segunda-feira, setembro 15, 2014

Psicologia - Frase da semana, 15SET14: RECOMEÇAR COM EÇA DE QUEIROZ

Psicologia - Frase da semana, 15SET14: RECOMEÇAR COM EÇA DE QUEIROZ:

Recomeçar a escola - O PRAZER COLETIVO DA CRIAÇÃO DO PENSAMENTO

"Estou a vê-lo, de pé, curvado sôbre a alta mesa de trabalho de Oliveira Martins, esguio, no comprido fraque negro escorrido ao longo do corpo esquelético, o perfil adunco contraído no seu rictus irónico, o monóculo encravado na arcada superciliar, a mão fina e delicada correndo vertiginosamente sôbre as largas fôlhas de papel assetinado. (...)
A cada instante, Eça de Queiroz interrompia a escrita e lia um trecho do trabalho já feito, entre um côro de ruidosas gargalhadas. Outras vezes pedia idéias, exigia ditos sublimes, ¡reclamava génio!... E logo remergulhava na redacção dessa formidável e tintamarresca pasquinada. (...)
Ah! não a esquecerei nunca, essa noite alegre de boémia do espírito, de Carnaval literário, em que êsses grandes intelectuais foliavam como pierrots enfarinhados, atirando às mãos ambas, sobre a multidão, sobre os políticos, os literatos, os homens do dia, ¡os confetti e as serpentinas da chalaça, das alusões picantes, da desenvolta fantasia clownesca! (...)
Ouvir conversar êsses homens constituía, com efeito, um regalo epicurista da inteligência, uma verdadeira delícia espiritual."
(Luís de Magalhães, in «Eça de Queiroz, "In Memoriam"». Coimbra, Atlântida, 1947, p. 233-247)
NOTA: mantém-se a grafia da época.

domingo, junho 08, 2014

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Psicologia - Frase da semana, 09JUN14: DE QUE COR ÉS TU?

Amanhã concluirei o relacionamento formal com os meus alunos do 12.º ano deste ano escolar. É dia de dar notas. De Setembro até à sexta-feira passada, falámos muito, pensámos muito; e, sobretudo, criámos entre nós e com outros fora de nós, em Portugal e no Mundo inteiro - sim, no Mundo inteiro! -, muitas coisas de valor, de muita Cultura e Humanidade.
Este pequeno excerto da entrevista de Agualusa e Mia Couto, da edição do Público de hoje, tem muito a ver com as descobertas que fizemos e com o olhar sobre as Pessoas e o Mundo que inventámos entre nós e partilhámos com os outros.
Simbolicamente, esta entrevista chegou no momento certo! É que no decorrer da semana o próprio Mia Couto nos disse que podemos contar com ele para as aulas de Psicologia no próximo ano!
Na entrevista, a jornalista pergunta a Agualusa: "Os adultos não vêem?"
Agualusa responde: Nalguns casos, vêem à medida que envelhecem. As crianças vêem o evidente. Costumo contar uma história da minha filha, quando era bem pequenina. Uma senhora fez-lhe uma pergunta muito idiota. "De que raça és tu?" Ela não entendeu. Não tinha sequer o conceito de raça. A senhora tentou corrigir a pergunta, errando ainda mais. "De que cor és tu?" A minha filha olhou muito espantada. 

"Mas não vês que sou uma menina? As meninas são pessoas. As pessoas têm cores diferentes. A minha língua é vermelha, os meus dentes são brancos, o meu cabelo é castanho."
Temos todas as cores. É preciso uma criança de quatro anos para dizer o óbvio.

domingo, junho 01, 2014

Psicologia - Frase da semana, 02jun14: Ecos do Dia Mundial da Criança

Psicologia - Frase da semana, 02JUN14: Ecos do Dia Mundial da Criança

"A protecção e a segurança não acontecem por acaso, são o
http://photos.stevemccurry.com.s3.amazonaws.com
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resultado de um consenso colectivo e de investimento público. Devemos aos nossos filhos, os cidadãos mais vulneráveis ​​na nossa sociedade, uma vida livre de violência e medo."
"Não há expressão mais pura da alma de uma sociedade do que a maneira como essa sociedade trata as suas crianças." Nelson Mandela, citado por Steve McCurry na sua extraordinária galeria de fotografias CHILDREN.



"Safety and security don't just happen, they are the result of collective consensus and public investment. We owe our children, the most vulnerable citizens in our society, a life free of violence and fear." "There can be no keener revelation of a society's soul than the way in which it treats its children." - Nelson Mandela

domingo, maio 25, 2014

Psicologia - Frase da semana, 26mai14: A Personalidade e o que a determina

Psicologia - Frase da semana, 26mai14: A Personalidade e o que a determina
Henry Murray foi autor de um dos grandes clássicos na esfera dos testes de  projectivos da personalidade, o T.A.T.
Clyde Kluckhohn era um antropólogo, que nem sempre pensou a mesma coisa sobre a igualdade e as diferenças rácicas, étnicas e biológicas entre os diferentes grupos humanos.


"Cada homem é, nalguns aspectos,
a) igual a todos os homens
b) igual a alguns outros homens
c) como mais nenhum outro homem é."



EVERY MAN is in certain respects
a. like all other men,
b. like some other men,
c. like no other man.
Henry A. Murray and Clyde Kluckhohn, from Personality in Nature, Society, and Culture, (1953).

Nota: Recuperei esta afirmação de um texto de apoio ao estudo da Personalidade, que fez parte da minha formação de base em Psicologia, no final dos anos 70. Nesta altura, corrijo a data do texto que nos foi distribuído, escrito à máquina, para fotocopiarmos: a afirmação não é de 1958, mas de 1953.

segunda-feira, maio 19, 2014

Psicologia - Frase da semana, 19mai14: Conhecimento, Inteligência e Bom-senso

Psicologia - Frase da semana, 19mai14: Conhecimento, inteligência e bom-senso

Bertrand Russell, filósofo inglês, deixou-nos algumas interrogações muito pragmáticas, que, na verdade, têm o condão de trazer a reflexão filosófica e epistemológica para as conversas ou pensamentos do dia-a-dia. 18 de Maio era o dia do seu aniversário.
http://gralefrit.wordpress.com/2013/11/04/
bertrand-russell-and-the-image-of-god/

"De que nos serve o bem que é a conquista do lazer e do bem-estar se depois não nos lembramos de os usar?"



"What will be the good of the conquest of leisure and health, if no one remembers how to use them?"

domingo, maio 11, 2014

Psicologia - Frase da semana, 12mai14: Ser solidário, olhando o futuro

Psicologia - Frase da semana, 12mai14: Ser solidário, olhando o futuro

Nicholas Winton faz anos no próximo dia 19. Merece, nesse dia, um minuto do nosso pensamento, a ele bem dedicado.
Nicholas Winton, que nasceu em 1909, afirma há poucas semanas, aos 104 anos:
"Não estou interessado no passado... Eu penso que hoje em dia há demasiada ênfase no passado e no que aconteceu, e ninguém está concentrado no presente e no futuro."
Os 104 anos de vida deste homem, o seu comportamento aos 29 anos de idade, a humildade e a discrição dos seus seguintes 50 anos de vida; e as consequências evidentes, a favor da vida, do seu comportamento, tudo isto junto garante os créditos que justificam toda a atenção que possamos dar ao que ele diz agora que a morte está seguramente muito próxima.


"I'm not interested in the past. I think there's too much emphasis nowadays on the past and what has happened. And nobody is concentrated on the present and the future.

Consolidação da notícia aqui.

segunda-feira, maio 05, 2014

Psicologia - Frase da semana, 05mai14: O desafio de pensar o que já foi pensado

Psicologia - Frase da semana, 05mai14: O desafio de pensar o que já foi pensado

Goethe deve ter lido o que qualquer um de nós pode ler também, por exemplo, que já no
http://pissenlitsgenereux.blogspot.pt/2010/
09/texte-lengagement-selon-goethe.htm
l
tempo dos filósofos da Grécia Antiga se dizia que tudo o que se pensa no presente foi seguramente pensado antes no passado. O que ele fez foi ir um pouco mais além, lançando-nos o repto do que nos cabe fazer no presente; no fundo, no renovado presente de cada geração:

"Tudo já foi pensado antes de nós, o problema é pensar nas coisas outra vez"Goethe, citado por Bronfenbrenner, na obra-mestra "The Ecology of Human Development", publicada em 1979.

Escreve assim Urie Bronfenbrenner, logo a abrir o livro: "Goethe, who commented wisely on so many aspects of human
experience, said of our attempts to understand the world
Everything has been thought of before,
The difficulty is to think of it again."


domingo, abril 27, 2014

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio

Psicologia - Frase da semana, 28abr14: Entre a esperança do 25 de abril e a luta do 1.º de maio


http://blog.uchceu.es/periodismo/tag/ortega-y-gasset/
"Só todos os homens logram expressar o humano", gosta de repetir [Ortega Y Gasset] citando Goethe. As palavras são do padre Manuel Antunes, SJ, (FCG, tomo I, vol. III, p. 438)

Um especial abraço ao António Almeida e ao Nuno Raimundo - um foi meu aluno há alguns anos; o outro está quase a deixar de sê-lo. O António, tomei como se ele me interpelasse no que escreveu no Facebook (1) sobre o 25 de abril; o Nuno interpelou-me com uma série - nada menos do que 7!, ou melhor, 7 mais 1 - de vídeos sobre realizações notáveis de seres humanos.

E limito-me a transcrever mais algumas palavras do padre Manuel Antunes do texto que ele escreveu sobre Ortega Y Gasset:
"Ora sendo cada indivíduo «un punto de vista esencial» (o sublinhado é do autor), a verdade omnímoda e absoluta só se conseguiria pela soma ou justaposição de todos os pontos de vista. (...) Cada época vive um clima próprio, em parte criação sua e, em parte, herança da anterior; cada época possui uma peculiar «sensibilidade vital», um horizonte biológico dentro do qual se dilata ou encolhe. Cada mudança de sensibilidade ou de clima leva consigo o desaparecimento de uma geração e o aparecimento de outra. Uma geração é pois «un modo integral de existencia o, si se quire, una moda, que se fija indeleble sobre el individuo» (V, 39) E a imagem acorre, pronta, a esclarecer a ideia. Uma geração é uma «caravana» dentro da qual o homem avança prisioneiro mas, ao mesmo tempo, «secretamente voluntário e satisfeito». (...) Estabelecido o conceito de geração - «o mais importante da história», «o gonzo» sobre o qual ela gira - como «compromisso dinâmico entre massa e indivíduo» (III, 147), passa Ortega a determinar-lhe o espaço de duração. Trinta anos. Na idade de cada homem, dos 30 aos sessenta. Trinta anos partidos ao meio: até aos quarenta e cinco, «etapa de gestação ou criação e polémica»; daqui à outra meta, «etapa de predomínio e mando». Como na história normal não existem hiatos, isto significa que «siempre hay dos generaciones actuando al mismo tiempo, con plenitude de actuación, sobre los mismos temas y en torno a las mismas cosas - pero con distinto índice de edad y, por ello, con distinto sentido» (V. 49). Enquanto uma vive instalada no mundo que ela criou, a outra está apostada à construção do mundo onde se instalará. Gerações imediatas e, por isso, declarada ou larvadamente, antagonistas.

Estás vendo, meu querido António, estamos - se Ortega Y Gasset estiver certo - condenados ao antagonismo. Olha, sendo assim, não deixe a gente perder as oportunidades de se encontrar, abraçar, discutir e tomar um copo!
Nuno, meu querido aluno, faz precisamente este ano 100 anos que Ortega Y Gasset fez publicar a sua célebre afirmação, que tanto tenho repetido nas aulas: «Yo soy yo y mi circunstancia». Tudo o que me mandaste na volumosa encomenda é expressão disto mesmo: da maneira bem criativa como o génio humano tira partido da circunstância específica do tempo, do local e da história.

________________________
(1) "O 25 de Abril hoje deveria significar a nossa vontade em libertarmo-nos da dependência externa para pagarmos o que devemos, devia conduzir-nos no caminho das soluções para quebrarmos esse desgraçado estado económico que é também um estado de alma. O 25 de Abril hoje deveria significar que estamos prontos para ir em busca do que realmente nos faz felizes, esquecendo os ditames de uma sociedade cinzenta que teima em olhar para trás. O 25 de Abril hoje deveria ser um grito de esperança e não um suspiro de saudade." (https://www.facebook.com/antonio.almeida.7902?fref=ts)

sábado, abril 19, 2014

Psicologia - Frase da semana, 21abr14: À volta da ideia de Morte e Ressurreição

Psicologia - Frase da semana, 21abr14: À volta da ideia de Morte e Ressurreição


"O anseio de continuar a existir é a mais antiga e a mais grandiosa
http://it.wikipedia.org/wiki/File:Head_of_a_philosopher
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de todas as formas de eros." 
Plutarco (século I). Non posse suaviter vivi secundum Epicurum (1104C )

 "The longing for being, the oldest and greatest of all forms of eros."
Muitos autores  - da ciência, da filosofia, da literatura, das outras artes - produzem escritos, produzem obras sobre a perenidade da existência individual.
No livro onde encontrei a afirmação de Plutarco, logo mais abaixo vem esta reflexão de Richard Dawkins (1976):
"Quando morremos, existem duas coisas que podemos deixar depois de nós: genes e memes. Nós fomos construídos como máquinas de genes, criados para passar adiante os nossos genes. Mas esse nosso aspecto estará esquecido em três gerações. Os nossos filhos, ou mesmo os nossos netos podes apresentar alguma semelhança connosco, em traços faciais talvez, no talento para a música, na cor dos cabelos. Mas, a cada geração que passa, a contribuição dos nossos genes é cortada pela metade. Não demora muito até que chegue a proporções negligenciáveis. (...) Mas, se contribuirmos para a cultura mundial, se tivermos uma boa ideia, compusermos uma melodia, inventarmos um artefacto tecnológico, escrevermos um poema, isso poderá continuar vivo, incólume, até muito tempo depois que os nossos genes se tenham dissolvido no reservatório comum. Sócrates pode ou não ter um ou dois genes hoje ainda vivos no mundo, mas quem se importa? Os feixes de memes(1) de Sócrates, Leonardo, Copérnico e Marconi continuam vigorosamente ativos." 
[I have been a bit negative about memes, but they have their cheerful side as well.] When we die there are two things we can leave behind us: genes and memes. We were built as gene machines, created to pass on our genes. But that aspect of us will be forgotten in three generations. Your child, even your grandchild, may bear a resemblance to you, perhaps in facial features, in a talent for music, in the colour of her hair. But as each generation passes, the contribution of your genes is halved. It does not take long to reach negligible proportions. [Our genes may be immortal but the collection of genes that is any one of us is bound to crumble away. Elizabeth II is a direct descendant of William the Conqueror. Yet it is quite probable that she bears not a single one of the old king’s genes. We should not seek immortality in reproduction.]
But if you contribute to the world’s culture, if you have a good idea, compose a tune, invent a sparking plug, write a poem, it may live on, intact, long after your genes have dissolved in the common pool. Socrates may or may not have a gene or two alive in the world today, as G. C. Williams has remarked, but who cares? The meme-complexes of Socrates, Leonardo, Copernicus and Marconi are still going strong. (From Chapter 11 of The Selfish Gene: 30th Anniversary Edition)

(1) Meme, explicado de uma forma muito simples, é a unidade básica de memória, física (no cérebro) ou representada por um escrito, por uma obra (desenho, pintura, escultura, objeto, etc.), tal como o gene é a unidade básica da informação genética. O termo foi criado pelo próprio Richard Dawkins. 

domingo, abril 13, 2014

Psicologia - Frase da semana, 14abr14, "O que é a felicidade? / 01"

Psicologia - Frase da semana, 14abr14, "O que é a felicidade? / 01"

É um tema recorrente, que volta sempre a cada nova leva geracional da nossa espécie. E quantas vezes se repete dentro da mesma geração!
http://statusmind.com/happiness-facebook-status-68/
"A felicidade é a satisfação tardia de um desejo pré-histórico. Eis por que a riqueza [material] traz tão pouca felicidade; o dinheiro não é um desejo infantil."
Sigmund Freud, numa carta a Wilhelm Fliess, com a data de 16 de janeiro de 1898.
Citar autores, tantas vezes, "descontextualizando" (como modernamente se diz) as frases e os sentidos, tem os seus escolhos, os seus riscos. Seja. Escudemo-nos na autoridade cultural reconhecida de duas personagens que da Lei da Morte se libertaram. Séneca, no século I: "O que quer que seja que um outro disser bem, é meu." E Jorge Luís Borges, em 1969: "Que outros se ufanem das páginas que escreveram; a mim me orgulham as que tenho lido."

"Happiness is the belated fulfillment of a prehistoric wish. For this reason wealth brings so little happiness. Money was not a childhood wish."Letter from Freud to Fliess, January 16, 1898.

domingo, abril 06, 2014

"Quem somos, o que somos?"

Psicologia - Frase da semana, 07abr14, "Quem somos, o que somos?"


"O burro não é de onde nasce, o burro é de onde pasta."
créditos da fotografia: Bruno Filipe M


Esta pérola da sabedoria popular, ouvi-a num muito interessante serão sobre o folclore e os instrumentos musicais da tradição de Miranda do Douro.

"Foi reproduzida pelo Pedro Almeida, da Associação Lérias (Palaçoulo), no âmbito da visita de estudos "Bamos er mirandeses!", dos alunos de Psicologia e EMRC da Escola Secundária Eça de Queirós

domingo, março 30, 2014

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"

Psicologia - Frase da semana, 31mar14, "Os três «imortais» princípios da educação"


Segundo Cícero, os três princípios da Educação tradicional romana eram os seguintes: gravitas, pietas, simplicitas.


  • Gravitas representava o sentido da responsabilidade;
  • Pietas funcionava como o vínculo, por excelência, que ligava o homem romano: aos deuses, aos membros da sua família - vivos e mortos -, e à Cidade.
  • Simplicitas devia incutir o sentido do valor autêntico de cada pessoa e de cada coisa.

"«Imortais» chamámos aos princípios que Cícero nos transmitiu como constitutivos básicos da formação dos seus compatriotas. E não o serão, de facto? Não representarão eles valores permanentes, na sua essência, uma vez despojados, na medida em que isso é possível, das circunstancialidades de tempo e de espaço? Embora formulados numa sociedade «arcaica», não serão eles aptos - uma vez mais, na sua essência - a formar homens, que o sejam, na verdade, pertencentes a uma sociedade industrial?"
Estas interrogações - provavelmente, mais atuais que nunca -, encontramo-las deixadas pelo padre Manuel Antunes, em 30 de julho de 1970.
(padre Manuel Antunes, Obra Completa, tomo II, Paideia e Sociedade, 2.ª ed., 2008. F.C.G., p. 105-106.)

"Behind such heroines were the nameless wives whose marital fidelity and maternal sacrifices sustained the whole structure of Roman life. The old Roman virtues — pietas, gravitas, simplicitas — the mutual devotion of parents and children, a sober sense of responsibility, an avoidance of extravagance or display—still survived in Roman homes."
(Will Durant, Caesar and Christ, 2011)

domingo, março 23, 2014

O que vale pensar interrogativamente?

Psicologia - Frase da semana, 24mar14, "Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"
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O que vale pensar  interrogativamente?
Pensar e deixar pensar...
O valor da diversidade do pensamento; o valor do pensamento individual.
Afirma Jane Goodall depois de estudar o comportamento dos chimpanzés e o comportamento humano durante mais de 40 anos:

- " O que nos torna humanos, penso eu, é a capacidade de nos interrogarmos, que é uma consequência da sofisticada linguagem falada que possuímos."


"What makes us human, I think, is an ability to ask questions, a consequence of our sophisticated spoken language." - Dr. Jane Goodall.

sábado, março 15, 2014

A representação mental das relações interpessoais

http://fanart.tv/fanart/music/1582a5b8-538e-45e7-9ae4-4099439a0e79/
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Psicologia - Frase da semana, 17mar14, "A representação mental das relações interpessoais"

"Certa vez, alguém perguntou a Ben Harper, um famoso músico americano:
-
Ouvimos dizer que você tem um novo baterista na banda. Diga-me uma coisa: ele é negro?
E Harper respondeu:
- Não sei, nunca lhe perguntei."

Mia Couto, Pensatempos (textos de opinião), 2005. Editorial Caminho, p. 89. 

"Once Ben Harper, a famous American musician, was asked: 
- We have heard you have a new drummer in your band. Tell me one thing: is he black? 
And Harper replied: 
- I do not know, I never asked him. "

domingo, março 09, 2014

Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?

Psicologia - Frase da semana, 09mar14, "Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"

O Facebook e o Twitter beneficiam ou prejudicam a nossa felicidade?
http://stewards.snre.umich.edu/sites/alumni.snre.umich.edu/
files/styles/large/public/articles/lama-spring08.jpg?itok=iiTSYrhQ
Dalai Lama: - "Depende do modo como os usamos. Se a pessoa tem uma certa força interior, uma certa confiança, não há problema. Mas se a mente de uma pessoa é fraca, então existe mais confusão. A culpa não é da tecnologia. Depende do utilizador da tecnologia."
(Em Portugal, ver revista Visão, n.º 1098, 20 a 26 de março de 2014, p. 106)


O Dalai Lama tem sido um muito ativo animador de encontros entre gentes de todo o mundo, de muitas especialidades científicas, para reflexão sobre o cérebro, a força das emoções e o poder da inteligência e a mente; na senda da promoção do bem-estar. Tem sido mesmo um esforço notável, por exemplo, no âmbito do Mind  Life Institute.


Do Facebook and Twitter help or hurt our happiness?
It depends on how you use them. If the person, himself or herself, has a certain inner strength, a certain confidence, then it is no problem. But if an individual’s mind is weak, then there is more confusion. You can’t blame technology. It depends on the user of the technology.

domingo, fevereiro 16, 2014

"Vale muito a nossa memória de trabalho!"

Psicologia - Frase da semana, 17fev14, "Vale muito a nossa memória de trabalho!"

"O que processamos [mentalmente], nós aprendemos. Se não processarmos a vida, não a estaremos a viver."
Trata-se de uma pequena palestra sobre o que é a memória de trabalho (working memory), e a dinâmica funcional deste processo cognitivo. Excelente palestra, em grande sintonia com as orientações gerais da lecionação da disciplina de Psicologia B.

"What we process, we learn. If we're not processing life, we're not living it."

"Ce que nous traitons, nous l'apprenons. Si on ne traite pas la vie, on ne la vit pas."


(legendas em português do Brasil)

domingo, fevereiro 09, 2014

Psicologia - Frase da semana, 10fev14, "Errando emenda-se o erro".

Psicologia - Frase da semana, 10fev14, "Errando emenda-se o erro".


http://www.nicolemccance.com/blog/2013/10/20/admit-your-mistakes/
"Os homens geniais não cometem erros. Os seus erros são deliberados e são as portas de entrada das [suas] descobertas."
James Joyce, in Ulisses (1922).

"A man of genius makes no mistakes. His errors are volitional and are the portals to discovery."
James Joyce, in Ulysses. Ulysses (1922) is a novel by James Joyce, written in Trieste, Zurich, and Paris (1914-1921). 


O ditado popular que dá título a este apontamento tem a mesma sabedoria da afirmação produzida pela personagem de James Joyce.
No fundo, a ideia que se pretende transmitir vai ao arrepio do vício que as escolas, os pais e os professores, na sua maioria, inculcam desde muito cedo na cabeça das crianças: que é feio errar. É muito pequena a margem que na vida e sobretudo na escola as crianças e os jovens têm para os erros. Aprendem (que absurdo tão grande!...) a ter medo de errar! Quando o que a escola existe - ou deveria existir - para não ter medo de pensar. E não possível ter um pensamento produtor de conhecimentos sem oportunidade franca de errar!
Quantas vezes as crianças e os jovens têm um pensamento novo, uma ideia diferente, uma forma nunca vista ou pensada de ver as coisas, qualquer coisa apraentemente original, nem que seja apenas para si mesmas; mas logo são tomadas pelo condicionamento educativo: será que é um erro?... será que tem algum interesse?... hum... é melhor ficar calado, é melhor não dizer nada, ainda ralham ou gozam comigo, deixa-me mas é estar caladinho...
Os sistemas públicos de educação e ensino - claramente isso acontece com o nosso, o português - dão cada vez menos margem para os erros; ou seja, no fundo, para a aprendizagem, para a verdadeira aprendizagem, a que resulta da reflexão e da experiência pessoal, do contacto direto e do manejo dos objetos de conhecimento. A organização formal, oficial, das aulas, hoje em dia, impede gravemente o processo básico da aquisição do conhecimento, tal como tão limpidamente mostrado, já há muitos anos, por Jean Piaget: a dinâmica cognitiva da assimilação e da acomodação. O drama, a estreiteza da margem é tanto maior quanto mais se sobe nos degraus da escalada académica. A mais pequena décima de valor na avaliação pode fazer diferença nos resultados escolares finais! É o paroxísmo do absurdo e da negação da aprendizagem livre, motivada, saboreada; e consistente.
Como mudar este estado de coisas? Ousando... Desafiando... Esperando que os professores estejam do mesmo lado.

domingo, janeiro 26, 2014

Psicologia - Frase da semana, 27jan14, A velha sabedoria

Psicologia - Frase da semana, 27jan14, A velha sabedoria


"Como seres humanos, nós podemos experimentar interiormente um vago sentimento do que o universo é, e tudo isso no pequeno e engraçado cérebro que temos aqui [Jane Goodall fala numa entrevista, e chega o dedo indicador direito à têmpora desse lado] - por isso tem que ser algo mais do que apenas o cérebro, tem que ser algo que tem a ver também com o espírito."
Jane Goodall, entrevista a Bill Moyer, 2009

“As human beings, we can encompass a vague feeling of what the universe is, and all in this funny little brain here — so there has to be something more than just brain, it has to be something to do with spirit as well.”
Jane Goodall, in Bill Moyers' s interview, 2009.

Sou suspeito. Jane Goodall é uma das minhas cientistas de eleição. O seu desenvolvimento pessoal como estudiosa do comportamento, animal e humano, é uma história fascinante, que vale a pena conhecer. Numa altura em que tantos - eu incluído - tentam vencer o pessimismo sobre o futuro das próximas gerações, a notável primatóloga, depois de ver tanta destruição ambiental e das espécies animais, sobretudo das mais próximas do ser humano, traz-nos uma obra a que dá o título "Reason for Hope, a spiritual journey". Apetece avidamente ler!
"Nature was almost always so beautiful and so spiritually enriching; the man-made world seemed so often horribly, horribly and spiritually impoverished. This contrast between the two worlds struck me, with increasing sadness, every time I arrived back in England from Gombe. Instead of the peace of the timeless forest and the simple, purposeful lives of its inhabitants I was plunged into the materialistic, wasteful - terribly, terribly wasteful - rat race of Western society...when I was away from Gombe and plunged into the developed world I found it harder to sense the presence of God. I had not learned, then to keep the peace of the forest within."
(Jane Goodall, Reason for Hope: a Spiritual Journey (2000), with Phillip Berman, p. 84-85).
Na entrevista, Jane Goodall avoga hipoteticamente, numa posição pessoal nunca resolvida entre materialismo e fé, uma religiosidade animística. Ela espanta-se - e não consegue explicar! - com a maneira como o gorila parece encantar-se ao pé da queda de água... [ver o vídeo] Não quero deixar de acrescentar que, ao ver Jane Goodall fazer esta afirmação, pergunto-me o que sabe ela do trabalho de António Damásio, e o que leva ela em conta, na afirmação, do pensamento do cientista português.

    THE OLD WISDOM

    When the night wind makes the pine trees creak
    And the pale clouds glide across the dark sky,
    Go out my child, go out and seek
    Your soul: The Eternal I.

    For all the grasses rustling at your feet
    And every flaming star that glitters high
    Above you, close up and meet
    In you: The Eternal I.

    Yes, my child, go out into the world; walk slow
    And silent, comprehending all, and by and by
    Your soul, the Universe, will know
    Itself: the Eternal I.

    domingo, janeiro 19, 2014

    Psicologia - Frase da semana, 20jan14, "Entre quem é!"

    Psicologia - Frase da semana, 20jan14, Estar atento e disponível para o acolhimento.


    "O mundo só pode melhorar se a atenção é dirigida, em primeiro lugar, à pessoa; (...) [e] caso se passe de uma cultura do descartável para uma cultura do encontro e do acolhimento.
    MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
    PARA O DIA MUNDIAL DO MIGRANTE E DO REFUGIADO (2014), 



    Foi em Macau que, antes de qualquer outro lugar,
    experimentei o sabor gostoso do abraço.
    Nas aulas de Psicologia, na mesma semana, abordámos o tema da atenção (enquanto processo cognitivo) e ilustrámos o tema da aprendizagem (outro processo cognitivo) a partir do testemunho de um jogador de futebol, que disse que a primeira coisa que aprendeu com o exemplo de outro jogador de futebol, mais velho, "a bem receber" (trata-se, assim, de uma forma de aprendizagem social, vicariante) (1).
    O Papa Francisco é homem para se rir da provocação que agora lhe podemos fazer: será que o Papa Francisco veio a Portugal, ao Estádio da Luz, ver como Eusébio fazia e agora anda a imitá-lo?... Ou será que Eusébio fez - naturalmente ou por opção de vida - o que está ao alcance de qualquer um, sem ser necessário jogar futebol na Luz ou viver no espaço da Cidade do Vaticano com um título de alto chefe religioso?
    O que, no fundo, pretendo deixar no pensamento dos meus alunos será, antes de mais, que, seja por via do credo religioso de cada um (seja qual seja o credo, e seja qual seja o seu chefe religioso), seja por via assumidamente laica ( e jogue-se ou não futebol), o importante é mesmo bem receber, bem acolher
    A celebração  do Dia Mundial do Migrante e Refugiado foi criada pelo papa Pio X, em 1914. Hoje acontece precisamente a centésima edição. Estranhamente para mim, o calendário "Celebração do Tempo" - magnífico documento! - não faz alusão a esta celebração religiosa... Tenho aqui comigo as edições de 2012, 2013 e 2014 e, de facto, nenhuma alusão.
    O espírito de bem receber e de bem acolher tem outras raízes, outras fontes, outras vivências culturais.
    Por exemplo, quando li, ou melhor, quando voltei à Odisseia de Homero, uma das coisas que mais me tocou foi o repetido acontecimento da receção do estrangeiro, do desconhecido, que, por exemplo, no canto VIII, da editora Cotovia (pp. 120-143), se expressa desta notável maneira:
    "(...) Todos ficaram em silêncio, ao verem um homem estranho, e maravilharam-se ao olhá-lo. (...) [Ulisses:] «Dai-me transporte, para que chegue depressa à pátria, pois já há muito que sofro desgraças longe da minha família.» Com boa intenção [Arete, esposa de Alcínoo] assim se dirigiu aos outros: «Alcínoo, não é esta a melhor maneira (nem sequer fica bem) de se receber um estrangeiro, assim no chão, no meio das cinzas.» (...) Uma serva trouxe um jarro com água para as mãos, um belo jarro de ouro; e água verteu numa bacia de prata. E junto dele colocou uma mesa polida. A venerável governanta veio trazer-lhe o pão, assim como iguraias abundantes de tudo quanto havia. (...) [Passou o tempo...] De todos os outros [Ulisses] conseguiu ocultar as lágrimas; só Alcínoo se apercebeu e reparou no que sucedia, pois estava sentado perto dele e ouviu-o suspirar. Logo declarou aos Feaces que amam os remos: «(...) Desde que demos início ao banquete e o divino aedo começou a cantar, desde então não parou de chorar e de se lamentar o estrangeiro. A dor abateu-se sobre ele. Que o canto cesse, para que todos nos alegremos, anfitriões e hóspede, pois é muito melhor assim. Foi em honra do estrangeiro que preparámos tudo isto: o transporte e os presentes que lhe damos com amizade. Um estrangeiro suplicante é como um irmão para um homem que atinja o mínimo do bom senso. Assim, pela tua parte não escondas com intenção calculista aquilo que te quero perguntar. Ficar-te-ia melhor falares. Diz-me o nome pelo qual te tratam tua mãe e teu pai, assim como todos os que habitam perto da tua cidade. Pois entre os homens não há ninguém que não tenha um nome, seja ele de condição vil ou nobre, uma vez que tenha nascido: mas os pais dão sempre um nome aos filhos, quando nascem. E diz-me qual é a tua terra, qual é a tua cidade (...) Mas há uma coisa: ouvi-a da boca de meu pai, Nausítoo. Afirmou que Posídon se encolerizava contra nós, porque damos a todos transporte seguro. Disse que viria o dia em que uma nau bem construída dos Feaces, ao regressar de um transporte sobre o mar brumoso, seria atingida por Posídon, e ocultada atrás de uma grande montanha. Assim falou o ancião. Estas coisas o deus cumprirá, ou deixará por cumprir, conforme lhe aprouver ao coração. (...)»
    Extraordinário, sem dúvida, este texto! Acolhe-se o estrangeiro de braços abertos, só muito depois se lhe pede o nome. Quem tem poder, quem manda, pode não aprovar e lançar castigos. Só que cada um de nós pode fazer opções. O papa Francisco, milhares de anos depois de Homero, lança, antes de mais, aos crentes que o seguem, este repto: "é necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização - que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” – para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”.
    Miguel Torga era muito apaixonado pela Cultura Clássica, grega e romana. Conheceria, certamente, as aventuras e os enredos da epopeica Odisseia de Ulisses. Já não a conheceriam os ancestrais transmontanos, os que lhe trouxeram o húmus do homem que ele foi, no Reino Maravilhoso em que nasceu a onde sempre e sempre regressou. Em 1941, num congresso sobre Trás-os-Montes, começou assim:
    Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. (...)  fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança. (...) Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena: - Entre! A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso. (...) A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão. Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde: - Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva. Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada. Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura. Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia. O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei.
    Impressionante! As mesmas referências ao valor do homem, ao valor da confiança, ao tolhimento do medo; o risco pessoal que resulta do lobo bom e do lobo mau que existe em cada um de nós e de que fala o nativo ancião da América do Norte - na verdade, todos, mas todos mesmo, podemos decidir alimentar um ou o outro. Para muitos; para os transmontanos de Miguel Torga, para os Ulisses de Homero, para os Eusébios do futebol, para os chefes religiosos como Francisco, o risco do encontro espontâneo e sincero com o outro vale bem a pena!

    (1) "1. BEM RECEBER.  Quando cheguei ao Benfica, em 1992, vindo do Boavista, já o conhecia, da seleção, e estabelecemos logo uma boa relação. Senti-me sempre protegido por ele. Ele gostava muito de mim como jogador e acolheu-me muito bem, como aliás fazia com toda a gente que chegava ao Benfica. (...)" (João Vieira Pinto, "As 8 coisas que aprendi com Eusébio", Sábado, edição n.º 506, de 8 de janeiro de 2014, pág. 61)

      domingo, janeiro 12, 2014

      Psicologia - Frase da semana, 13jan14, A importância dos laços, a importância dos afetos.

      Psicologia - Frase da semana, 13jan14, A importância dos laços, a importância dos afetos.


      É mesmo a primeira lição que João Vieira Pinto afirma ter recebido de Eusébio. Fala de laços humanos, de afetos, e de confiança básica; fala de boa fé, simpatia e empatia. De absoluta inversão do velho dito popular "Ver para crer".
      "Ele gostava muito de mim como jogador e acolheu-me muito bem, como aliás fazia com toda a gente que chegava ao Benfica."
      http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=451367
      1. BEM RECEBER.  Quando cheguei ao Benfica, em 1992, vindo do Boavista, já o conhecia, da seleção, e estabelecemos logo uma boa relação. Senti-me sempre protegido por ele. Ele gostava muito de mim como jogador e acolheu-me muito bem, como aliás fazia com toda a gente que chegava ao Benfica.
      2. MELHORAR. Depois dos jogos, costumávamos falar sobre o que tinha acontecido, analisávamos os lances e as movimentações que tinham corrido menos bem, para que no domingo seguinte isso já saísse perfeito - ou pelo menos melhor.
      3. ELOGIAR. Quando um jogo me corria bem, ele era o primeiro a vir ter comigo a dizer "estavas endiabrado", "partisre aquilo tudo", "estás em grande forma".
      4. LUTAR. Ele dizia sempre que nunca podíamos desistir de um lance, tínhamos de lutar, dar tudo em campo. Ele contava histórias das lesões e realçava que queria jogar sempre.
      5. JOGAR AO ATAQUE.  O Eusébio era muito objetivo, tinha uma enorme velocidade e potência de remate. E por isso dizia que a finta era apenas um recurso, que o jogo se fazia a avançar no terreno.
      6. REMATAR SEMPRE.  O Eusébio, até na bancada, a ver os jogos, quando via um avançado perto da área gritava: "Chuta." Esse também era um dos conselhos recorrentes dele. Perto da área, não valia a pena estar com rodriguinhos, era arranjar espaço e chutar, porque se não se chutasse não se marcavam golos de certeza.
      7. APURAR A TÉCNICA. Falava muito comigo sobre a forma de rematar, de colocar o pé na bola, de inclinar o corpo. Nos livres, treinava comigo a melhor maneira de colocar a bola em arco no lado contrário. Costumava marcar cantos do lado de fora da linha de campo, já atrás da baliza, e a bola descrevia um arco e entrava. No fim dos treinos ele desafiava-me, a mim e aos outros, a fazer melhor do que ele. Eu às vezes conseguia, mas ele ganhava quase sempre esses concursos de cantos diretos. Era isso ou ver quem é que acertava mais vezes na barra. Ou quem colocava a bola no meio das pernas de um jogador num passe de 30 metros. Fazíamos exercícios de grande precisão e de grande execução técnica.
      8. AMIZADE. Tornei-me amigo dele. Íamos muitas vezes almoçar ou jantar e falar dos seus grandes tempos de jogador. Tinha uma ótima relação com ele. Muitas vezes, quando o Benfica jogava no estrangeiro, no regresso o autocarro levava-nos até ao Estádio da Luz e depois eu é que o ia levar a casa. (Em Sábado, edição n.º 506, de 8 de janeiro de 2014, pág. 61)