domingo, novembro 24, 2013

Psicologia - Frase da semana, 25nov13

Psicologia - Frase da semana, 25nov13


A essência da sobrevivência

http://www.pinterest.com/africare/african-proverbs/
Todas as manhãs a gazela acorda sabendo que tem que correr mais veloz que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és leão ou gazela : quando o Sol desponta, o melhor é começares a correr.” 
(provérbio africano)

“Every morning in Africa, a gazelle wakes up, it knows it must outrun the fastest lion or it will be killed. Every morning in Africa, a lion wakes up. It knows it must run faster than the slowest gazelle, or it will starve. It doesn't matter whether you're the lion or a gazelle-when the sun comes up, you'd better be running.”

Exercício prático 25nov13:
O Dilema do Prisioneiro

(O Dilema do Prisioneiro, um problema clássico da Teoria dos Jogos, foi originalmente formulado por Merrill Flood e Melvin Dresher em 1950. Mais tarde, Albert W. Tucker adaptou o problema original, adicionando a questão do tempo da sentença de prisão, e deu ao problema o nome por que veio a ficar conhecido.
Atualmente existem várias versões do problema, com ligeiras diferenças relativamente ao tempo de sentença ou à forma de apresentação da situação, mas a análise dos resultados mantém-se invariável.)

A história refere-se a dois prisioneiros que, sendo coautores de um qualquer crime, são detidos pela polícia e apresentados a um juiz que os interroga separadamente.
Os prisioneiros confrontam-se com a seguinte opção: devem confessar ou negar a autoria do crime? Se um permanecer em silêncio e o outro confessar (denunciando o comparsa), o primeiro é condenado a 10 anos de prisão e o segundo é condenado em 1 ano. Se ambos confessarem (e se denunciarem reciprocamente), cada um será condenado a 7 anos de prisão. Se ambos ficarem calados, serão condenados, por igual, a 2 anos de prisão.
A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como vai cada prisioneiro reagir?

Practical exercise 25nov13:
The prisoner's dilemma (or prisoners' dilemma)

Canonical example of a game analyzed in game theory that shows why two individuals might not cooperate, even if it appears that it is in their best interests to do so. It was originally framed by Merrill Flood and Melvin Dresher working at RAND in 1950. Albert W. Tucker formalized the game with prison sentence rewards and gave it the name "prisoner's dilemma" (Poundstone, 1992).

Two members of a criminal gang are arrested and imprisoned. Each prisoner is in solitary confinement with no means of speaking to or exchanging messages with the other. The police admit they don't have enough evidence to convict the pair on the principal charge. They plan to sentence both to a year in prison on a lesser charge. Simultaneously, the police offer each prisoner a Faustian bargain. Each prisoner is given the opportunity either to betray the other, by testifying that the other committed the crime, or to cooperate with the other by remaining silent. Here's how it goes:
If A and B both betray the other, each of them serves 7 years in prison;
If A betrays but B remains silent, A will be set 1 year and B will serve 10 years in prison (and vice versa);
If A and B both remain silent, both of them will only serve 2 year in prison (on the lesser charge).


domingo, novembro 17, 2013

Psicologia - Frase da semana, 18nov13

http://neoantennae.blogspot.pt/2012/04/great-arts-blogger-challenge-wordless.html
Psicologia - Frase da semana, 18nov13
(a abrir o capítulo do estudo do neurónio, o cérebro e o sistema nervoso)

"Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tange e range, cordas e harpas, tímbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia." (Fernando Pessoa, O Livro do Desassosego, citado por António Damásio em O Livro da Consciência)


My soul is like a hidden orchestra; I do not know which instruments grind and 
play away inside of me, strings and harps, timbales and drums. I can only 
recognize myself as a symphony. 
(Fernando Pessoa, The Book of Disquiet)

Exercício prático 18nov13:
Esta ilusão de ótica não é fácil! Foi criada por Rusty Rust, um artista america dedicado à Vida Selvagem Animal, e mostra um magnífico tigre de Bengala, como que em pose numa densa floresta de bambu. A tua missão agora é a seguinte: procura, segundo as palavras na língua-mãe do seu autor, “The Hidden Tiger”, ou seja, na língua portuguesa, "o tigre escondido".
Não tenho dúvidas nenhumas que, assim que encontres o que o autor nos desafia a encontrar, o que foi difícil se tornará definitivamente óbvio.
Nessa altura, terás atingido a experiência da compreensão mental, na consciência, do que é a sinfonia que em nós é expressão, como diz António Damásio, de uma partitura nunca terminada.

Practical exercise 18nov13:
[English]: The Hidden Tiger Optical Illusion
This is not an easy optical illusion.  It was created by American wildlife artist Rusty Rust, and it shows a huge Bengal Tiger standing in a bamboo forest. Your mission now is to look for “The Hidden Tiger” in the image above.  Where is the hidden tiger?  Once you see it, it seems so obvious.
I have no doubt at all that once you find out what the author challenges us to find, what was hard to find becomes absolutely obvious. On that very moment, you'll reach the experience of mental understanding, in your own consciousness, of the symphony that inside us is the expression, says Antonio Damasio, of a never ended score.

domingo, novembro 10, 2013

Psicologia - Frase da semana, 11nov13

Psicologia - Frase da semana, 11nov13

http://www.biography.com/people/mark-twain-9512564

"Devemos ser capazes de retirar de uma experiência unicamente a sabedoria que ela contém, e nada mais; para não sermos como o gato que se senta em cima da tampa quente de um fogão. O gato nunca mais se sentará em cima da tampa quente de um fogão, e faz muito bem; só que o gato também nunca mais se sentará em cima de um fogão com a tampa fria." (in Following the Equator: A Journey Around the World, by Mark Twain)

We should be careful to get out of an experience only the wisdom that is in it - and stop there; lest we be like the cat that sits down on a hot stove-lid. She will never sit down on a hot stove-lid again - and that is well; but also she will never sit down on a cold one anymore.

Exercício prático 11nov13:
O detetive Cabral tinha acabado de chegar ao local do crime. O Professor Meireles tinha ficado no laboratório até mais tarde, trabalhando na sua pesquisa para a cura da calvície. Aparentemente, o Professor tinha-se eletrocutado e, consequentemente, queimado todos os fusíveis do prédio. Em depoimento prestado ao detetive, o Professor Barata, que também precisou de ir ao laboratório naquela mesma noite para terminar uma experiência na qual estava a trabalhar, declarou: - "Cheguei mais tarde para trabalhar e dirigi-me ao laboratório pelo elevador que dá diretamente para aqui. Assim que entrei no laboratório, encontrei o meu colega, o Meireles, morto, com a cabeça dentro do seu aparelho, uma espécie de um micro-ondas. Eu gostaria de poder ajudar, mas não sei mais nada do que isto."
O detetive Cabral manteve-se calado durante algum tempo, a olhar vagamente no ar. A certa altura, olhou para o Professor Barata e disse-lhe: - "Senhor Professor Barata, o senhor está a mentir. Considere-se preso sob a acusção de homicídio."
O que terá levado o detetive Cabral a tirar esta conclusão?


Practical exercise 11nov13:
[English]: Detective Cabral had just arrived on the scene. Professor Meireles had stayed in the lab until very late at night, working in his search about baldness cure. Apparently, the teacher had been electrocuted and therefore all fuses had blown in the building, all over it. In testimony to the detective, Professor Barata, who also needed to go to the lab that night to finish an experiment in which he was working , said : - "I came to work later than my colleague, and I came up to the lab by the elevator that comes directly in it . As soon as I walked in the lab, I found my colleague Meireles dead, with his head inside his machine, a sort of a microwave. I wish I could help more but I do not know anything more than this."
Detective Cabral remained silent for some time, looking vaguely in the air. At one point, he looked at Professor Barata and said: - "Professor Barata, I think you're lying. Consider yourself arrested on charges of murder.”
What was the reason that lead detective Cabral to this conclusion?

domingo, novembro 03, 2013

Psicologia - Frase da semana, 04nov13

Do determinismo genético à experiência cultural:
http://ec.europa.eu/research/health/events-12-photo-gallery_en.html
"Esta é a primeira geração em que os filhos podem morrer antes dos seus pais." diz Paul Zimmet (2007), a propósito da alteração dos hábitos alimentares, que tem levado a números assustadores de obesidade infantil e doenças do foro metabólico. Os menus mais saudáveis têm sido preteridos aos menus menos saudáveis, menos exigentes das tarefas de confeção das refeições, de paladares mais fáceis e imediatos; e de custo financeiro mais reduzido.

From genetic determinism to cultural experience:
"This is the first generation where children may die before their parents." says Paul Zimmet (2007), referring the change in eating habits, which has led to frightening figures about children obesity and metabolic diseases. The healthier menus have been not succeeded and less healthy are strongly improving – they are easier to prepare at kitchen, they have easier and quicker flavor and taste, and they are cheaper.


Exercício prático 03nov13:
Tem uma alimentação saudável? Este teste vai ajudá-lo(a) a averiguar.
Come bem? Ou por outras palavras, tem uma alimentação saudável?
Descubra se tem bons hábitos alimentares ou se a sua relação com a comida está muito longe de ser saudável.
Responda às perguntas que se seguem e tire conclusões.


Practical exercise 03nov13:
[English]: How healthy is your diet? Nutrition Quiz:

sábado, novembro 02, 2013

Mia Couto (?) - O Dedo na Ferida

UI!... QUE TEXTO!...
Que a(s) fonte(s) me perdoe(m), reproduzo-o integralmente, tentando trazer algum esclarecimento!

Um dia isto tinha que acontecer - Mia Couto (?)

NOTA PRÉVIA: Este texto já anda na Internet há mais de 2 anos; e não é seguro que seja da autoria de Mia Couto. Será de Maria dos Anjos Polícia? (http://assobiorebelde.blogspot.pt/2011/03/geracao-rasca-nossa-culpa.html) Seja de quem seja, faz-nos pensar. Pessoalmente, revejo-me na generalidade das reflexões que nele são apresentadas.
http://expresso.sapo.pt/manifestacao-geracao-a-rasca-chega-ao-
rossio-com-mais-de-200-mil-pessoas-fotos-e-video=f637298

Um dia isto tinha que acontecer. Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor. Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca. Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados. Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras. Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós). Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida. E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles. Haverá mais triste prova do nosso falhanço? Mia Couto

domingo, outubro 27, 2013

Psicologia - frase da semana, 28out13

Psicologia - frase da semana, 28out13


http://www.barnesandnoble.com/w/einstein-his-life-and-
times-philipp-frank/1019417853?ean=9780306811098
O valor da educação (...)(1) não está na aprendizagem de muitos factos, mas sim no treino da mente para pensar em coisas que não podem ser aprendidas nos manuais.

English: "The value of an education [in a liberal arts college] is not the learning of many facts but the training of the mind to think something that cannot be learned from textbooks."




Exercício prático 21out13:
O dilema de Sita (lenda indiana): Sita está casada com um rico e poderoso mercador. Mas Sita também está apaixonada pelo ferreiro, homem jovem e belo. Os dois homens são os melhores amigos um do outro. Conhecem os sentimentos ambivalentes de Sita e, em desespero, decidem ambos cortar o pescoço. Sita descobre a tragédia e volta-se para a deusa Kali e implora-lhe que dê a vida de novo aos dois homens. A deusa Kali aceita e pede a Sita que junte a cabeça e o corpo de cada um. Só que Sita, na aflição de trazer os homens de novo à vida, engana-se e junta a cabeça de um ao corpo do outro. 
Quando ambos retornam à vida, qual deles é o marido rico e poderoso mercador, qual deles é o homem jovem e formoso?


Practical exercise 28oct13:
[English]: Sita's dilemma (indian legende) Sita is married to a rich opulent merchant but she is also in love with the blacksmith, handsome young man. The two men are best friends and in despair both decided to cut the neck.  Sita discovers the massacre and asks the goddess Kali to bring them back to life . The goddess ordered her to put the heads of both men in the right position, over the shoulders, but, Sita, ansiously, does it wrong and change heads and bodies... When they are resurrected which is the husband, which is the lover?
[français] Le dilemme de Sita (légende indienne): Sita est mariée à un riche marchand opulent mais elle est aussi amoureuse du forgeron, beau jeune homme. Les deux sont les meilleurs amis et dans le désespoir décident de se trancher le cou. Sita découvre le massacre et implore la déesse Kâlî de leur redonner vie. La déesse lui ordonne de remettre en place les têtes des deux jeunes hommes, ce qu’elle fait mais elle se trompe... Quand ils sont ressuscités lequel est le mari, lequel est l’amant ?

(1) Large quotation: "While Einstein was in Boston, staying at the Hotel Copley Plaza, he was given a copy of Edison's questionnaire to see whether he could answer the questions. As soon as he read the question: "What is the speed of sound?" he said: "I don't know. I don't burden my memory with such facts that I can easily find in any textbook," Nor did he agree with Edison's opinion on the uselessness of college education. He remarked: "It is not so very important for a person to learn facts. For that he does not really need a college. He can learn them from books. The value of an education in a liberal arts college is not the learning of many facts but the training of the mind to think something that cannot be learned from textbooks." For this reason, according to Einstein, there can be no doubt of the value of a general college education even in our time."
("Einstein His Life and Times" by Philipp Frank, 1947)
 

segunda-feira, outubro 21, 2013

Saborosa memória do meu mestre, o dr. João dos Santos

"EU, NO SEU LUGAR, NÃO TERIA FEITO ASSIM"
pretensiosa (1) homenagem ao Dr. João dos Santos
Tenho o privilégio de ter muitas – todas muito saborosas – memórias de contacto pessoal direto com o Dr. João dos Santos, o meu grande mestre no ofício de aprendiz de feiticeiro. Melhor do que ninguém, foi ele quem, sempre me apoiando no esforço de tentar ser bom nesse tal ofício de aprendiz de feiticeiro, me soube fazer escutar e tomar consciência do aviso de que, nestas artes em que andamos a tentar ajudar os outros, “o que verdadeiramente importa é a Política e a Educação, tudo o mais vem depois disso.” Para termos a justa medida das coisas, nomeadamente do nosso poder de terapeutas.
A memória que aqui trago talvez seja especialmente única e, no seu aparente bom humor, realça a grandeza da humildade do meu mestre João dos Santos. É esse o meu desejo.
O primeiro contacto que tive com o Dr. João dos Santos foi na Clínica Infantil do Hospital Júlio de Matos, andava eu no 4.º ano do Curso de Psicologia, ramo de Psicologia Clínica, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa, no ano de 1979 (Penso que não estou a errar na data…).
O Dr. João dos Santos fez, perante a turma de que eu fazia parte, a consulta a uma menina de lindos caracóis, que me trazia à ideia, na construção mental mais bonita que eu conseguia criar dessa personagem da ficção infantil do meu tempo de criança, a Zé das Aventuras dos 5 da escritora Enid Blyton.
No final da consulta, o Dr. João dos Santos, como seria seu timbre, já depois da criança se ter ido embora, deu aos alunos a palavra para perguntas e comentários.
Com a ingenuidade feita de boa fé e do entusiasmo cada vez mais afirmado pela “feitiçaria” em que me envolvia, levantei o braço e esperei. O Dr. João dos Santos deu-me a palavra, logo de seguida. Repito, de boa fé e cheio de entusiasmo, disse ao Dr. João dos Santos que tinha gostado muito da consulta mas que, se tivesse estado no lugar dele, eu não teria feito assim como ele tinha feito.
Dei-me conta que, depois de dizer isto, houve um silêncio quase gélido à minha volta. Apenas o Dr. João dos Santos sorriu e boamente soltou um breve, mas curioso – sinceramente curioso, pareceu-me – “Ai,  sim?!…”.  Perguntou-me o nome, como depois verifiquei que sempre fazia aos seus alunos, até lhos conhecer. Depois pediu-me que lhe dissesse o que pensava. Eu disse, e a seguir o Dr. João dos Santos comentou o que de mim ouviu, agradecendo o meu contributo e sem me fazer qualquer crítica, apenas acentuando os aspectos que lhe pareciam relevantes em termos da minha aprendizagem e da aprendizagem dos meus colegas.
A aula acabou por chegar ao fim. Assim que saímos da aula-consulta, alguns colegas meus apressaram-se a vir ter comigo, quase me encostando à parede, perguntando-me se eu tinha noção do que tinha feito, ou como é que eu tinha tido coragem de fazer o que tinha feito. Estranhei tamanha – e desproporcionada, no meu entender – reacção dos colegas e “defendi-me” dizendo que me sentira muito bem, que o professor nos pusera à vontade e que não tirei a palavra a ninguém; respeitei as regras do jogo e o professor não me fez qualquer censura ou reparo. Alguns insistiram em perguntar se eu sabia quem era o Dr. João dos Santos; eu respondia que não e insistia que tinha gostado muito da aula.
“A coisa passou”. Mais ou menos um ano depois, apresentei-me no gabinete da senhora directora do Dispensário Central do Centro de Saúde Mental Infantil, nas Amoreiras, a candidatar-me a um estágio de pré-graduação. Fui recebido pela muito querida e saudosa doutora Teresa Ferreira, de quem, por muita bondade sua, também, depois, me tornei amigo.
Fiz a minha apresentação pessoal como a Dr.ª Teresa Ferreira me pediu para fazer. A certa altura, num repente de espanto, a Dr.ª Teresa Ferreira interrompeu-me e exclamou: “Então és tu!…”. Eu, surpreendido com a reacção da minha futura responsável oficial de estágio, balbuciei: “Sou eu?… Mas quem sou eu, Dr.ª Teresa?…” Bem, noutro contexto, o que estas minhas interrogações, feitas ali à frente de uma psicanalista, não diriam sobre o estado da minha saúde mental!…
Foi então que, com muita doçura, a Dr.ª Teresa Ferreira me disse que já conhecia a história daquela aula-consulta. O Dr. João dos Santos já falara dela na Sociedade Portuguesa de Psicanálise (ou, pelo menos, na conversa num grupo de membros da Sociedade de Psicanálise). Ele, assegurou-me a Dr.ª Teresa Ferreira, guardava uma recordação agradável dessa aula-consulta e tinha-lhes contado mais ou menos isto:
“Imaginem o que me aconteceu… dei uma consulta no Júlio de Matos e no fim quando pedi aos alunos que dissessem qualquer coisa, houve um que pediu para falar e disse-me que não concordava comigo e que teria feito de maneira diferente… depois explicou o seu ponto de visa… Sabem, soube-me bem ouvir alguém dizer que não concordava comigo… estou habituado a falar, a dizer coisas e toda a gente concorda sempre, soube-me bem ouvir alguém dizer que não concordava comigo… um rapazinho que ainda anda a ver se aprende como estas coisas se fazem… E sabem que mais? Ele tinha razão no que disse, tenho de o reconhecer…”
A Dr.ª Teresa Ferreira olhava para mim, parecia que queria mesmo perceber quem era o candidato a feiticeiro que tinha pela frente. Eu, pelo meu lado, saboreava o relato, olhando-a nos olhos, com alegre sentimento e ainda maior – mas escondida – vaidade!… O ano transcorrido desde a aula-consulta até àquele momento tinha-me trazido a noção de quem era e do que era o Dr. João dos Santos. Muito fui aprendendo com ele ao longo do ano; e até já tinha tido o privilégio de me tornar seu amigo. Amigo que ele várias vezes convidou para a sua casa de Sintra. “Senta-te, Fernando, aqui, ao pé de mim, nos cadeirões dos sábios, vamos conversar…”
Naquela aula, em que reencontrei a Zé maria-rapaz das Aventuras dos 5, o Dr. João dos Santos foi, sem dúvida nenhuma, aquela mãe suficientemente boa de Winnicott, que olhou a ousadia, o desplante do petiz, e o conduziu magicamente no seu processo de autonomia e crescimento, apoiando-lhe a confiança pessoal, o prazer de pensar e o prazer de fazer.
Com o diploma de aprendiz de feiticeiro nas mãos, tornei-me, por opção pessoal, professor do ensino secundário. Tenho constantemente presente na minha acção a tal ideia, que tomei também para mim, de que o que verdadeiramente importa é a Política e a Educação. Procuro estar atento aos alunos, acreditando sempre que eles possam dizer-nos coisas que nos enriqueçam, coisas que sejam novas e coisas que nos façam ser melhores. E todos os dias tento ser humilde, humilde, humilde; sobretudo quando, na minha condição de professor, ou clínico, ou noutro estatuto social qualquer em que assuma posição de poder ou convencional ascendência, me relaciono com quem esteja a fazer o seu crescimento pessoal (os alunos, em geral), ou confrontado com o (presumido) poder dos especialistas (os pais, antes dos demais).
Entre iguais, mantenho o à vontade e a presunção gaiata que manifestei perante o Dr. João dos Santos, “pecha” juvenil que, em geral, os meus interlocutores aceitam; mas foi ele quem, melhor que todos os outros (provavelmente porque aconteceu no momento mais crítico do meu desenvolvimento académico), e até hoje, soube aceitar boamente, tolerantemente, a ousadia do petiz e, desse modo, lhe deu a notável oportunidade de ser cada vez melhor – melhor pessoa, melhor psicólogo, melhor educador, melhor cidadão.
Um grande abraço de admiração e gratidão, Dr. João dos Santos! É na minha vida, todos os dias, uma força aconchegante e que me mantém a caminho da Utopia.
Fernando Pinto, em 17 de junho de 2013
(este texto foi publicado hoje, dia 21 de outubro de 2013, em primeira mão, no 'site' João dos Santos no século XXI (http://joaodossantos.net/testemunhos/)
________________________
(1) Pretensiosa porque por quem me tomarei eu para pensar que me posso alcandorar ao direito de assim falar do dr. João dos Santos.

domingo, outubro 20, 2013

Psicologia - frase da semana, 21out13

Nada está na mente(1) que não tenha estado antes nos sentidos.

English: "Nothing is in the intellect that was not first in the senses"

Latin: "Nihil est in intellectu quod non prius in sensu"

Français: "Rien n'est dans l'intelligence qui n'ait été d'abord dans les sens"

Deutsch: "Nichts ist im Verstand/Geist, was nicht zuvor in den Sinnen war"

(1) Ou 'inteligência', ou 'espírito'

Comentário: Frequentemente a autoria desta afirmação é atribuída a São Tomás de Aquino e a John Locke, mas, na verdade, a sua origem remonta aos filósofos pré-socráticos.


Exercício prático 21out13:
Aborda de uma forma diferente um qualquer contexto de vida teu, usando um ou mais do que um dos teus sentidos e dedicando a essa ação todoa a tua atenção. Por exemplo, em vez de pensares sobre qual é a área de um campo de futebol, pede ajuda a um colega teu, pede-lhe o braço e, com os olhos vendados, percorre o campo todo, caminhando pelas linhas limites do campo. Desta forma poderás obter uma perceção mais apurada do que é a área de uma superfície que é tantas vezes usada como referência em determinadas situações (por exemplo, quando se diz que arderam 500 hectares de floresta, o correspondente a cerca de 500 campos de futebol)

Practical exercise 21oct13:
Involve one or more of your senses in a novel context and engage your attention. For instance: instead of thinking about the area of a football field, ask the help of a fellow, take his arm and close your eyes (use a blindfold) and go all along the border lines of the field; doing so, you'll get a renewed and more  accurate perception of the area of the field.

domingo, outubro 13, 2013

Psicologia - frase da semana, 14out13

http://als.wikipedia.org/wiki/Datei:Friedrich_schiller.jpg
O homem só brinca quando se torna plenamente Homem, e o homem só é inteiramente Homem quando brinca.
(Johann Christoph Friedrich Schiller, 1759 - Mai 1805)

"der Mensch spielt nur, wo er in voller Bedeutung des Worts Mensch ist, und er ist nur da ganz Mensch, wo er spielt."

Man only plays when in the full meaning of the word he is a man, and he is only completely a man when he plays.

P.S. - Uma saudação especial, muito cordial, ao meu querido aluno Rodrigo Taveira que me trouxe, com um apontamento que publicou no seu mural do Facebook, a ideia de trazer esta frase de um autor que foi de importância determinante no pensamento de Konrad Lorenz, um dos autores de elite do nosso curso de Psicologia na ESEQ. Pensando bem, vem em linha de desenvolvimento lógico da afirmação de Jean Piaget que aqui deixei na semanda passada. 



Exercício prático 14out13:
Um homem mora no 13.º andar dum prédio perfeitamente normal. Quando desce, usa o elevador até ao rés-do-chão; mas quando sobe vai até ao 10.º andar e faz o resto do caminho pelas escadas. Faz sempre assim, esteja cansado ou não. Porquê terá ele este comportamento?

Practical exercise 14oct13:
A man lives on the thirteenth floor of an apartment building.  Every morning he takes the elevator down to the lobby and leaves the building.  In the evening, he gets into the elevator, and he goes to the 10th floor and walks up three flights of stairs to his apartment. He does always like that, no matter he feels tired or not. Why does he behave this way?

segunda-feira, outubro 07, 2013

Psicologia - frase da semana, 07out13

http://www.nwlink.com/~donclark/
leader/ahold/piaget.jpg
"Tudo o que se ensina à criança é um obstáculo à sua capacidade de descobrir ou de inventar."
Jean Piaget (1896-1980)

“When you teach a child something you take away forever his chance of discovering it for himself.”





Exercício prático 07out13- parte 1:
- Divide o quadrado em 4 partes iguais.
- Divide the square into four identical pieces
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Exercício prático 07out13 - parte 2:
- Já está?... Muito bem. Agora tenta descobrir outras maneiras de dividir o quadrado em 4 partes iguais, diferentes da que encontraste, mas também válidas, corretas. Bom trabalho!
- Done?... OK. Now try to find other ways of dividing the square into four identical pieces, but all of them different of that one you found first. Have a nice job!

segunda-feira, setembro 30, 2013

Psicologia - frase da semana, 30set13

http://1papacaio.com.br/modules/Wallpapers/gallery/
wall1024/variados/garfield/garfield_holofote_1024.jpg
"A atenção é como um holofote: a sua luz ilumina apenas uma coisa de cada vez." Autor desconhecido
(Attention is like a spotlight. It can only shine on one thing at a time.)








Exercício prático 30set13:
O que eu sei da Bíblia. Será que dei a atenção necessária na aula da catequese em que se falou deste assunto?... Será que eu estou com atenção na missa?...
Pergunta: Quantos animais de cada espécie levou Moisés consigo na Arca?
Resposta: (as respostas podem ser enviadas por email - fernandopinto@eseq@gmail.com -, ou por comentário a este apontamento; depois confirmarei se as respostas estão certas ou não)

Practical exercise 30set13:
Biblical knowledge to the test. But don't worry, you don't have to go to church or temple every day of the week to get it right:
Question: How many of each kind of animal did Moses bring on his ark?
Answer: (the answers can be sent by email - fernandopinto.eseq@gmail.com -, or posted as a comment to this post; subsequently, I'll confirm if the answer is correct or not)

domingo, setembro 29, 2013

A Razão, o Instinto, a Emoção e o Afeto - 02

Agora, no seguimento do apontamento sobre o ciclista Rui Silva, o lado da BARBÁRIE e o lado da ESPERANÇA.

O lado da Barbárie
(É tão revoltante para mim que não ponho qualquer imagem)
No norte do Mali, os Islamitas que ocupam e dominam essa região, condenaram a morte por lapidação (atirar pedras) um homem e uma mulher que se amavam, que viviam juntos, e que tiveram filhos, mas não tinham cumprido a lei islâmica do casamento e da paternidade. Reparem, há à volta de 300 pessoas a assistir. Foram obrigadas a assistir em silêncio ao revoltante castigo - castigo filho de uma Lei,Lei filha de uma Razão Humana. Este requinte de violência, de sadismo, é carateristicamente humano, resultante da associação lamentável da Razão à Emoção, não o encontramos nos crocodilos e nas leoas.
http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/al-qaeda/9439343/Mali-Islamists-stone-unmarried-couple-to-death.html

O lado da Esperança
A mesma lei, a Sharia. Só que aqui as pessoas puderam ir além do silêncio e impediram a execução da pena, que era cortar a mão. Neste caso, Razão alia-se às emoções positivas dos laços, da tolerância e dos cuidados para com os iguais.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/populacao-impede-islamistas-de-cortarem-mao-a-ladrao-no-mali-1557828

A Razão, o Instinto, a Emoção e o Afeto

Meus queridos alunos, apreciem este magnífico testemunho da sábia afirmação que diz que "uma imagem vale mais que mil palavras".
O Homem - é uso dizê-lo - é um ser racional; mas, como já vos disse, a Razão, tal como dela a Filosofia tradicional nos fala, não substitui, na evolução milenar da espécie humana, as emoções e os afetos. A Razão não anula o Instinto, a Emoção, o Afeto, mas, isso sim, acrescenta algo mais à extraordinária capacidade do indivíduo humano e do seu espantoso cérebro.
As imagens do ciclista português Rui Silva, que hoje se tornou campeão mundial de ciclismo, mostram de forma notável - eu diria mesmo, apaixonante - a força das emoções, a força dos afetos; e a maneira como elas invadem a Razão e o auto-controlo do ser humano. Lembram-se de eu vos ter falado como temos em nós os cérebros do crocodilo e da leoa, e que o nosso evolui a partir deles, mantendo-os e acrescentando-lhes camadas evolutivamente mais recentes e cada vez mais racionais?
Reforço o convite, queridos alunos: apreciem este vídeo, 'frame' a 'frame'!... Vejam, na expressão da face do valoroso ciclista, a maneira como, aos poucos, as emoções sentidas sobrevêm e afogam claramente a compostura racionalmente pensada.

segunda-feira, setembro 23, 2013

Psicologia - frase da semana, 23set13

"A verdadeira arte da memória é a arte de prestar atenção."
http://atblus.files.wordpress.com/2010/03/samueljohnson.jpg
Samuel Johnson
(18 September 1709 [O.S. 7 September] – 13 December 1784)
"The true art of memory is the art of attention." "No man will read with much advantage, who is not able, at pleasure, to evacuate his mind, or who brings not to his author an intellect defecated and pure, neither turbid with care, nor agitated by pleasure. If the repositories of thought are already full, what can they receive? If the mind is employed on the past or future, the book will be held before the eyes in vain."

Johnson: Idler #74 (September 15, 1759)

quarta-feira, setembro 18, 2013

Psicologia - frase da semana, 18set13

"O cérebro humano produz mais informação em 30 segundos do que o Telescópio Espacial Hubble já produziu desde que começou a funcionar."
Konrad Kording, neurocientista,, Northwestern University
(The human brain produces in 30 seconds as much data as the Hubble Space Telescope has produced in its lifetime)

segunda-feira, junho 24, 2013

Como escapar ao Vale da Morte Educacional

Conferência notável de Ken Robinson sobre o sentido da Educação e das Políticas da Educação. Dramaticamente lúcida!...
Com legendas em português.

Aprender, educar, eduquês


O dr. Nuno Crato, ministro da Educação, vai ter de voltar aos livros, vai ter de estudar mais um bocadinho

BRAVO, NICO!... QUE TEXTO TÃO CLARO, QUE TEXTO TÃO DESAFIANTE PARA AS IDEIAS OFICIAIS DO NOSSO MINISTRO DA EDUCAÇÃO!...

"De acordo com notícia publicada no sítio electrónico do jornal PÚBLICO, em 5 de Junho de 2013, o ministro da Educação e Ciência referiu que é “contra o “eduquês” e as teorias de Jean Piaget”. Quando “questionado sobre o modo como as crianças aprendem, o ministro afasta a ideia do gosto pela aprendizagem”.
http://www.radiocampanario.com/r/index.php/
regional/134-federacao-ps-evora-bravo-nico-na-calha-
para-suceder-a-capoulas-santos

As anteriores palavras devem convocar-nos para uma reflexão séria e construtiva. Pode negar-se o contributo de alguém como Jean Piaget para compreender o que é e como se processa a aprendizagem? Pode negar-se o direito ao prazer de aprender, como se isso fosse incompatível com trabalho, rigor e esforço? Pode estar-se amarrado a pensamentos, cientificamente tão limitados e politicamente tão capturados de preconceitos?

Saberá o autor das palavras citadas anteriormente que o maior prazer de um estudante é sentir que o seu esforço é real, bem sucedido, valorizado e lhe proporciona felicidade quando ele: (i) sente que progride; (ii) coloca as questões certas e procura, criativa e sistematicamente, as suas respostas; (iii) recebe as críticas construtivas e beneficia do contraditório; (iv) é ambicioso nos seus objectivos de aprendizagem; (v) é capaz de inovar, arriscar, pensar fora da caixa e criar o inédito; (vi) tenta, erra e reformula o caminho, avaliando e melhorando as suas decisões; (vii) sente o incentivo e a confiança dos seus professores; (viii) constrói laços nos grupos onde coopera e cultiva a amizade; (ix) sente a vanguarda do conhecimento; (x) sente que tudo o que vive nas escolas e nas aulas contribui para a sua felicidade, como pessoa?

Sabe, sr. ministro, não se pode ordenar a alguém para que aprenda. Simplesmente, não resulta. As escolas não são prisões e a aprendizagem não é um castigo. De facto, aprendemos, mais e melhor, quando alguém nos lidera pelo exemplo, nos conquista pelos argumentos, nos impõe regras e critérios com justiça e equidade, nos incentiva pelos desafios, nos premeia pelos sucessos, nos ajuda nas dificuldades, nos estabelece bitolas ambiciosas, nos torna autónomos, nos ajuda a sentir a felicidade do esforço bem sucedido. Por outras palavras, sr. ministro, aprendemos, mais e melhor, quando nos sabem educar.

As neurociências têm evidenciado a relação entre a emoção e cognição. Na realidade, as palavras que entram directamente para o nosso coração são alavancas mais potentes para trabalharmos e nos sacrificarmos do que as ordens e as directivas, por mais autoritárias que sejam. É por isso que pessoas motivadas trabalham mais e se entregam mais às suas tarefas, projectos e responsabilidades. A aprendizagem, nestas condições, é mais profunda e edificante do que a que resulta exclusivamente da imposição externa.

A educação – tal como a matemática, a psicologia ou a economia – é uma ciência. Convém sermos humildes e aceitarmos o contributo de muitos dos que estudaram e estudam neste campo científico. Não podemos ignorar os contributos de Jean Piaget (o tal da aprendizagem), Georges Snyders (que estudou e escreveu umas coisas acerca da importância da felicidade na educação), António Damásio (que, entre outras coisas, tem estudado a relação entre emoção e cognição), Paulo Freire (para percebermos o que será a felicidade de se aprender a ser gente que conta e que tem direitos) ou Coménio, que, há 375 anos, já defendia uma escola promotora de uma educação global e, consequentemente, de uma sociedade mais justa. Devemos ainda revisitar a Teoria das Necessidades de Maslow, para compreendermos por que é que, hoje, as nossas crianças, mal alimentadas ou oriundas de famílias em grandes dificuldades sociais e económicas, têm muitas dificuldades em aprender a ler ou a calcular. Por último, a leitura de Amartya Sen permite-nos perceber por que é que a actual política de extinção da educação e formação de adultos condenará, irreversivelmente, o nosso país à pobreza.

Acredito que o sr. ministro sabe, certamente, isto tudo, porque teve professores que o fizeram sentir tudo isto. Foram estes professores que nos marcaram e nos ajudaram a construir, como pessoas e profissionais, porque – não nos subtraindo a trabalhos ou sacrifícios – nunca nos negaram o direito ao prazer de aprender.

Eduquês é negar, ignorar ou deixar capturar, por preconceitos ideológicos, a evolução científica na educação e os resultados de estudos científicos rigorosos realizados por instituições nacionais e internacionais credíveis e reconhecidas, acerca dos resultados das recentes políticas educativas em Portugal.

Bravo Nico
Ex- deputado do PS e professor da Univ. de Évora
Público on line, Opinião, terça-feira, 18 Junho 2013, às 00h00
BEIJINHO GRANDE À COLEGA MARIA EDUARDA LUZ PELA PISTA!

sexta-feira, abril 12, 2013

O que é a Educação?

Na passada quarta-feira, dia 10, participei numa sessão de trabalho promovida por uma grande empresa informática. A sessão visou apresentar um conjunto extraordinário de recursos informáticos integrados para uso nas escolas e na educação, em geral, a partir das mais tenras idades. Que sofisticação de materiais e equipamentos!... Até na discrição das formas, dos tamanhos e dos pesos de tais coisas! Deixando a pairar no ar a sussurante ideia do Big Brother - superbonzinho, neste caso - que tudo verifica, que tudo controla, nas ações dos miúdos aprendentes.
Quase ao arrepio de tudo o mais que foi dito durante toda a manhã e a primeira parte da tarde, o último conferencista, um muito interessante especialista escocês, avisou, a determinada altura da sua comunicação:
"Empathy is the key!" Quem diria!... Fantástico! Como eu gostei de o ouvir dizer isto!
Hoje fui confrontado por uma jovem que se inicia como uma muito promissora estudiosa das ciências da Educação com a seguinte questão:
- O que é a Educação?
Pois bem, o melhor jeito que encontrei de lhe responder, foi assim, quase num ápice:
- "Educar é influenciar; em sentido geral, influenciar intencionalmente. Habitualmente é um indivíduo mais velho, mais sabedor, com mais experiência - quase sempre, um progenitor ou um professor - que procura influenciar o comportamento de um outro indivíduo, mais novo, (ainda) menos sabedor, com menos experiência: a criança-filho ou a criança-aluno. A influência social contida no(s) atos(s) de educar visam, tradicionalmente, a INTEGRAÇÃO nas formas de convivência social e nos rituais de relacionamento das famílias e dos outros grupos sociais de pertença; e de TRANSMISSÃO de saberes acumulados (na família e nos diferentes níveis de culturas de pertença). Cada vez mais, as mais modernas formas de educação, sejam formais, sejam informais, visam também o DESENVOLVIMENTO pessoal específico de cada indivíduo, visto na ótica de um ser que nasce com potencialidades únicas, específicas, idiossincráticas, que reclamam oportunidade de expansão e desenvolvimento."
Olho agora para o que lhe disse, e confesso que acho que não me saí mal... Certamente irei partir ainda alguma pedra à volta desta asserção; mas, para uma resposta curta e urgente, repito, acho que não me saí nada mal.
Beijinho grande, querida S.! Obrigado por me teres dado a oportunidade de tornar consciente e dar forma a este pensamento, que é ao mesmo tempo de síntese e prospetivo.

sexta-feira, julho 13, 2012

Medos, incerteza e desafios

Este apontamento é dedicado a um jovem com quem conversei longamente e agradavelmente hoje de manhã. É que a conversa que mantivemos teve muito presente o essencial deste dito que, pouco depois da conversa, encontrei em língua inglesa. Conversa cruzada casualmente com leitura do tal dito, pronto, deu apontamento.

“Never be afraid to try something new. Remember, amateurs built the ark. Professionals built the Titanic.” 
Nunca tenhas medo de tentar algo novo. Lembra-te, foram amadores que construíram a arca [de Noé]. Os profissionais construíram o Titanic.


(Como muitas vezes acontece - sobretudo na Internet - não há consenso quanto à autoria desta afirmação. E hoje estou suficientemente preguiçoso para não querer dar-me ao trabalho de procurar melhor. O autor que me perdoe esta fraqueza)

domingo, julho 08, 2012

Afinal, é para a criança escolher, ou não?...

Hoje de manhã fui ao Vasco da Gama, a minha irmã, quando vem do Faial a Lisboa, não resiste a ir lá às compras.
Enquanto estava à espera dela, passou por mim uma senhora, mãe, e, ao lado dela, uma menina, a filha.
Consegui apanhar o seguinte da conversa entre as duas:
Mãe (impaciente): Afinal, o que é que queres?...
Filha (esperançosa): Ó mãe, pode ser um chupa-chupa e uma pastilha?...
Mãe (autoritária): Não! Ou chupa-chupa, ou pastilha!... Escolhe...
A filha pensa...
Mãe (imperial): Então, escolhes o quê?...
Filha (resignada): Escolho a pastilha...
Mãe (impaciente, autoritária, imperial... onde pôs a senhora a pedagogia?): Não! Pastilha não! Não te compro a pastilha!...
A mãe pegou a filha pela mão, com muita firmeza, a menina teve de se safar, atropelando os passitos, puxada daquela maneira pela mãe.
Não consegui perceber se ao menos a menina ia safar o chupa-chupa.
O quanto há aqui de deseducação que alguns pais dão aos seus filhos!...
Diálogo... confiança pais-filhos... estilos de vida saudável... prazer... coerência decisional... negociação... carinho... e outras coisas mais...