô, chamado Ross, tinha morrido afogado no Sri Lanka. O sr. Ross Bailey eram um cirurgião de Christchurch que fazia transplantes de rins e trabalhava para a Comissão Asiática para o Desenvolvimento Global da Nefrologia. Ele era conhecido por fazer uma grande diferença a um enorme número de vidas, quando os transplantes de órgãos eram um feito incrível, e agora pondo toda a humildade de lado, ele era o melhor do mundo – um verdadeiro pioneiro, a primeira pessoa a fazer um transplante de rim na Nova Zelândia.
Ele também foi um “Old Boy” da Escola Secundária para Rapazes de Christchurch. Ele era oriundo da classe operária, o único dos irmãos a frequentar a universidade e continuou a salvar inúmeras vidas porque, bem, porque ele o conseguia. Porque ele procurou ir mais longe. No seu funeral, a “Catedral in the Square” estava a rebentar pelas costuras com as pessoas que ele ajudou. Ele fez tanto na sua curta vida, dando vida aos que morriam. Ele ousou fazer a diferença. Um aluno da Escola Secundária para Rapazes de Christchurch, oriundo da classe operária tornando realidade o lema “Altiora Peto” [procurar ir mais longe].
Agora nem todos podemos salvar vidas transplantando órgãos. Mas podemos fazer a diferença à nossa maneira.
A Escola Secundária para Rapazes de Christchurch apoia o sucesso académico, cultural e desportivo, e como uma escola nós somos excecionais em cada um destes campos. Mas não podemos todos alcançar as metas com vintes ou ser os melhores desportistas a alinhar na linha de frente de um jogo de rugby, acreditem. Embora não possamos ser os melhores em tudo ou só nalguma coisa, o que podemos escolher é ter força moral. Força moral é outro dos grandes valores dos Boys. Escrevi isto antes de saber que tinha cancro. Agora vejo as coisas de um modo diferente.
A força moral tem a ver com tomar uma decisão consciente de ser uma pessoa que não desiste, quando tal seria fácil fazê-lo. Ser menor porque a viagem é menos árdua. Jim Rohn disse “Deixem os outros viver vidas pequenas, mas não tu. Deixem os outros discutir sobre coisas pequenas, mas não tu. Deixem os outros chorar sobre dores pequenas, mas não tu. Os outros que deixem os seus futuros em mãos alheias, mas não tu. Ao fazer isto pode significar que temos de enfrentar o medo de estar em falta. Medo de parecer louco. Medo de não ser suficiente. Ter sido Monitor Sénior significou enfrentar estes medos, quase diariamente.”
Mas nenhum de nós sai da vida vivo, como tal sejam brilhantes, sejam grandes, sejam graciosos, sejam agradecidos por todas as oportunidades que vos são dadas. A oportunidade de aprender com os homens que caminharam antes de vós e com os que caminham junto de vós.
Escola Secundária para Rapazes de Christchurch, estive ausente 3 semanas – podem por favor de parar de mandar mensagens à minha mãe todas as manhãs, para perguntar se ela sabe onde estou. Fora isso, senti falta de todos vós. Nestes últimos 5 anos tenho sentido orgulho em ser um aluno que frequentou a Escola Secundária para Rapazes de Christchurch. E de hoje em diante até ao fim da minha vida, serei um orgulhoso Old Boy, retribuindo a todos antes, como eles o fizeram a mim.
O desafio que lanço a cada um de vós, e a mim próprio, é continuar a crescer, a tornar-me melhor. O futuro está verdadeiramente nas nossas mãos. Esqueçam os sonhos a longo prazo. Vamos dedicar-nos de forma apaixonada a concretizar os objetivos a curto prazo. Micro-ambiciosos. Trabalhem com orgulho naquilo que está à vossa frente. Não sabemos onde pode terminar. Ou quando pode terminar.
Alguns de nós não se cruzarão de novo. É provável que alguns de nós sejam vistos na TV. Outros nos jornais. Alguns de nós também irão provavelmente acabar na prisão. Gostei verdadeiramente de crescer convosco todos. Foi uma honra e um prazer partilhar estes anos convosco. Sei que quando olho para todos vós, sei que o tempo passado aqui é medido pelas amizades que fiz nestes últimos anos. Algumas foram mais passageiras, outras mais sólidas mas lembrar-me-ei de todos carinhosamente, da mesma forma que certamente o farão.
E quando muitas das nossas memórias da escola secundária se começam a desvanecer, é como basicamente mediremos o tempo passado aqui, não nas aulas, ou nos almoços, ou nos resultados dos exames ou finais de ano letivo, mas nas amizades que fizemos e nos tempos que partilhámos juntos.
E aqui estamos. A nossa tarefa terminou e agora é a vez da próxima turma calçar os nossos sapatos e assumir o controlo. Espero que aqueles que se seguem, continuem o legado com orgulho. Que os rapazes que se seguem beneficiem do trabalho escolar para replicar o espirito de comunidade que inegavelmente advém de nos sentarmos juntos, como um só, como combinação da força e caráter desta poderosa instituição.
Não sei o que vai acontecer a partir daqui a cada um de nós - a vocês, a qualquer um, e com toda a certeza a mim. Mas desejo-vos o melhor na vossa viagem, e agradeço a todos terem feito parte da minha. Onde quer que vão e o que quer que façam, que sejamos amigos quando nos encontrarmos de novo.
Altiora Peto [procurem ir mais longe] rapazes.





[1] Saudação maori que pode ser traduzida por “Bem-vindo, corpo, Bem-vinda, mente, Bem-vindo espírito.”, ou, em alternativa, “Saudações, saudações, saudações a todos vós.”
[2] O que são os Old Boys. Ver aqui: http://www.cbhs.school.nz/our-community/old-boys


ORIGINAL VERSION:

HEAD BOY’S PRIZEGIVING SPEECH
I wrote a speech and then a week before I was due to deliver it they said, you’ve got cancer. They said if you don’t get any treatment you’ll be dead in three weeks. And they told me that I wouldn’t be able to come and deliver this speech here tonight.
But luckily, that speech isn’t about what is to come - it’s about what an amazing year it has been. And you didn’t really expect me to write a whole new one from my hospital bed did you? It started like this: "If I have seen further, it is by standing on the shoulders of giants."
Bernard of Chartres compared us to dwarfs perched on the shoulders of giants. He pointed out that we see more and further than our predecessors, not because we have keener vision, nor greater height, but because we are lifted up and borne aloft on their gigantic stature and knowledge. Thank you Christchurch Boys’ High School for the height you offer.
Tena koutou katoa. Good evening everyone, I am Jakob Ross Bailey - Senior Monitor of 2015.
To all the fine young men who have gone before me, and to the fine young men sitting before me, thank you for supporting me as your Senior Monitor this year. Yes, at times I have wondered whether I deserved this job. At times I have doubted I could get it done to the standard I thought it should be done to. But despite my fear, I have never stopped striving to be a leader who did not let you down. And consequently, I am grateful for what you have given to me in return. I want to share with you all some words which I hold particularly close to heart, words which meant a lot more to me this year than they ever could have before. “It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood, who strives valiantly; who errs and comes short again and again; because there is not effort without error and shortcomings; but who does actually strive to do the deed; who knows the great enthusiasm, the great devotion, who spends himself in a worthy cause, who at the best knows in the end the triumph of high achievement and who at the worst, if he fails, at least he fails while daring greatly. So that his place shall never be with those cold and timid souls who know neither victory nor defeat.”
This job would not have been possible alone, and consequently I must thank a massive team. Firstly, to my deputies, Sam and Jesse. You have been solid and inspirational, strong where I was weak, and an amazing source of support. I always felt you had my back, and that made every day so much better. To the Monitors of 2015, I owe all of you so much. I treasure the connection I have had with each and every one of you. Thank you for accepting me into a group which I could have so easily not been accepted into, for giving me a chance, for the brotherhood that we have had. Maybe the best thing that this role has given me is a connection with you all I wouldn't have had otherwise, and it means more to me than you will ever know. As I said on Monitors Camp, you are all exceptional people of outstanding calibre, each and every one of you will go far, and I have learnt things from all of you.
I must acknowledge the sturdy leadership and support I have received from Mr Hill and the solid guidance received from Mr Fraser, Mr Williams and Mr Dunnett through this year. It has been at the core of how I have conducted myself this year, and at times I would have been very lost without your guidance. You have all taught me much, and I will carry it through life with me. Thank you for the opportunity you gave me, I hope I have done you proud.
I want to acknowledge the support I have received from, and sincerely thank the Old Boys. In particular I thank you Terry Donaldson and Jim Blair for being men of fine character who encouraged me to walk beside you, and I have been honoured to do so. The Old Boys helped me to grasp what 130 years of history means in action. What it means to value tradition, to appreciate our rich history and to comprehend the mark the Old Boys have made on the worlds of the military, the arts and culture, commerce, law, community service and sport. I have been privileged to be supported by these wise men who spoke softly about their accomplishments, and gently of how much we have to learn and to offer - and about the responsibility that comes with that privilege. And these are the words I wrote before they sat beside my hospital bed. Thank you.
Sadly, it has been both a short and long few years but here we are now, ready to move on men. We’ve worked hard to get to this point but haven’t done it by ourselves. As guys we become the type of men we are, not overnight, but as a result of our decisions, the choices we make, and those who surround and support us. And it is those people we need to thank.
To our teachers, thank you for sharing your talent and knowledge, and the occasional movie. What you did for us often went beyond the call of duty. You took the time to explain assignments, repeatedly because we weren't paying attention. You allowed us to come to you for extra help when you could have chosen not to. You put in effort to make lessons more interesting so we wouldn't just tune out. You demanded excellence from us whether or not we wanted to give it. And even to a bunch of teenage boys, it didn’t go unnoticed.
To our parents, thank you for supporting us in more ways than it's easy to reconcile. Not just this year passed, but for the last 13 years of school. Every day you dragged us out of bed, made sure we were semi-fed and clothed for school, herded us out the door. You helped us with homework, paid our class fees. You came to our various events, attended our sports matches and worked with the school as required. You commiserated over our daily dramas and were there for us, but you also gave us enough space to become the men we are today.
To those sport coaches who provided us with strong counsel and guidance, thank you for making school about more than just classwork. Through our sports, we’ve learned how to power on through adversity and give it our best effort, win or lose. We learned the importance of discipline and good sportsmanship, and how to work closely with others to achieve a common goal - and had a lot of fun doing it.
As you heard earlier, my middle name is Ross. I was given it not long before I was born because my 'great' uncle, Ross, drowned in Sri Lanka. Mr Ross Bailey was a Christchurch based kidney transplant surgeon working for the Asian Commission for the Global Advancement of Nephrology. He was known for making a serious difference to an extraordinary number of people's lives back when organ transplants were an amazing feat, and all humility aside, was the best in the world at it - a true pioneer, the first person to perform a kidney transplant in New Zealand. He was also an Old Boy of Christchurch Boys’ High. He came from a working class background, the only one of his siblings to go to university and he went on to save numerous lives because, well, he could. Because he sought higher things. His funeral saw the Cathedral in the Square bursting at the seams with people he had helped. He had done so much in his short years giving life to the dying. He dared to make a difference. A graduate of CBHS, from a working class background putting Altiora Peto into action.
Now we can't all save lives by transplanting organs. But we can make a difference in our own way.
Christchurch Boys’ High supports academic, cultural and sporting success, and as a school we are exceptional in each and every one of those fields. But we can’t all be the best scholar achieving straight excellences or the best sportsman in the 1st XV, believe me. While we can’t be the best at everything or even at times, even anything, what we can choose is to have moral strength. Moral strength is another of the Boy’s High values. I wrote about this before I knew I had cancer. Now I have a whole new spin on it.
Moral strength is about making a conscious decision to be a person who doesn’t give up, when it would be easy to. To be lesser because the journey is less arduous. Jim Rohn said ‘Let others lead small lives, but not you. Let others argue over small things, but not you. Let others cry over small hurts, but not you. Let others leave their future in someone else's hands, but not you. Of course doing this will mean at some point we may have to face our fear of falling short. Fear of looking like a fool. Fear of not being enough. Being Senior Monitor meant facing these fears, most often daily’.
But none of us get out of life alive so be gallant, be great, be gracious, be grateful for the opportunities you have. The opportunity to learn from the men who have walked before you and those that walk beside you.
CBHS, I have been absent for 3 weeks – could you please stop sending my mother texts asking if she knows where I am every morning. That aside, I have missed you all. For the last 5 years I have been proud to be a student who attended Christchurch Boys’ High School. And from today onwards for the rest of my life, I will be a proud Old Boy, giving back to those before me, as they have given to me.
My challenge to each of you, and to myself, is to continue to grow, to develop for the better. The future is truly in our hands. Forget about having long-term dreams. Let’s be passionately dedicated to the pursuit of short-term goals. Micro-ambitious. Work with pride on what is in front of us. We don’t know where we might end up.
Or when it might end up. Some of us will not cross paths again. Some of us will likely be seen on TV. Others in print. Some of us will also probably end up in prison. I have thoroughly enjoyed growing up with you all. It has been an honour and delight to share these years with you. I know that as I look out at all of you, I will measure my time here in the friendships I've enjoyed in these last years. Some were pretty casual and others were much closer but I'll remember each one fondly, as I'm sure you all will too. And when many of our high school memories begin to fade, that's ultimately how we may measure the time we spent here, not in the classes, or the lunchtimes, or the exam results or years, but in the friendships that we made and the times we shared together.
And so here we stand. Our rule is over and it's up to the next class to step into our shoes and take over. I hope that those of you who follow will carry on a proud legacy. May the lads that follow benefit from the school’s work to replicate the hall and the community spirit that undeniably comes from sitting together, as one, strength and character of this mighty institution combined.
I don't know where it goes from here for any of us - for you, for anyone, and as sure as hell not for me. But I wish you the very best in your journey, and thank you for all being part of mine. Wherever we go and whatever we do, may we always be friends when we meet again.
Altiora Peto lads

domingo, novembro 01, 2015

Psicologia - Frase da semana, 01NOV15: SOBRE O CONHECIMENTO DOS HOMENS E DOS ANIMAIS

Psicologia - Frase da semana, 01NOV15: SOBRE O CONHECIMENTO DOS HOMENS E DOS ANIMAIS

«Quando os animais, em geral, podem ir além dos comportamentos ligados à necessidade de sobrevivência, a expansão da experiência emocional a que ganham acesso mostra o interesse e o prazer pelos comportamentos afectuosos. No homem, pelo contrário, a experiência do bem-estar tem-no levado ao paroxismo do egoísmo, do ódio e da intolerância; e da indiferença pelo sofrimento do Outro.»
Quem é o autor desta frase? Pois é, é o Fernando Pinto; quer dizer, sou mesmo eu.

Ora, vamos lá a tentar explicar o que ando eu a ruminar...
Não é, na verdade, senão, esta afirmação, uma hipótese de trabalho. É mesmo uma tese que, afinal, gostaria de ver contestada e contrariada.
A difusão do fácil acesso a pequenos e poderosos aparelhos de registo vídeo, que captam imagens em todo o lado, tem trazido para a Net inúmeros registos de comportamentos carinhosos, afectuosos entre cães e gatos, entre gatos e ratos, entre predadores e presas, entre homens e animais; em ambiente doméstico e em ambiente selvagem.

Como gostam os investigadores e analista de dizer, tal acumular de evidências parece indiciar que, assim que vejam as suas necessidades básicas satisfeitas (as tais que estão na base da célebre pirâmide de Maslow), as espécies animais, em geral, ficam disponíveis para comportamentos interactivos positivos, cooperativos e agradáveis - ligados à fruição das emoções e afectos positivos - numa palavra, bem terra-a-terra: ficam mais mimados.
Entretanto, no que (por "deformação" académica e cientifica) me parece ser um hipnotizante retorno ao clássico "Malaise dans la civilisation" (titre original : Das Unbehagen in der Kultur), de Sigmund Freud, ao invés, vemos, nos grupos humanos, a expansão dos afectos ligados ao egoísmo, ao ódio, à intolerância, à indiferença, etc..


Ver também este muito interessante registo vídeo:
Ora, será esta expansão "negativa" da expressão emocional humana fruto de quê?...
  • Do desequilíbrio a que chegámos na relação dos grupos humanos com os Ambientes Naturais de Vida?
  • Do modelo de desenvolvimento sócio-económico dominante, baseado na maximização da apropriação individual, do volume dos negócios, da produção material, dos lucros financeiros das empresas e das organizações?
  • Do conceito de bem-estar, e de uma qualquer dramática inerência vital a ele associado?
  • Da expansão do maravilhoso neocórtice, que, afinal, não conseguimos ainda adaptar-nos nas suas tremendas potencialidades?

Não sei... Não tenho resposta para isso, mas penso que deveremos encarar estas questões com frontalidade, e tentarmos, lucidamente, perceber o que está mesmo a acontecer nas sociedades dos homens e nas sociedades dos animais... curiosamente, com interferência do animal-homem. Que muitas lições temos ainda de aprender com os animais?...

Uma outra perspectiva interessante é a de ver como os animais, quando aceitam quem é diferente, aceitam-no totalmente, sem condicionalismos.

domingo, outubro 25, 2015

Psicologia - Frase da semana, 25OUT15: SABEDORIA, PODER, RIQUEZA - UM REPTO

Psicologia - Frase da semana, 25OUT15: SABEDORIA, PODER, RIQUEZA - UM REPTO

«Quem é sábio? Aquele que aprende com toda a gente. Quem é poderoso? Aquele que controla as suas paixões. Quem é rico? Aquele que se sente satisfeito.» (Benjamim Franklin, 1706-1790)


Estas questões são desafiantes. A autoria é comummente atribuída a Benjamim Franklin, ele mesmo um sábio. São perguntas e propostas de resposta estimulantes, ou mesmo galvanizantes.
Entretanto, a poderosa Internet, de tantas colecções de frases de gente célebre e sábia, muitas vezes acrescenta a estas três questões uma outra: «Quem é essa pessoa? Ninguém.»

Ora bem, nunca li, até hoje, integralmente o texto de Franklin do qual foram retiradas as interrogações, mas esta última seguramente não consta nele. Será que ele a tenha pronunciado ou escrito noutro momento ou texto? Não sei... Duvido muito que o tenha feito, até mesmo num desabafo a um amigo.
É assim que conheço as interrogações de Benjamin Franklin:
POOR RICHARD'S ALMANACK. 61
646. Who has deceived thee so oft as thyself?
647. Who is powerful? He that governs his passions.
648. Who is rich ? He that is content.
649. Who is rich? He that rejoices in his portion.
650. Who is strong? He that can conquer his bad habits.
651. Who is wise? He that learns from every one.
652. Who judges best of a man, his enemies or himself?
653. Who knows a fool, must know his brother; for one will recommend another. 


domingo, outubro 18, 2015

Psicologia - Frase da semana, 18OUT15: OLHAR A EXISTÊNCIA, OLHAR-SE CADA UM

Psicologia - Frase da semana, 18OUT15: OLHAR A EXISTÊNCIA, OLHAR-SE CADA UM

«A vida é bela, a arte longa, a experiência enganadora, a ocasião fugaz, o juízo difícil.» (Hipócrates).


“Life is short, art long, opportunity fleeting, experience treacherous, judgment difficult.”


“La vie est courte, l'art est long, l'occasion fugitive, l'expérience trompeuse, le jugement difficile.”
Hipócrates é uma referência incontornável da Medicina Ocidental. A citação que hoje aqui trago, há quem diga que é mais conhecida de todas as frases atribuídas ao eminente médico da Escola de Cós, na Grécia Antiga.

terça-feira, outubro 13, 2015

Psicologia - Frase da semana, 11OUT15: OS VALORES - PARA ALÉM DA TOLERÂNCIA

Psicologia - Frase da semana, 11OUT15: OS VALORES - PARA ALÉM DA TOLERÂNCIA

«A tolerância deve ser uma fase transitória. Deve conduzir ao respeito. Tolerar é ofender.» (Johann W. Goethe). 

Não acrescentarei mais nada ao pequenino texto - tão precioso! - de Gianfranco Ravasi. É, no fundo, uma de duas coisas (ou é mesmo as duas coisas): um desafio; uma lição sobre os valores.
As "Máximas e reflexões" do grande poeta alemão Goethe são uma fonte rica e fecunda de inspiração para a reflexão, como é o caso deste dito, que introduz uma distinção significativa.
De um lado está a tolerância, atitude muito cara à cultura iluminista (famoso é o elogio que dela compôs Voltaire). É verdade que diante do racismo, da xenofobia, das reações hostis perante tudo o que é diferente, que venha a tolerância, que é indulgência e aceitação de quaisquer opções distintas, desde que se insiram no quadro de um comportamento humano, ético e social aceitável.
Todavia, tem razão o célebre autor do "Fausto" (1749-1832) quando exprime uma reserva sobre a tolerância pura e simples, convidando à passagem para uma outra atitude, a do respeito.
É certo que deve haver sempre uma fronteira a observar, definida pelas leis do Estado e de uma moral de base partilhada pela generalidade das pessoas. Dentro deste perímetro é positivo passar do mero suportar ao esforço de compreender, ao diálogo paciente com o outro, à longanimidade no julgar, precisamente ao respeito.
Usos e costumes, visões do mundo, experiências culturais e religiosas podem ser semelhantes a um espectro de cores: cada um de nós deve ter bem firme a conceção que escolheu conscientemente, deve praticá-la e testemunhá-la com coerência.
Mas, ao mesmo tempo, é necessário conhecer e respeitar as perspetivas que não fazem explodir esse arco-íris, mas que são capazes de coexistir e exprimir-se juntamente com as outras. P. (Card.) Gianfranco Ravasi, Trad. / edição: SNPC, Publicado em 12.10.2015

domingo, outubro 04, 2015

Psicologia - Frase da semana, 04OUT15: QUE BELEZA E SAÚDE GANHAMOS (OU PERDEMOS) NOS GINÁSIOS

Psicologia - Frase da semana, 04OUT15: QUE BELEZA E SAÚDE GANHAMOS (OU PERDEMOS) NOS GINÁSIOS

A tua beleza / é essa luta de sombras / é o sobressalto da luz / num tremor de água / é a boca da paixão / mordendo o meu sossego. (Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho', poema No Teu Rosto)
John William Waterhouse, "Eco e Narciso", 1903
Vou regularmente ao ginásio - mais à sauna que ao ginásio -, de há algum tempo a esta parte, para "perder músculo" e suar valentemente, a libertar as toxinas. Cruzo-me com tanta gente de quem gosto verdadeiramente, sobretudo entre alunos actuais e antigos.
No grande ginásio e no balneário são tantos que eu vejo dedicados à composição de bebidas energéticas, de cremes, de loções, de cheiros: e de tatuagens. Depilações dos peitos e das pernas e tatuagens. Tantas tatuagens! Algumas deles, na verdade, lindas composições artísticas. Sim, algumas são mesmo muito bonitas. São, mas...
Mas há qualquer coisa que me aflige naqueles tantos cuidados consigo mesmos...
Só agora consegui encontrar num livro de Mia Couto, que comecei a ler há mais de um ano, interrompi e agora retomei, as palavras que ajudam a comunicar o meu pensamento sobre estas coisas dos corpos que nos ginásios se espremem na lufa-lufa da beleza cada vez mais apurada:
«Tu me olhavas enquanto, na cama, eu espalhava os cremes de beleza pelo corpo. Eram demasiados, queixavas-te: uma loção para o rosto, outra para o pescoço, uma para as mãos, outra ainda para o contorno olhos. Foram inventados como se cada porção de mim fosse um corpo em separado e sustentasse uma beleza própria. Para os vendedores de cosméticos já não basta que cada mulher tenha o seu corpo. Cada uma de nós tem vários corpos, existindo em autónoma federação. Era o que tu dizias tentando demover-me.
Perseguida pelo medo da velhice, deixei envelhecer a nossa relação. Ocupada em me fazer bela, deixei escapar a verdadeira beleza, que apenas mora no desnudar do olhar. O lençol esfriou, a cama se desaventurou. Esta é a diferença: a mulher que encontraste aí em África, fica bela apenas para ti. Eu ficava bela para mim, que é um outro modo de dizer: para ninguém.
[...] Acedemos ao pecado para fugir do inferno. Aspiramos à asa do desejo para, depois, tombarmos sob o peso da culpa.»
Assim posta fora do contexto esta longa citação pode ser tomada como - outra vez! - expressão da visão masculina egocêntrica. Sim, não deixará de o ser... mas o que eu quero realçar é que cada vez mais este "pecado das loções e dos cosméticos" é bi-sexual (ou assexuado), que se prolonga depois na relação a dois, de vida marital, que cada vez mais tarde - cada vez mais nunca - desemboca na família com prole.

sábado, setembro 19, 2015

Psicologia - Frase da semana, 20SET15: CRIANÇAS, CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO, REFUGIADOS

Psicologia - Frase da semana, 20SET15: CRIANÇAS, CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO, REFUGIADOS

«Os melhores de nós não regressaram [dos campos de concentração» (Viktor Frankl)
Não sou original quando digo que a grande esperança da Humanidade está em cada criança que nasce, trazendo consigo um potencial de inteligência, criatividade e humanismo constantemente renovados - livres de estereótipos, preconceitos e desconfianças.
Já antes da Segunda Grande Guerra, um assombroso médico e pedagogo polaco, Janusz Korczak (pseudónimo de Henryk Goldszmit), afirmava:
«As crianças não são os homens de amanhã, mas são os homens e as mulheres já de agora. As crianças têm mesmo de ser tomadas a sério. Têm direito a serem tratadas pelos adultos com respeito, como iguais. Devemos permitir-lhes que se desenvolvam no sentido do que queiram vir a ser - a pessoa que há dentro de cada criança é a esperança para o futuro.»
"Children are not the people of tomorrow, but are the people of today. They are entitled to be taken seriously. They have a right to be treated by adults with respect as equals. They should be allowed to grow into whoever they were meant to be – the unknown person inside each of them is the hope for the future." 
Gosto especialmente do seguinte trecho, escrito por Viktor Frankl (médico psiquiatra austríaco, sobrevivente de Auschwitz), sobre esse sujeito assombroso que foi Janusz Korczak:
«Korczak não é uma pessoa muito conhecida, ainda que esteja homenageado numa comovedora estátua em Yad Vashem, em Jerusalém. Em 1942 deportaram os seus órfãos para o campo de Treblinka, e ofereceram a Korczak a possibilidade de ficar e não seguir com eles. Recusou a oferta e entrou para o comboio que os deportava, com duas crianças ao colo, enquanto lhes contava histórias alegres. Mataram-no por solidariedade com os órfãos. Neste caso, este grande homem não sobreviveu por causa do seu sentido da vida, morreu por ele. Outros heróis reais foram assassinados por defenderem um companheiro, ou por ocuparem na fila o lugar de outro prisioneiro, ou por negarem-se a cumprir uma ordem das SS para agredir outra pessoa, ou por dar um pedaço de pão a uma criança com fome. Em qualquer um destes casos, os prisioneiros bem o sabiam: os melhores de nós não regressaram dos campos.» (Viktor Frankl, "El hombre en busca de sentido", Herder, 2004, p. 22)
Numa altura em que tanta gente boa teme empenhar-se no apoio aos refugiados sírios, afegãos e outros - tantas vezes com razões legítimas para o fazer! -, parece-me que há um momento em que, como dizia Denis Avey, prisioneiro de guerra inglês que terá trocado com um desgraçado judeu em Auschwitz, por duas ocasiões, «Não tens de pensar, tens de agir.» É, quando há crianças, quando há outros seres humanos iguais a nós, há um momento - urgente! - em que é preciso agir; mesmo que, a curto ou a longo prazo a nossa acção ponha em risco a nossa vida. É assim que eu entendo a MINHA humanidade; é assim que eu dou sentido à MINHA  vida.
Não salvar uma criança, para quem acredita como eu acredito - e como Korczak também acreditava - é comprometer a esperança do Futuro.



domingo, setembro 13, 2015

A NOSSA DIVERSIDADE É A NOSSA RIQUEZA

Psicologia - Frase da semana, 13SET15: A nossa diversidade é a nossa riqueza

https://www.flickr.com/photos/quasimondo/
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A NOSSA DIVERSIDADE É A NOSSA RIQUEZA
A diversidade genética sabiamente conduzida pela diversidade civilizacional é a grande força do combate às desigualdades sociais e ao bem-estar de todos os grupos humanos.
A experiência civilizacional garante os rituais de inibição da agressividade destrutiva e promove a interacção tolerante entre os grupos humanos que vivem em ambientes de vida de recursos limitados.
HUMAN DIVERSITY IS HUMAN STRENGTH
Genetic diversity wisely conducted by civilizational diversity is the greatest strength to combat social inequality and to reach the welfare of all human groups.
The civilizational experience ensures the rituals to inhibit inner destructive aggressiveness and promotes tolerant interaction between human groups living in environmental resource-limited settings.

domingo, agosto 30, 2015

Psicologia - Frase da semana, 30AGO15: A EXTRAORDINÁRIA CAPACIDADE LINGUÍSTICA DO BEBÉ HUMANO

Psicologia - Frase da semana, 30AGO15: A EXTRAORDINÁRIA CAPACIDADE LINGUÍSTICA DO BEBÉ HUMANO

«Babies all over the world are what I like to describe as "citizens of the world." They can discriminate all the sounds of all languages, no matter what country we're testing and what language we're using, and that's remarkable because you and I can't do that. We're culture-bound listeners. (...)» (Patricia Kuhl)


O que faz o espantoso sucesso linguístico dos bebés?
Primeiro: os bebés focam-se em TODOS os estímulos que lhes colocam e constrói frequências estatísticas dos mais usados e dos menos usados.
Segundo: e muito mais importante! O bebé aprende muito mais através da interacção humana activa do que a observação passiva da televisão e da audição, também passiva, de sons.
Atenção, pais! Atenção, professores! Atenção, ministros da Educação!
Há mesmo que dar uma volta muito grande à organização social das famílias: os pais têm mesmo de ter tempo para os filhos! Para falar com eles; e falar bem, com muita clareza, sem comer as sílabas e sem abebezar as palavras!
Há que privilegiar nas escolas, o diálogo, as conversas; a interacção entre as crianças, e entre as crianças e os professores - ponham-se mesmo os computadores ao canto! Ou usem-nos apenas como suporte à interacção social.

domingo, agosto 23, 2015

Psicologia - Frase da semana, 23AGO15: FALAR É UMA NECESSIDADE, OUVIR É UMA ARTE

Psicologia - Frase da semana, 23AGO15: FALAR É UMA NECESSIDADE, OUVIR É UMA ARTE (1)

«Cerca de sessenta por cento do nosso tempo a comunicar é dedicado a ouvir. Mas não somos muito bons nisso, em geral, só conseguimos reter 25 por cento do que ouvimos.» (Julian Treasure)
Por isso, para fazermos bom uso deste aviso, não vamos falar mais; vamos já ouvir a breve e muito interessante palestra de Julian Treasure. Aqui. Com legendas em português.

English:
«We spend roughly 60 percent of our communication time listening, but we're not very good at it. We retain just 25 percent of what we hear.»

(1) A autoria desta afirmação é geralmente atribuída a Johann Wolfgang von Goethe.

domingo, agosto 16, 2015

Psicologia - Frase da semana, 16AGO15: ESPÍRITO DE EQUIPA. QUEM O TEM?

Psicologia - Frase da semana, 16AGO15: ESPÍRITO DE EQUIPA. QUEM O TEM?

A opinião de Jean Monnet desafia-nos:
«[Kaplan] era alguém que tinha espírito de equipa em grau muito elevado, qualidade rara e desconhecida por ser, por natureza, atributo dos homens modestos.» (Memórias, Ulisseia, 2004 (1976), p. 228-9)
"Eu sou o garante do espírito de equipa...
E vocês, então, fecham a equipa  e ficam contentes com isso."
«Il avait à un très haut degré l'esprit d'équipe, qualité rare et méconnue parce qu'elle est, par nature, l'attribut des hommes modestes.»
Jean Rostand, compatriota de Monnet, 6 anos mais novo, que viveu a mesma história europeia e mundial, até 1977, disse assim sobre a modéstia dos homens modestos:
«La modestie témoigne d'ordinaire qu'on a l'orgueil à vif.»
«Normalmente, a modéstia é testemunho de um intenso orgulho interior.» 
Será que Jean Rostand nos está, implicitamente, a dizer que a modéstia se conquista e se auto-disciplina? ... Será que Monnet pensava também assim, ou para ele a modéstia era um dom natural?...
Já agora, e, se calhar, fruto da mesma lógica que o fez escrever assim sobre a modéstia, Jean Rostan escreveu também o seguinte:
«La science a fait de nous des dieux, avant même que nous méritions d'être des hommes.»
«A ciência torna-nos deuses, antes mesmo de merecermos ser homens.» 


domingo, agosto 09, 2015

Psicologia - Frase da semana, 09AGO15: INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO, SABEDORIA

Psicologia - Frase da semana, 09AGO15: INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO, SABEDORIA


Rutherford D. Rogers
«Estamos atolados em informação e carecemos de conhecimento.» (Rutherford D. Rodgers)

We’re drowning in information and starving for knowledge.

Notável apaixonado pelos livros e pela organização das bibliotecas (com uma componente investigativa intensa), este praticamente centenário cidadão americano (morreu em Fevereiro deste ano, a chegar ao centésimo aniversário) sabe bastante bem o que diz.
A afirmação pede o esforço e a extensão de uma tese, mas o o tempo é hoje especialmente curto.
Acrescentarei apenas duas coisa, praticamente deduzindo uma da outra:
- o conhecimento resulta do que se faz com a informação;
- e o que se faz depende do treino da atenção, da reflexão e da assimilação, que se educam, que se aperfeiçoam com a experiência.
Joseph Collins, americano também, chegava aos 50 anos quando Rutherford Rodgers nasceu; era médico neurologista e tal como R. D. Rodgers, amante de livros. No que diz respeito à experiência, ele deixou-nos escrito este estimulante aviso:
«A pessoa prudente tira proveito da experiência pessoal; a sábia, da experiência dos outros.»A prudent person profits from personal experience, a wise one from the experience of others.

domingo, agosto 02, 2015

Psicologia - Frase da semana, 02AGO15: SOBRE O HOMO EGOISTICUS

Psicologia - Frase da semana, 02AGO15: SOBRE O HOMO EGOISTICUS


«Não há dúvida de que o egoísmo do homem e das nações resulta
http://mankindinthebalance.blogspot.pt/2010/03
/can-humanity-still-improve-its-ways.html
em muitos casos do conhecimento imperfeito do problema que se coloca, sendo que cada pessoa se inclina para ver apenas o aspecto do seu interesse imediato.»
(Jean Monnet, Memórias, Ulisseia, 2004 (1976), p. 82)

Não sou adepto, ou melhor, sou muito reservado - sou mesmo desconfiado - acerca destas analogias entre o particular e o geral, entre o individual e o colectivo.
O que pretendo relevar especialmente com esta citação de um dos sonhadores-fundadores da Europa unida é a importância que ele dá à dimensão da informação necessária para que os indivíduos e os grupos possam pensar...com menos egoísmo nos assuntos ou questões que são inerentes à vida em grupo, seja ele nuclear (a família, a escola, o local de trabalho), seja ele extenso (as comunidades de pertença, a nação).
A incerteza, a dúvida, o desconhecimento geram insegurança; a insegurança gera retraimento, medo. Preocupado em salvar a sua pele, o indivíduo retrai o companheirismo, a cooperação, a solidariedade.
O egoísmo estará para o indivíduo assim como o nacionalismo estará para os países e as nações.
Noutra parte das suas Memórias, para obstar à emergência destes sentimentos negativos, Monnet empenhava-se da seguinte maneira:
Púnhamos as cartas na mesa e todos podiam ter a certeza de que usávamos a mesma linguagem com todos. Se nem sempre dizer tudo a todos, é indispensável dizer a todos a mesma coisa.
 Robert Cecil - que foi Prémio Nobel da Paz em 1937 pela sua contribuição para a constituição da Sociedade das Nações, fundada em 1919, em consequência directa da Primeira Grande Guerra -, era um estadista profundamente respeitado por Monnet. Dele Monnet cita a seguinte afirmação nas suas Memórias (p. 84):
Se as nações são no fundo egoístas, estúpidas e melindrosas, nenhum instrumento, nenhum mecanismo as conseguirá deter." 
Ainda segundo Monnet, a grande esperança de Cecil para se conseguir ter mão neste fundo egoísta era a seguinte: a opinião pública. Sim, a opinião pública. Informada, é claro.
E quanto vale a opinião pública? Quase 90 anos depois das crenças e descrenças de Cecil, James Surowiecki escreve um  muito interessante livro, A Sabedoria das Multidões, em que se mostra - convicentemente! - muito animado sobre o tremendo valor da avaliação das multidões, dando bom eco da optimista crença de Cecil. Assim ambos tenham razão!

domingo, julho 26, 2015

Psicologia - Frase da semana, 26JUL15: NO DIA DOS AVÓS, O "HOMO HOMINI LUPUS"

Psicologia - Frase da semana, 26JUL15: NO DIA DOS AVÓS, O "HOMO HOMINI LUPUS"


William Bouguereau (1825-1905) Dante et Virgile
(Virgilio e Dante conversam enquanto
um homem devora outro homem.)
«O homem é o lobo do homem.»
(anónimo, "Um Mulher em Berlim, Asa, 2014, p. 196)
Qual ironia, qual absurdidade, as Culturas Humanas puseram às costas de um animal profundamente gregário, a maldade que, afinal, é tão intrinsecamente humana. Até nos contos infantis tradicionais, o lobo é o mau da fita.
Parece haver consenso na atribuição da autoria da afirmação: Plautus, em Asinaria, escreve: "Lupus est homo homini, non homo, quom qualis sit non novit".
A fórmula reduzida, se calhar, é bem mais verdadeira - é que Plautus ainda punha uma condição: a da maldade do homem se exercer sobre o Outro que o homem não conhece. A experiência dos homens, a experiência das culturas, a experiência das civilizações tem mostrado que, infelizmente, não é só na condição do Outro desconhecido.
São as culturas dos grupos humanos que produzem a "lobalização" do homem.
Celebra-se  neste dia do calendário, no Brasil e em Portugal, o Dia dos Avós. Embora as raízes pareçam cristãs, quantas celebrações os cristãos penduraram em rituais mais ancestrais que eles? Por isso, quanto às origens, não trago tese...
Penso que a celebração é mais forte no Brasil do que em Portugal. Mais uma vez, desta questão não faço tese.
Oportuno parece-me ser um texto que li há um ou dois dias. É um excerto do livro que já trouxe no apontamento anterior, e do qual também retirei a máxima de Plautus (a forma reduzida). É sobre a maneira de tratar os velhos, que fazem a quase totalidade dos avós; e sobre como alguns deles conseguem ir um pouco além do sofrimento resignado:
SEGUNDA-FEIRA, 4 DE JUNHO DE 1945 [em Berlim, logo após a ocupação pelas tropas russas, no final da Segunda Grande Guerra]
 [...] Cerca das seis da tarde, empreendo a longa caminhada de regresso a casa. As ruas estavam cheias de pequenas caravanas de gente cansada. De onde vêm? Para onde vão? Não sei. A maioria dos grupos dirigia-se para leste. Os veículos assemelhavam-se todos: miseráveis carrinhos de mão sobrecarregados com sacos, caixas, malas de viagem. À frente vai uma mulher, ou o filho mais velho, que com a ajuda de uma corda puxam o carrinho. Atrás seguem crianças ou o avô, que empurram. Em cima do amontoado do carrinho, vejo ainda outros seres humanos: crianças muito pequenas ou pessoas idosas. Estes idosos, sejam homens ou mulheres, têm um aspecto terrível no meio de todos aqueles trastes. Pálidos, decrépitos, já meio mortos, semelhantes a molhos de ossos. Nos povos nómadas, como os lapões ou os índios, os velhos costumavam enforcar-se numa árvore quando já não tinham qualquer préstimo, ou esconder-se na neve para morrer. A civilização cristã carrega-os consigo enquanto respiram. Muitos deles terão de ser enterrados na berma da estrada.
«Honrai os vossos velhos.» De acordo, mas não em fuga sobre carrinhos de mão. Não é o local ou o momento propícios para isso. Pus-me a reflwctir sobre a posição social dos velhos, sobre o valor e a dignidade daqueles que viveram longo tempo. Outrora, eram os senhores da propriedade. Mas no meio das massas sem posses, às quais a maioria pertence nos dias que correm, a velhice não tem qualquer valor. Já não é venerada, mas apenas digna de compaixão. No entanto, é justamente essa posição ameaçada que incita os velhos e atiça a sua vontade de viver. O desertor do nosso prédio contou à viúva que tinha de esconder da sogra tudo o que fosse comestível. Ela rouba sempre que pode e come tudo às escondidas; devora sem quaisquer escrúpulos as rações da filha e do genro. Se lhe dizem alguma coisa, começa a lamentar-se afirmando que querem matá-la à fome, ou até assassiná-la, para herdar o seu apartamento... E, assim, respeitáveis matronas transformam-se em animais, agarrando-se ao que lhes resta de vida.» (pp. 273-4)
Na minha mente, entretanto, tenho hoje os meus alunos que, com evidente carinho, têm feito os seus trabalhos monográficos sobre os seus avôs; e tenho também a Mariana e a Marilene, primas que na distante Bahia vão hoje celebrar especialmente, muito carinhosamente, os avós e os idosos.